O Brasil está a um passo de concretizar um dos mais vistosos programas de inclusão social de sua história. Longe de se resumir a um devaneio típico dos discursos do presidente Lula, as possibilidades econômicas e sociais nascidas dos biocombustíveis inspiram prognósticos otimistas - caso governos e investidores privados consigam agir com presteza e eficiência para aproveitar as oportunidades surgidas.
Vem da produção do biodiesel em larga escala o grande desafio energético do país nos próximos meses. Como se sabe, a partir de janeiro de 2008, o diesel vertido nos tanques de ônibus, caminhões, utilitários e tratores terá 2% de óleo vegetal. O percentual parece ser modesto, sobretudo se comparado aos 25% de álcool adicionados à gasolina. Corresponde, porém, a nada menos de 840 milhões de litros de biodiesel anuais. Trata-se de um mercado que, segundo especialistas, movimentará mais de R$ 1,5 bilhão.
Conforme recomenda a Lei 1.097, de janeiro de 2005, o país adotará gradualmente o óleo vegetal na matriz brasileira de combustíveis. Começará com a mistura de 2% até chegar a 5% em 2013. Como o Brasil compra no exterior mais de 10% dos 42 bilhões de litros de diesel usados anualmente - mais da metade do consumo da frota nacional - a economia será crescente. Os ganhos sociais também se mostram eloqüentes porque a mistura obrigatória já começa a aquecer, em todo o Brasil, uma cadeia produtiva integrada por agricultores, cooperativas, instituições de pesquisa, fabricantes de equipamentos, empresas de agronegócio e distribuidoras de combustíveis.
A mistura é rotina em países europeus. Por evitar a queima de milhões de litros de diesel mineral, a adição vai livrar da atmosfera da emissão de 25 milhões de toneladas de carbono equivalente - medida que soma as descargas dos principais gases de efeito-estufa, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso.
Por motivos ambientais - e, igualmente relevante, pelos resultados sociais - o Brasil acertou ao promover o programa de produção e uso do biodiesel. A ponta de lança é a fabricação do óleo com matérias-primas como a mamona, no Nordeste, e a palma (dendê), no Norte, produzidas em regime de agricultura familiar. Independentemente da matéria-prima, os efeitos da mistura serão mais do que positivos.
Convém aproveitar a chance e, para tanto, será imprescindível o estímulo ao empreendedorismo e à contribuição dos trabalhadores rurais para uma matriz energética na qual as fontes renováveis assumirão um papel mais significativo. Se há benefícios já evidentes para a economia e o meio ambiente em áreas como o semi-árido nordestino e a Amazônia, a promessa do biodiesel exigirá de outras regiões ação certeira para criar e favorecer cadeias produtivas mais amplas.
É o caso do Rio de Janeiro. Em solo fluminense, existem áreas que, depois de passada a cultura do café, não assistiram à substituição por nenhuma outra atividade. O biodiesel pode ser a oportunidade esperada para onde há lacunas a serem preenchidas.
A favor do país, contam os mais de 100 milhões de hectares disponíveis para a agricultura, a diversidade de climas e o conhecimento do uso energético da biomassa. Se houver a sintonia fina entre os programas governamentais - federais e estaduais - e a confiança dos investidores, somada ao estímulo a atividades econômicas capazes de criar uma agroindústria do setor, se consumada, enfim, essa virtuosa conjugação de astros, o Brasil poderá atingir um outro patamar estratégico como player global.
Editorial Jornal do Brasil
Vem da produção do biodiesel em larga escala o grande desafio energético do país nos próximos meses. Como se sabe, a partir de janeiro de 2008, o diesel vertido nos tanques de ônibus, caminhões, utilitários e tratores terá 2% de óleo vegetal. O percentual parece ser modesto, sobretudo se comparado aos 25% de álcool adicionados à gasolina. Corresponde, porém, a nada menos de 840 milhões de litros de biodiesel anuais. Trata-se de um mercado que, segundo especialistas, movimentará mais de R$ 1,5 bilhão.
Conforme recomenda a Lei 1.097, de janeiro de 2005, o país adotará gradualmente o óleo vegetal na matriz brasileira de combustíveis. Começará com a mistura de 2% até chegar a 5% em 2013. Como o Brasil compra no exterior mais de 10% dos 42 bilhões de litros de diesel usados anualmente - mais da metade do consumo da frota nacional - a economia será crescente. Os ganhos sociais também se mostram eloqüentes porque a mistura obrigatória já começa a aquecer, em todo o Brasil, uma cadeia produtiva integrada por agricultores, cooperativas, instituições de pesquisa, fabricantes de equipamentos, empresas de agronegócio e distribuidoras de combustíveis.
A mistura é rotina em países europeus. Por evitar a queima de milhões de litros de diesel mineral, a adição vai livrar da atmosfera da emissão de 25 milhões de toneladas de carbono equivalente - medida que soma as descargas dos principais gases de efeito-estufa, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso.
Por motivos ambientais - e, igualmente relevante, pelos resultados sociais - o Brasil acertou ao promover o programa de produção e uso do biodiesel. A ponta de lança é a fabricação do óleo com matérias-primas como a mamona, no Nordeste, e a palma (dendê), no Norte, produzidas em regime de agricultura familiar. Independentemente da matéria-prima, os efeitos da mistura serão mais do que positivos.
Convém aproveitar a chance e, para tanto, será imprescindível o estímulo ao empreendedorismo e à contribuição dos trabalhadores rurais para uma matriz energética na qual as fontes renováveis assumirão um papel mais significativo. Se há benefícios já evidentes para a economia e o meio ambiente em áreas como o semi-árido nordestino e a Amazônia, a promessa do biodiesel exigirá de outras regiões ação certeira para criar e favorecer cadeias produtivas mais amplas.
É o caso do Rio de Janeiro. Em solo fluminense, existem áreas que, depois de passada a cultura do café, não assistiram à substituição por nenhuma outra atividade. O biodiesel pode ser a oportunidade esperada para onde há lacunas a serem preenchidas.
A favor do país, contam os mais de 100 milhões de hectares disponíveis para a agricultura, a diversidade de climas e o conhecimento do uso energético da biomassa. Se houver a sintonia fina entre os programas governamentais - federais e estaduais - e a confiança dos investidores, somada ao estímulo a atividades econômicas capazes de criar uma agroindústria do setor, se consumada, enfim, essa virtuosa conjugação de astros, o Brasil poderá atingir um outro patamar estratégico como player global.
Editorial Jornal do Brasil