BiodieselBR
Publicidade

Óleo de cozinha pode garantir B4 sem precisar da soja

O Brasil tem uma produção nacional de óleos e gorduras residuais (OGRs) suficiente para garantir 4% de biodiesel no diesel sem precisar de outras matérias-primas
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O Brasil tem uma produção nacional de óleos e gorduras residuais (OGRs) suficiente para garantir 4% de biodiesel no diesel sem precisar de outras matérias-primas

De acordo com o Instituto PNBE de Desenvolvimento Social, o Brasil tem uma produção nacional de óleos e gorduras residuais (OGRs) de cerca de 1,2 milhões de toneladas por ano. O número é baseado no resíduo do consumo interno do produto e seria suficiente para incrementar a adição de biodiesel no diesel em até 4%, sem a necessidade de recorrer a outras oleaginosas, como a soja e o algodão,  e até mesmo sem precisar do sebo bovino.

A maior parte desses resíduos (60%) é de origem domiciliar, equivalente a 720 mil toneladas ou 818 milhões de litros. O restante vem de bares, restaurantes e lanchonetes, totalizando cerca de 530 milhões de litros ao ano.

A competitividade dos OGRs como insumo para o biodiesel depende, principalmente, dos custos logísticos de coleta, guarda, transporte até o local primário de recepção e os transportes e armazenamentos sucessivos até chegar à unidade de produção do biocombustível. O grande gargalo para o aproveitamento comercial desse resíduo tem sido a coleta domiciliar, considerada inviável economicamente devido à pulverização da oferta.

Para fazer frente a este desafio, a entidade está trabalhando com uma rede logística reversa, ou seja, entidades sociais locais (com ou sem o apoio de governos municipais) trabalham na conscientização e na mobilização da população local para o descarte correto do óleo de cozinha residual em pontos estratégicos de recepção. Para aumentar a eficiência da captação do resíduo em bares e restaurantes o Instituto PNBE também está com uma negociação em andamento para estabelecer uma parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Teodora Tavares, gerente do programa acredita que esse modelo pode ser replicado em escala nacional, mas é preciso maior apoio do poder público para financiar a divulgação e a logística da coleta. “A maior dificuldade tem sido mobilizar a população. É necessário promover a educação, o convencimento e o estímulo à coleta”, diz.  Nas próximas semanas o Instituto PNBE vai levar a proposta à prefeitura de São Paulo para tentar implantar o projeto em toda a capital.

E este projeto já está se desenvolvendo muito bem em São Paulo e região metropolitana através de uma rede de coleta de óleos e gorduras residuais (OGRs) residenciais. O Programa Bióleo, desenvolvido pelo Instituto PNBE de Desenvolvimento Social, está integrando múltiplos projetos de coleta domiciliar e empresarial de óleo de fritura usado para servir de matéria-prima para as usinas de biodiesel. Hoje são recolhidos mensalmente 150 mil litros de óleo usado provenientes de oito bairros da capital paulista e mais cinco cidades da região metropolitana.

O programa foi lançado em novembro de 2008 e começou a ser implantado nas ruas em janeiro deste ano. A idéia é transformar esse resíduo nocivo ao meio ambiente em um insumo de valor, gerador de renda e trabalho para a população carente, abrangendo as áreas ambiental, social e de saneamento.  “Além de gerar renda para os catadores, queremos dar condições para as entidades sociais participantes financiarem seus projetos”, diz Tavares. A iniciativa conta com recursos do próprio Instituto PNBE, de algumas prefeituras e da Essencis, empresa que trabalha no tratamento de resíduos sólidos.

Os OGRs têm valor, desde que possam ser reutilizados por uma atividade produtiva. O preço do produto geralmente é determinado pelo custo do insumo que está sendo substituído. Mas no caso do programa o litro tem sido vendido por cerca de 40 centavos. Mesmo contando com os gastos do pré-tratamento desses óleos, o valor é bem atrativo se comparado ao litro de óleo de soja (principal insumo da indústria de biodiesel), cotado hoje a R$ 1,58 o litro. Por enquanto o único comprador tem sido a Bioauto, de Diadema (SP), que tem investido na estruturação de uma rede de coleta de óleo de cozinha, bem como na produção de pinhão-manso, para futuramente abastecer sua usina de biodiesel em Nova Mutum (MT), que está em fase de construção.

Conheça algumas vantagens da utilização dos OGRs na fabricação de biodiesel:
- Diminui o impacto ambiental causado pelo descarte incorreto do OGR
- Quando usado como biodiesel é 70% menos emissor de GEE
- Financia projetos sociais de entidades sem recursos econômicos
- Melhora a renda de catadores e coletores
- Diminui gastos com tratamento de água e desobstrução de redes de esgoto
- Diminui problemas com a saúde

Alice Duarte - BiodieselBR.com
Compartilhar:

Artigos relacionados