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Biodiesel

Biodiesel é esperança econômica no Norte de MG


Agência Envolverde - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

O Norte de Minas aposta na produção da mamona para ser beneficiado no Programa de Incentivo ao Biodiesel, lançado pelo Governo federal, e, com isso, aquecer sua economia, principalmente a rural. Os primeiros entendimentos com a Petrobras e o Ministério de Ciência e Tecnologia foram mantidos, buscando fazer parcerias. O presidente do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Integrado do Alto Rio Pardo, José de Souza Nelcy, afirma que a proposta é viabilizar as características climáticas da região para a produção de mamona e atrair investidor interessado em beneficiar essa produção. “A mamona é uma cultura típica do Norte de Minas e adaptada ao nosso clima. Temos área de 10 mil hectares para plantio e buscamos fechar a cadeia produtiva, com criação de usinas de beneficiamento", diz o presidente.

Segundo José de Souza Nelcy, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) já está elaborando o projeto da viabilidade econômica do Biodiesel para o Norte de Minas. Aliado a isso, o Cidarp recebeu documento da Petrobras onde a empresa manifesta interesse em adquirir toda a produção de biodiesel da região, desde que haja alguma usina interessada em assinar contrato. “O biodiesel é a salvação econômica do Norte de Minas, pois dos 86 municípios, apenas oito são industrializados. Os outros dependem da atividade produtiva rural. Se estabelecermos parcerias bem sólidas na cadeia produtiva, vamos alavancar a produção de mamona e gerar empregos e renda para toda a região. Por isso, nosso trabalho é atrair investidor interessado em montar uma usina de beneficiamento", diz o coordenador.

No município de Jaíba, os produtores rurais estão otimistas com a perspectivas da Sada Energética instalar uma usina de beneficiamento. O presidente da Associação dos Irrigantes do Jaíba, Eduardo César Rebello, afirma que o grupo está desmatando 3 mil hectares no Projeto Jaíba para plantar cana-de-açúcar e pinhão manso, para produzir álcool e biodiesel. São investimentos de R$ 60 milhões e, segundo ele, o grupo já manifestou interesse de comprar a produção de quem plantar essas culturas. O gerente do Distrito de Irrigação de Jaíba, Bernardino Gervásio Araújo, prevê que a instalação desta usina causará grande impacto econômico e social no projeto irrigado.

Na cidade de Montes Claros, as lideranças estão se articulando para receber uma usina de biodiesel. O empresário Vítor Veloso, diretor regional do Sindicato dos Postos de Combustíveis de Minas Gerais (Minaspetro), aponta o Grupo Ale, cuja origem é montes-clarense, como um dos que apresentou interesse em atuar nessa área, com o diferencial de já dominar essa tecnologia. Segundo Veloso, Montes Claros tem a Base de Distribuição de Combustíveis, com capacidade para 4,5 milhões de litros, o que é um forte atrativo para investidores.

Ele diz, no entanto, que outra cidade do Norte de Minas pode sediar a usina de biodiesel, mas o investidor precisará avaliar se ficará mais fácil pagar o frete para transportar o combustível ou a matéria-prima, a mamona. Os estudos de Vítor Veloso indicam que o Norte de Minas precisaria de uma unidade de beneficiamento com capacidade para produzir 1 milhão de litros por mês, necessário para atender à demanda regional. Porém, os maquinários existentes são para beneficiar 10 milhões de litros/mês, o que exigiria atrair novos mercados consumidores.

“Tomamos conhecimento que, na cidade de Cássia, no Sul de Minas, a Petrobras montou uma usina com capacidade de produção de 1 milhão de litros em 30 dias. Queremos conhecer a unidade, até para servir de modelo", afirma o empresário.