O governo da China determinou que as maiores refinarias de petróleo do país suspendessem a exportação de diesel e gasolina, a fim de preservar os estoques para consumo doméstico. A orientação surge em meio ao avanço do conflito no Golfo Pérsico, que interrompeu a circulação de petróleo em uma das maiores regiões produtoras do mundo. As informações são da agência de notícias Bloomberg.
Embora a China seja apenas a terceira maior fornecedora de derivados de petróleo para a região — seu vasto setor de refino atende principalmente a demanda interna —, as restrições impostas refletem uma corrida em toda a Ásia para priorizar as necessidades domésticas.
Autoridades da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), principal órgão de planejamento econômico do país, pediram uma suspensão temporária dos embarques de produtos refinados, com início imediato, segundo fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg. As pessoas pediram para não serem identificadas, pois as discussões não são públicas.
Em uma reunião realizada no início desta semana, as refinarias foram instruídas a parar de assinar novos contratos e a negociar o cancelamento de embarques já acordados, disseram as fontes. Uma exceção foi feita para o combustível de aviação e o bunker (combustível para navios) armazenados em depósitos alfandegados, além de suprimentos para Hong Kong e Macau, acrescentaram.
PetroChina, Sinopec, CNOOC, Sinochem Group e a refinaria privada Zhejiang Petrochemical obtêm regularmente cotas de exportação de combustível do governo. Nenhuma das cinco empresas respondeu a pedidos de comentários da Bloomberg. A NDRC também não respondeu imediatamente às perguntas.
Mesmo em tempos normais, a China não permite exportações irrestritas de produtos refinados como gasolina, diesel e combustível de aviação. O país utiliza um sistema de cotas, no qual o Ministério do Comércio seleciona um pequeno grupo de grandes refinarias e traders. Esse regime serve a múltiplos objetivos: proporciona a Pequim um mecanismo para equilibrar a oferta e a demanda internas e permite que o governo responda dinamicamente às condições de mercado.
Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que também desorganizou o comércio global de energia, as autoridades chinesas têm frequentemente reduzido as cotas de exportação ou adiado as alocações, resultando em remessas menores.
Com praticamente nenhum petróleo ou combustível saindo do Golfo Pérsico desde que os ataques dos EUA e de Israel começaram no fim de semana, refinarias do Japão à Indonésia e à Índia começaram a reduzir o ritmo de operação e a suspender as exportações.
A China tem buscado ativamente diversificar seu abastecimento de hidrocarbonetos nos últimos anos, mas ainda recebe quase metade de suas importações de petróleo do Golfo, incluindo praticamente todos os embarques do Irã.