Especialista diz que biocombustíveis são a saída para sociedade inclusiva.
Especialista diz que biocombustíveis são a saída para sociedade inclusiva
Foram anos de pregação ambientalista que não levaram a nada. Bastou o preço do petróleo subir para novas alternativas energéticas surgirem. Já se fala até numa Opep do etanol. O ecossocioeconomista Ignacy Sachs, de passagem pelo Brasil para lançar seu 12ºlivro, acha cedo. Polonês de nascimento e francês naturalizado, ele é diretor do Centro de Pesquisas sobre o Brasil Contemporâneo na École de Sciences Sociales, de Paris.
O Brasil teve uma trajetória de crescimento rápida. Só que o modelo adotado foi socialmente excludente e ambientalmente insustentável. O sr. Acredita que o País pode recuperar o tempo perdido?
IGNACY SACHS: Os biocombustíveis são uma janela de oportunidades. Só que o mercado não pode assumir a liderança desse processo. Precisamos de uma política explícita com critérios claros, que não são apenas a definição de um custo mínimo. É necessário parâmetros de eficiência energética e critérios ambientais e sociais. Precisamos usar a expansão dos biocombustíveis para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento rural.
Problemas socioambientais, como péssimas condições de trabalho de um lado e denúncias sobre devastação de outro, são os calcanhares de Aquiles das usinas de açúcar e álcool no Brasil. O sr. Acredita que as exportações brasileiras podem vir a ser afetadas por isso?
SACHS: Isso deve ser usado sim como uma barreira comercial. Não há razão para a expansão das bioenergias se traduzir numa devastação ainda maior das florestas, além de ser inadmissível um país de bóias-frias. A possibilidade de serem levantadas barreiras comerciais é grande, até porque os países industrializados pregam o livre comércio mas praticam o protecionismo.
Alguns analistas já calculam o tempo de sobrevida do petróleo. O sr. Acredita que as bioenergias vieram para substituir definitivamente os combustíveis fósseis?
SACHS: Vamos conviver ainda por muitas décadas com vários tipos de energia. O problema não é o esgotamento do petróleo, embora essa questão seja real. O problema é ambiental. Felizmente que o preço do petróleo subiu porque assim passaram a levar a sério uma opção energética que já defendemos desde os anos 70.
Já se fala na criação de uma Opep do etanol. O que o sr. Acha disso?
SACHS: É precipitado. Países como o Brasil deveriam estar preocupados com a cooperação Sul-Sul. O país tem todas as condições de assumir a liderança internacional, sobretudo porque detém tecnologia que interessa aos países africanos. O próximo encontro da Unctad, em Gana, será uma ótima oportunidade para discutir formas de organizar os mercados mundiais do etanol e do biodiesel.
É inegável que a consciência socioambiental vem crescendo, mas, esse processo vem ocorrendo acompanhado de medidas práticas?
SACHS: As idéias andaram para frente e o mundo, para trás. Há uma corrente de opinião que defende inclusive que temos que abandonar os conceitos porque a situação não melhorou. Não é quebrando um termômetro que se cura uma febre. O problema é que houve um desencontro histórico nos últimos anos. O desenvolvimento includente e sustentável requer um estado anti-neoliberal.
Liana Melo
Foram anos de pregação ambientalista que não levaram a nada. Bastou o preço do petróleo subir para novas alternativas energéticas surgirem. Já se fala até numa Opep do etanol. O ecossocioeconomista Ignacy Sachs, de passagem pelo Brasil para lançar seu 12ºlivro, acha cedo. Polonês de nascimento e francês naturalizado, ele é diretor do Centro de Pesquisas sobre o Brasil Contemporâneo na École de Sciences Sociales, de Paris.
O Brasil teve uma trajetória de crescimento rápida. Só que o modelo adotado foi socialmente excludente e ambientalmente insustentável. O sr. Acredita que o País pode recuperar o tempo perdido?
IGNACY SACHS: Os biocombustíveis são uma janela de oportunidades. Só que o mercado não pode assumir a liderança desse processo. Precisamos de uma política explícita com critérios claros, que não são apenas a definição de um custo mínimo. É necessário parâmetros de eficiência energética e critérios ambientais e sociais. Precisamos usar a expansão dos biocombustíveis para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento rural.
Problemas socioambientais, como péssimas condições de trabalho de um lado e denúncias sobre devastação de outro, são os calcanhares de Aquiles das usinas de açúcar e álcool no Brasil. O sr. Acredita que as exportações brasileiras podem vir a ser afetadas por isso?
SACHS: Isso deve ser usado sim como uma barreira comercial. Não há razão para a expansão das bioenergias se traduzir numa devastação ainda maior das florestas, além de ser inadmissível um país de bóias-frias. A possibilidade de serem levantadas barreiras comerciais é grande, até porque os países industrializados pregam o livre comércio mas praticam o protecionismo.
Alguns analistas já calculam o tempo de sobrevida do petróleo. O sr. Acredita que as bioenergias vieram para substituir definitivamente os combustíveis fósseis?
SACHS: Vamos conviver ainda por muitas décadas com vários tipos de energia. O problema não é o esgotamento do petróleo, embora essa questão seja real. O problema é ambiental. Felizmente que o preço do petróleo subiu porque assim passaram a levar a sério uma opção energética que já defendemos desde os anos 70.
Já se fala na criação de uma Opep do etanol. O que o sr. Acha disso?
SACHS: É precipitado. Países como o Brasil deveriam estar preocupados com a cooperação Sul-Sul. O país tem todas as condições de assumir a liderança internacional, sobretudo porque detém tecnologia que interessa aos países africanos. O próximo encontro da Unctad, em Gana, será uma ótima oportunidade para discutir formas de organizar os mercados mundiais do etanol e do biodiesel.
É inegável que a consciência socioambiental vem crescendo, mas, esse processo vem ocorrendo acompanhado de medidas práticas?
SACHS: As idéias andaram para frente e o mundo, para trás. Há uma corrente de opinião que defende inclusive que temos que abandonar os conceitos porque a situação não melhorou. Não é quebrando um termômetro que se cura uma febre. O problema é que houve um desencontro histórico nos últimos anos. O desenvolvimento includente e sustentável requer um estado anti-neoliberal.
Liana Melo