Confira a opinião do governo e das pequenas, médias e grandes usinas de biodiesel sobre o 17º leilão
Sobre o resultado da negociação
“A Ecodiesel vendeu dentro das expectativas. O preço médio que vendemos foi bastante razoável, ficou entre os mais altos. Espero que quem tenha dado lances abaixo de R$ 2,00 tenha levado em conta os custos de produção e a rentabilidade”.Charles Mann de Toledo, diretor de Relações com Investidores da Brasil Ecodiesel.
“Acho que foi tranqüilo. Nós conseguimos vender 16 milhões de litros, queríamos vender mais, como todas as usinas, mas não deu. Houve muita disputa nos lotes”.
João Batista Cardoso, diretor da Binatural
Avaliação geral do leilão
“Eu acho que o pessoal teve bastante dificuldade, o processo causou muitas dúvidas por conta do desempate dos lotes, quase todos ficaram sob avaliação. O processo gerou confusão, dúvidas e apreensão por parte dos produtores”.Charles Mann de Toledo, diretor de Relações com Investidores da Brasil Ecodiesel.
“O leilão foi muito positivo. Todos os produtores que estão em operação, pequenos, médios e grandes, participaram e venderam praticamente o mesmo volume que já vinham vendendo em leilões anteriores. Os resultados contribuíram para desmistificar muitas das preocupações levantadas quando decidimos retornar para a ferramenta eletrônica”.
Ricardo de Gusmão Dornelles Departamento, diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia
“O leilão eletrônico foi muito complicado, cheio de regras que não tem quem consiga decorar. Como a venda é para todo o trimestre, se a usina der o azar de fazer algo errado, ela pode não vender e ainda ficar suspensa para o próximo leilão. E nós temos compromissos com a agricultura familiar, com a cidade, com funcionários etc”.
Victor Augusto Birtche, diretor da CLV Agrodiesel
“O leilão foi desastroso para todas as usinas de pequeno porte (com autorização até 100 mil litros/dia). Pior para essas pequenas que venderam, onde entregarão com margem zerada ou mais provavelmente com prejuízo. Mais desesperador para as que não conseguiram vender, pois terão que amargar três meses com 100% de capacidade ociosa, custo de funcionários parados etc.”
Rodrigo Prosdócimo Pansera Guerra, diretor da Bio Óleo
Sobre a grande diferença de preço dos primeiros para os últimos itens negociados:
“Sem selo é mais complicado, pois o volume ofertado é menor. Nos últimos lotes a pressão de preços foi maior. Havia mais produtores concorrendo, já que as usinas com selo também podiam participar”.João Batista Cardoso, diretor da Binatural
“Nos últimos itens todo mundo veio para disputar, então as usinas acabaram vendendo um pouco mais barato, como foi o caso da CLV, mas não podia ser assim”.
Victor Augusto Birtche, diretor da CLV Agrodiesel
“Consideramos ser um comportamento do próprio mercado, que é muito balizado pela relação entre oferta e demanda. Em certos itens houve mais interesse, principalmente aqueles onde a participação era aberta a produtores com ou sem Selo Combustível Social. Com maior disputa, o deságio foi maior”.
Ricardo de Gusmão Dornelles Departamento, diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia
“Eu não operacionalizei o leilão, mas o relato que eu tenho é que a disputa dos lotes pequenos foi maior, isso é óbvio. Tinha muito mais concorrência. A disputa ficou menos acirrada nos lotes grandes”.
Charles Mann de Toledo, diretor de Relações com Investidores da Brasil Ecodiesel.
“A isonomia foi brutalmente interrompida em favor de um sistema predatório. As grandes usinas puderam entrar nos lotes pequeninos, mas as usinas pequenas ficaram impossibilitadas de entrar nos lotes com volume grande. As pequenas que venderam preferiram arriscar em um improvável declínio nas cotações das matérias-prima e insumos”.
Rodrigo Prosdócimo Pansera Guerra, diretor da Bio Óleo
Sobre a continuidade do pregão eletrônico
“O leilão eletrônico é uma ferramenta moderna, justa, honesta, e principalmente mais dinâmica. Porém há somente um ponto, o qual não concordamos, é o desrespeito aos princípios da isonomia. Os fracionamentos feitos nos lotes fazem com que as usinas de menor capacidade de oferta fiquem restritas a percentuais muito pequenos no leilão.”Carlos Omar dos Reis Polastri diretor da Cesbra Química S/A
Veja também: Porque o leilão eletrônico é bom para o setor de biodiesel
“Acho que o leilão eletrônico tem que ser muito aprimorado. O sistema é falho porque tem um processo de fechamento randômico que pode vir a prejudicar o leilão”.
Charles Mann de Toledo, diretor de Relações com Investidores da Brasil Ecodiesel.
“Acho que não deveria ter leilão eletrônico novamente. Neste algumas pessoas se arriscaram e esse risco pode comprometer até o programa.”
Victor Augusto Birtche, diretor da CLV Agrodiesel
“Foi sugerida possibilidade de todas as usinas participarem de todos os lotes e assim evitar o que acabou acontecendo.”
Rodrigo Prosdócimo Pansera Guerra, diretor da Bio Óleo
“Avaliaremos aprimoramentos, seja para o próximo leilão ou para outros. A intenção é promover uma competição saudável. Uma vantagem da ferramenta eletrônica é justamente permitir analisar o comportamento das ofertas e dos lances. É muito transparente. As estratégias dos agentes ficam claras. A partir dessa análise teremos como avaliar a necessidade de medidas adicionais”.
Ricardo de Gusmão Dornelles, diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia
Entrevista com Ricardo Dornelles:
Diretor do Departamento de Energias Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Dornelles está envolvido com o biodiesel desde os preparativos para o lançamento do PNPB e acompanhou cada etapa da evolução do biodiesel no Brasil.
Como você avalia esse leilão e o funcionamento da ferramenta eletrônica?
O leilão foi muito positivo. Todos os produtores que estão normalmente em operação, pequenos, médios e grandes, participaram deste certame e venderam praticamente o mesmo volume que já vinham vendendo em leilões anteriores. Os resultados contribuíram para desmistificar muitas das preocupações que se levantou quando decidimos retornar para a ferramenta eletrônica.
Porque houve uma diferença tão grande entre os preços dos primeiros itens e dos últimos itens?
Consideramos ser um comportamento do próprio mercado, que é muito balizado pela relação entre oferta e demanda. Em certos itens houve mais interesse, principalmente aqueles onde a participação era aberta a produtores com ou sem Selo Combustível Social. Com maior disputa, o deságio foi maior.
O pregão eletrônico deve ser usado no próximo leilão?
Sim, o modelo eletrônico continuará em uso. Avaliaremos aprimoramentos, seja para o próximo leilão ou para outros. A intenção é cada vez mais promover a competição saudável na produção de biodiesel no Brasil. Passado o 17º leilão, o próximo passo agora é analisar o comportamento das ofertas e dos lances. Uma vantagem da ferramenta eletrônica é justamente permitir esse tipo de análise. É muito transparente, os lances de todos os participantes, em cada instante, em cada item leiloado, ficam disponíveis para a sociedade. As estratégias dos agentes ficam claras. A partir dessa análise teremos como avaliar a necessidade de medidas adicionais.
O objetivo de aumentar a concorrência foi alcançado? Isso se refletiu no preço médio?
Aumentar a concorrência é um objetivo a ser buscado continuamente, não começou nem se encerrou com este leilão. A competição saudável é importante porque contribuiu para uma maior eficiência econômica na cadeia produtiva do biodiesel. Sem um biodiesel que reflita o verdadeiro custo de produção, dificilmente teremos como avançar para percentuais maiores de mistura, para novos mercados, ou para exportação. Acreditamos fortemente que a competição é o instrumento para fazer o preço do biodiesel ser o mais justo possível, tanto para o produtor que precisa remunerar adequadamente seus investimentos, quanto para o consumidor. A equação precisa ser benéfica para todos, caso contrário o B5 poderá ser uma barreira difícil de ser ultrapassada.
Por Alice Duarte - BiodieselBR.com