O mercado global de energia opera sob forte pressão nesta quinta-feira, 5, em meio à intensificação das tensões no Irã. O petróleo tipo Brent, referência internacional, avança cerca de 3% e é negociado próximo de US$ 84 por barril.
Na semana, os contratos futuros acumulam alta de aproximadamente 15%. Somente na terça-feira, 3, o Brent tocou US$ 85,12 no intradia, o maior nível desde julho de 2024.
O West Texas Intermediate (WTI), referência do petróleo negociado nos Estados Unidos (EUA), também sobe e é cotado acima de US$ 78 por barril, refletindo o prêmio de risco.
A guerra, que entra no sexto dia, já provoca interrupções relevantes nos fluxos de petróleo para grandes importadores, levando produtores a reduzir parte da oferta.
O principal foco de instabilidade é o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa uma fatia significativa do petróleo mundial. O Irã proibiu petroleiros de passarem pelo local.
Reação das principais economias
Grandes economias asiáticas já começaram a adotar medidas para proteger o abastecimento interno diante do agravamento da crise, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.
A China, maior importadora global de petróleo, orientou refinarias a suspender exportações de diesel e gasolina, de acordo com fontes ouvidas pela agência.
No Japão, refinarias solicitaram ao governo a liberação de reservas estratégicas, enquanto, na Índia, um importante processador comunicou clientes sobre a suspensão das exportações de derivados.
Resposta dos EUA e riscos logísticos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou confiança na campanha militar, mas o cronograma das operações segue incerto.
A Guarda Revolucionária Islâmica prometeu intensificar os ataques.
Para tentar normalizar o tráfego no Estreito de Ormuz, Washington propôs garantias de seguro e possíveis escoltas navais a embarcações comerciais.
No entanto, a Marsh McLennan alertou que a implementação dessas medidas pode levar semanas, de acordo com informações obtidas pela Bloomberg.
Impacto global e projeções
A Agência Internacional de Energia (AIE) informou, ainda, que cerca de 15 milhões de barris por dia transitaram pelo Estreito de Ormuz em 2025.
O volume elevado e as rotas alternativas limitadas ampliam o impacto de qualquer interrupção , na visão dos especialistas.
A analista sênior da Phillip Nova, Priyanka Sachdeva, afirmou à Bloomberg que novos ataques a infraestruturas ou petroleiros podem gerar picos adicionais nos preços.
Antes do conflito, o mercado operava com excesso de oferta. O gerente de clientes da IG Asia Pte., Alvin Lee, indicou à Bloomberg que, apesar do choque geopolítico, esses fundamentos não desapareceram completamente.
"Se e quando as tensões diminuírem, poderemos ver o preço do petróleo bruto cair para a faixa dos US$ 60."Alvin Lee, gerente de clientes da IG Asia Pte
Já o CEO do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou à agência que ainda há elevada incerteza sobre os rumos do conflito, mantendo investidores atentos aos próximos desdobramentos.
Ana Luiza Serrão – Exame