PDE 2024: Brasil continuará como importador de diesel
Segundo a nova edição do PDE, o Brasil deverá continuar dependente em relação ao diesel importado ao longo da próxima década.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Até pouco tempo atrás, havia uma luz no fim do túnel da dependência externa de derivados de petróleo. Tão logo as quatro novas refinarias que a Petrobras estava construindo – Abreu e Lima, Comperj, Premium 1 e Premium 2 – entrassem em operação, trocaríamos o desconfortável papel de importadores de combustíveis pelo de exportadores.
Até pouco tempo atrás, havia uma luz no fim do túnel da dependência externa de derivados de petróleo. Tão logo as quatro novas refinarias que a Petrobras estava construindo – Abreu e Lima, Comperj, Premium 1 e Premium 2 – entrassem em operação, trocaríamos o desconfortável papel de importadores de combustíveis pelo de exportadores.
Uma parte significativa da estratégia montada pelo Palácio do Planalto para a área de energia tinha essa perspectiva de autossuficiência como premissa. De acordo com a nova edição do Plano de Decenal de Energia (PDE) que cobre o período entre 2015 e 2024, o Brasil se manterá como importador líquido de óleo diesel durante todo o decênio.
O diesel era a chave de toda essa estratégia. Primeiro porque ele é o combustível mais consumido do país; nos 10 últimos anos, o diesel teve participação sempre acima de 40% do mercado total com um somatório de 42,4%. Na média, durante esse período, 14,1% de todo o diesel consumido pelos brasileiros precisou vir de fora do país o que representou 31% do volume total e pouco mais de 40% do valor pago com importações de derivados.
Em 10 anos, pagamos US$ 48,7 bilhões pelo diesel vindo de fora.
Não seria propriamente um “felizes para sempre” porque o país continuaria com saldo negativo em outros segmentos do mercado, mas, durante bons anos, as contas externas do país receberiam um reforço.
Redução
Cortar essa fatura era a meta central do plano de investimentos da Petrobras em refino. Todo esse planejamento isso virou poeira depois que a petroleira precisou readequar seu plano de investimentos em função do impacto da Operação Lava-Jatos e da queda persistente nas cotações internacionais do petróleo no caixa da estatal.
Em janeiro foi anunciado o cancelamento da construção das refinarias Premium. Sem elas, estava claro que as projeções anteriores haviam feito água. Restava contabilizar o prejuízo.
Com a publicação do PDE 2024 isso se torna possível. Entre 2015 e 2024, o déficit acumulado entre a produção interna de diesel e a demanda deverá superar os 102,5 bilhões de litros. Em média, 15,2% da demanda terá que ser atendida com combustível importado – mais do que nos últimos 10 anos.
E a tendência é de elevação na dependência. No decênio, a produção de diesel vai avançar 28% e chegar em 2024 com uma produção de 64 bilhões de litros contra um avanço de 30% na demanda que totalizará 77,3 bilhões de litros. Isso dá uma relação de dependência de 17,2% no último ano da série. Só não é pior porque a desaceleração da economia brasileira fez com que a EPE revisse para baixo a debanda. No ano passado, a projeção era que o consumo chegaria a 84,8 bilhões de litros em 2023; agora devemos estar consumindo 77,3 bilhões de litros em 2024 – 8,8% a menos.
Uma situação muito diferente do PDE 2023. Até o ano passado, a expectativa era que os fluxos se invertessem a partir de 2019, ano em que o Brasil se tornaria um exportar líquido de diesel. Pelas consta da EPE, encerraríamos o período com um saldo positivo de 7,5 bilhões de litros do derivado.
Os saldos positivos seriam relativamente robustos entre 2019 e 2021 – especialmente em 2020 quando a sobra esperada era de 9 bilhões de litros –, e passariam a baixar conforma a demanda acelerasse nos últimos anos da série. Em 2023, o resultado positivo cairia para menos de 2,6 bilhões de litros.
Déficit interno de diesel
O déficit interno de diesel e a oportunidade que se abre para o setor de biodiesel é um dos assuntos que serão discutidos na Conferência BiodieselBR 2015. O assunto é tema da palestra de Ricardo Dornelles, Diretor do Ministério de Minas e Energia, que acontece dentro do painel “Cenários para o mercado de diesel e biodiesel: Os caminhos pelo qual o biodiesel pode se desenvolver”.
Para ver a programação completa deste painel e o restante da programação do evento, acesse aqui o site da Conferência BiodieselBR 2015.