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Produção de biodiesel dispara mas inclusão social e plantas alternativas não acompanha

A produção de biodiesel no Brasil aumentou quase 24 vezes entre 2006 e 2009, mas ainda assim não se pode dizer que o programa de biodiesel brasileiro foi bem sucedido em todos os aspectos.
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A produção de biodiesel no Brasil aumentou quase 24 vezes entre 2006 e 2009, mas ainda assim não se pode dizer que o programa de biodiesel brasileiro foi bem sucedido em todos os aspectos.

A produção de biodiesel no Brasil aumentou quase 24 vezes entre 2006 e 2009, mas ainda assim não se pode dizer que o programa de biodiesel brasileiro foi bem sucedido em todos os aspectos. Até agora, o País não descobriu uma oleaginosa competitiva para fazer a produção deste biocombustível. Seis anos depois do lançamento do programa que ocorreu em 2004, a mamona não conseguiu se tornar uma das principais oleaginosas usadas como matéria-prima na fabricação do combustível verde. Também fracassou a intenção do governo federal de incluir milhares de pequenos agricultores como fornecedores da mamona.

De todo o biodiesel fabricado no País, 82,49% saem da soja. A segunda matéria-prima mais usada é o sebo bovino, responsável por 12,05%. O sebo tem um percentual maior de participação nas regiões mais desenvolvidas, onde os matadouros vendem esse material diretamente para os fabricantes do biocombustível. No Nordeste, grande parte desse produto vai parar nos lixões.

O plantio da mamona que foi feito em todos os Estados da Região só obteve melhor resultado na Bahia, o que excluiu grande parte do Semi-Árido nordestino. Em Pernambuco, o plantio dessa oleaginosa ocorreu em várias localidades. “No Estado, somente três locais apresentaram uma resposta positiva a esse tipo de cultura quando plantada junto com o feijão”, diz o diretor de Políticas Agrícolas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), Adelson Freitas de Araújo. Os locais foram os municípios de Ouricuri, Petrolina e Serra Talhada, no Sertão do Estado.

Mesmo nos locais onde a resposta foi positiva muitos agricultores desistiram de plantar a mamona devido a vários problemas, como a demora na entrega das sementes, o preço baixo para a comercialização do produto, falta de assistência técnica. No modelo desenhado pelo governo federal, uma empresa trabalharia em conjunto com os agricultores familiares dando assistência técnica, sementes e um preço mínimo garantido em contrato.

No início do programa, 5 mil pequenos agricultores cultivaram a mamona em Pernambuco. Hoje, são 1,8 mil produtores que plantam esse tipo de oleaginosa, mas só 600 deles tem contratos de venda assinados com a Petrobras, segundo informações da Fetape. “Os agricultores também tiveram problemas com a Brasil Ecodiesel, que redirecionou a sua produção, passando a utilizar a soja para fazer o biodiesel”, explicou Freitas, acrescentando que, isso prejudicou os agricultores porque a companhia era a principal compradora local.

Angela Fernanda Belfort
Jornal do Commercio - PE
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