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Situação da Bionasa em Porangatu (GO)

Usina de biodiesel tinha como planejamento chegar a 400 milhões de litros por ano. As obras de construção da unidade foram iniciadas em março de 2006.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Usina de biodiesel tinha como planejamento chegar a 400 milhões de litros por ano. As obras de construção da unidade foram iniciadas em março de 2006.

 O elefante branco está à venda e desativado. Esse é um comentário comum pelas ruas de Porangatu, cidade localizada no extremo Norte do Estado, a 436 quilômetros de Goiânia.

O comentário é referente à empresa de biocombustível Bionasa, instalada na cidade, e que há alguns meses demitiu grande parte de seus funcionários.

As obras de construção da unidade foram iniciadas em março de 2006, com previsão de término em 18 meses, mas até até agora não foram concluídas.

Fiananciamento
A construção da indústria foi orçada em cerca de R$ 260 milhões, com 30% do investimento proveniente da iniciativa privada e o restante do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Como parte dos incentivos, a prefeitura local fez a doação da área onde está instalada a indústria, que tinha a pretensão de produzir cerca de 400 mil toneladas de biocombustível por ano. Em junho do ano passado, a Bionasa Combustível Natural S.A. assinou contratato de concessão de incentivos fiscais do programa Produzir, no valor de R$ 380 milhões

Mas até hoje não foi produzido sequer um litro do combustível à base de óleos vegetais (soja e pinhão manso) e de gordura animal.

A reportagem do POPULAR ouviu alguns dos trabalhadores dispensados pela Bionasa e constatou, por meio dos relatos deles, que grande parte da equipe contratada passava horas do dia sem ter o que fazer.

Alguns operários vieram de outras cidades, atraídos pela promessa de bons salários e emprego garantido. Fato que nunca aconteceu, diz uma das funcionárias, que pediu para não ser identificada.

A funcionária e seu marido, que também preferiu não se identificar, estão de malas prontas para voltar para casa, depois de quase um ano em Porangatu. Ela diz que a parte industrial da empresa, responsável pelo processamento da matéria-prima, nunca ficou pronta, desde sua chegada até sua dispensa.

De acordo com a ex-funcionária, cerca de 80% dos empregados foram demitidos, restando poucos trabalhadores para a manutenção mínima de suas áreas. “Todos nós recebemos certinho nossos acertos, mas a frustração foi grande. Estamos voltando para nossas cidades”, lamenta a trabalhadora, que não esconde a tristeza diante da situação da empresa.

De acordo com o secretário de Indústria e Comércio de Porangatu, José Nelcides, a Bionasa teria paralisado as obras da indústria de biocombustível por divergências entre os grupos brasileiro e estrangeiro controladores da empresa sobre a montagem de maquinários. José Nelcides acredita que dentro de 40 dias a Bionasa deve retomar as obras da unidade de produção de biocombustível.

Rogério Simas de Porangatu
O Popular - GO
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