BiodieselBR
Publicidade

Área plantada de soja pode dobrar na Bahia com o H-Bio

Mistura de óleo vegetal e mineral pela Petrobras deve favorecer agricultura. A soja ocupa, atualmente, 870 mil hectares no oeste baiano.
. 3 min de leitura
Mistura de óleo vegetal e mineral pela Petrobras deve favorecer agricultura. A soja ocupa, atualmente, 870 mil hectares no oeste baiano.

Parte dos produtores de soja na Bahia estão cautelosos com a expectativa de ampliação do setor diante do anúncio de produção, por parte da Petrobras, do H-Bio, um novo tipo de óleo diesel proveniente da mistura do óleo vegetal - em um percentual que poderá chegar até 10% - no processo de fabricação do diesel.  De acordo com a proposta, o combustível será desenvolvido nas refinarias da Petrobras, basicamente a partir da mistura do óleo de soja com o óleo mineral oriundo do petróleo.

"Essa medida poderá possibilitar um aumento considerável na produção desse grão no país.  Por exemplo, na região do oeste baiano, temos um... potencial enorme de ampliação da área plantada, a qual poderá ser expandida em mais um milhão de hectares.  Com isso, podemos praticamente dobrar nossa área atual destinada à soja, que é de 870 mil hectares", ressalta o assessor de Agronegócios, da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Ivanir Maia.  Segundo conta, apesar de ser uma notícia positiva para o mercado, principalmente porque vai elevar bastante o consumo de um artigo que o Brasil tem em abundância, os benefícios só serão sentidos a médio prazo.  "Para esse ano, não tem como reverter os problemas que os agricultores brasileiros vêm enfrentando", afirma.

Na avaliação do produtor baiano Celito Eduardo Breda, apesar de benéfico para o setor, o desenvolvimento dessa fonte de energia alternativa ainda caminha de forma muito tímida no país, revelando a necessidade de uma postura mais engajada por parte do governo federal.  "Por exemplo, o governo determinou que, para o próximo ano, a porcentagem de biodiesel - produto que utiliza de 60% a 70% de óleo vegetal - dentro do óleo diesel seria inicialmente de 2,5%.  Esse número ainda está muito abaixo daquilo que realmente poderíamos utilizar.  Essa participação poderia ser de 30% a 40%", destaca.  Conforme explica, caso esse percentual fosse de 10%, isso representaria para o Brasil, que consome cerca de 50 milhões de toneladas de diesel por ano, uma produção de cinco milhões de óleo de soja.  "Essa quantidade, por sua vez, eqüivaleria a 25 milhões de toneladas de grãos, praticamente a metade da produção nacional.  Ou seja, é preciso que os órgãos governamentais estimulem mais a questão do biodiesel, permitindo assim a geração de mais emprego e renda para o país", comenta Celito.

A fabricação do novo combustível poderá ser feita também a partir de outras opções de óleo vegetal, como o de mamona, por exemplo.  Entretanto, em função da enorme área de soja plantada no país, a utilização desse grão permitiria uma produção acentuada da matéria.  Em 2005, foram produzidos 5,6 milhões de metros cúbicos de óleo vegetal de soja no Brasil e somente 90 mil metros cúbicos de óleo de mamona.

Para o produtor Amauri Stracci, os benefícios trazidos com a implementação desse novo tipo de óleo diesel só serão sentidos pela categoria se forem acompanhados de uma mudança na atual política econômica desenvolvida pelo governo federal junto à agricultura.

Alan Amaral - Correio da Bahia     
Tags H-bio
Compartilhar: