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Pinhão-manso tem grande potencial de aprimoramento genético

Um estudo produzido pela FAO aponta que os cultivares de pinhão-manso pode evoluir muito em termos de produtividade, além de outros aspectos que podem tornar a cultura mais viável.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Um estudo produzido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) aponta que os cultivares de pinhão-manso pode evoluir muito em termos de produtividade, além de outros aspectos que podem tornar a cultura mais viável.

Um estudo produzido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) aponta que os cultivares de pinhão manso pode evoluir muito em termos de produtividade, além de outros aspectos que podem tornar a cultura mais viável.

A pesquisa “Pinhão-manso: uma cultura de bioenergia para pequenos agricultores” compilou dados de inúmeras pesquisas sobre a planta e seu cultivo em países em desenvolvimento. O documento se concentra também em avaliar o impacto da produção dessa planta no desenvolvimento sustentável da agricultura de pequena escala.

A principal conclusão do estudo da FAO é que o pinhão-manso ainda é basicamente uma planta selvagem com baixa produtividade, mas por causa disso apresenta um grande potencial para aprimoramento genético. Em um estudo de quatro anos que acompanhou safras de variedades selvagens do pinhão-manso em condições semi-áridas apontou que apenas 5% das plantas apresentaram alta produtividade (cerca de um quilo de óleo por unidade), enquanto cerca de 50% teve produtividade bastante baixa, próxima de 200 gramas de óleo por planta. 

Os cientistas observaram que a produtividade dos cultivares pode variar até 18 vezes, mas que a existência de plantas com alta produtividade é consistente, o que sugere maior influência de fatores genéticos que ambientais nos resultados. Além disso, o percentual de óleo na semente do pinhão-manso também varia muito e vai de 25 a 40%. Para os pesquisadores é importante que sejam realizadas mais pesquisas em diferentes condições climáticas e de solo para determinar até onde a influência genética é determinante para a produtividade da planta.

Os dados da FAO mostram que aumentar a produtividade do pinhão-manso é fundamental para viabilidade econômica do cultivo. "Produtividade e preço tem maior impacto sobre o lucro que os custos diretos de produção e como o preço do produto depende do mercado, a meta tem que ser a de aprimorar a produtividade", aponta o documento.

Entre as metas de melhoramento genético propostas pela FAO estão:
- melhorar a composição da planta para que ela produza mais frutos que outras partes;
- aumentar a relação entre flores femininas e masculinas para melhorar o potencial de formação de frutos;
- melhorar a sincronia da floração e da maturidade da semente para reduzir a intensidade do trabalho de colheita, bem como permitir a mecanização dessa etapa;
- aumentar o tamanho da semente e seu teor de óleo e
- aumentar o número de ramos, flores, sementes e frutos.

Para os pesquisadores, no entanto, para ser uma cultura atraente para pequenos produtores, o pinhão-manso também precisa evoluir para reduzir os riscos da cultura como, por exemplo, manter uma produtividade aceitável mesmo em condições ruins de umidade.

A FAO aponta que é nas Américas Central e do Sul que a maior variedade de cultivares de pinhão-manso é encontrada. No entanto, um estudo realizado na Costa Rica e no México em 2009 mostrou que as variedades encontradas nesses dois países tinham 70% de semelhança genética com cultivares de outras partes do mundo. “Isso pode limitar o potencial dos cruzamentos entre cultivares de Jaropha curcas”, explica o texto.

O mesmo estudo também levantou a possibilidade de aumento de heterozigotos com o cruzamento entre variedades híbridas específicas, como a Jatropha curcas e a Jatropha integerrima. O híbrido apresentou identidade próxima da Jatropha curcas e herdou várias características desejáveis.

A Jatropha tem a característica de apresentar grande variedade de fenótipos mesmo entre variedades geneticamente similares ou idênticas. Essa característica pode estar ligada a fatores epigenéticos, ou seja, que não estão ligados a mudanças no DNA. Um estudo de 1997 realizado na Nicarágua e em Cabo Verde mostrou que o tempo de florescimento, o número de flores e a relação entre flores masculinas e femininas mudou muito de acordo com os nutrientes do solo, a umidade e outros fatores ambientais.

Para a FAO a produção de variedades aprimoradas do pinhão-manso em escala comercial ainda deve demorar. Segundo a entidade, a maior parte das pesquisas está sendo conduzida por instituições privadas e o acesso aos resultados desses estudos é limitado. No entanto, o interesse contínuo pela cultura aponta que essas empresas devem estar obtendo avanços consideráveis em seus projetos.

Muitos produtores estão começando a utilizar marcadores genéticos modernos, o que pode acelerar o processo de aprimoramento da planta. Mesmo assim a FAO prevê que essas iniciativas ainda irão gastar algum tempo até que novas cultivares se desenvolvam e cheguem à maturidade, um passo importante para sua validação.

Para os pesquisadores, a cultura de pinhão-manso pode se beneficiar da técnica de cultura de tecidos, que pode acelerar o processo de aprimoramento genético. O sistema permite o desenvolvimento de plantas geneticamente idênticas em laboratório. A técnica, porém, ainda não atingiu escala comercial.

Para a FAO, o setor privado vai trabalhar para conseguir variedades de pinhão-manso com alta produtividade e que garantam a lucratividade da cultura. Deve ficar a cargo do Poder Público os investimentos em pesquisas que garantam cultivares com características que atendam também as necessidades dos pequenos agricultores.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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