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BioQAV pode ser competitivo em relação ao querosene fóssil

Estudo foi elaborado por cientistas de laboratório ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos

BiodieselBR.com 3 min de leitura

A descarbonização do setor de aviação não será um desafio dos mais fáceis de atingir. Ao contrário do setor de transportes terrestres onde a eletrificação vem avançando rapidamente, o peso das baterias e quantidade de energia necessária para manter um avião voando torna mais complicado abrir mão dos motores a combustão. A saída para a indústria, portanto, passa pelo uso de combustíveis renováveis.

A descarbonização do setor de aviação não será um desafio dos mais fáceis de atingir. Ao contrário do setor de transportes terrestres onde a eletrificação vem avançando rapidamente, o peso das baterias e quantidade de energia necessária para manter um avião voando torna mais complicado abrir mão dos motores a combustão. A saída para a indústria, portanto, passa pelo uso de combustíveis renováveis.

Globalmente, o setor consome cerca de 795 milhões de litros de combustíveis por dia – 290 bilhões de litros ao ano. Qualquer mudança mais substancial numa demanda desse porte equivale a dar um cavalo de pau no proverbial transatlântico.

A boa notícia é que segundo as contas feitas por cientistas do Departamento de Energia do Laboratório Nacional de Berkeley – parte da rede de pesquisa mantida pelo Departamento de Energia do governo dos EUA – os biocombustíveis estão no caminho certo para se tornarem competitivos em relação ao querosene de aviação convencional.

Um estudo recém-publicado no jornal científico Energy & Environmental Science garante que mantido o compasso atual de otimização tecnológica e de expansão da capacidade produtiva. Nos últimos dez anos o custo de produção de um galão – cerca de 3,78 litros – de bioQAV recuou de US$ 300 mil para cerca de US$ 16.

Último quilômetro

Apesar da queda dramática de quatro ordens de magnitude, ainda há um bom caminho a ser coberto. Cada galão querosene de aviação convencional custa aproximadamente US$ 2,50 (R$ 9,36 pela cotação desta quarta-feira).

Para entender como será possível vencer esse último quilômetro, os pesquisadores desenvolveram modelos computacionais sobre cinco diferentes rotas de produção usadas na produção de quatro diferentes tipos de moléculas. Os pesquisadores esperam que as simulações os ajudem a identificar os gargalos que precisam ser resolvidos.


“Felizmente, a resposta que encontramos é que é viável. Nós identificamos melhorias que precisam acontecer [para que os preços baixem]”, disse a líder da pesquisa Corinne Scown. Segundo ela, os resultados da modelagem indicam que os biocombustíveis fabricados a partir de todas as rotas pesquisadas são capazes de atingir paridade de preços em relação ao combustível obtido a partir do petróleo.

O principal nó que ainda precisa ser resolvido é encontrar uma forma de aproveitar a lignina – uma parte da biomassa de difícil conversão. Desenvolver um uso comercial para a substância permitiria diluir ainda mais os custos de produção.

Prêmio

As companhias aéreas também estariam dispostas a pagar um prêmio de até US$ 0,50 por galão de biocombustível uma vez que eles têm uma densidade energética superior ao querosene convencional permitindo ganhos de autonomia nas aeronaves.

Ainda de acordo com Scown, as descobertas, apesar de promissoras, apontam que ainda há muito trabalho a ser feito para levar as tecnologias a seu ponto de maturidade. “Está claro que, para levar esses biocombustíveis ao ponto de viabilidade comercial, vamos precisar concentrar esforços”, finaliza.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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