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Indústria americana de biodiesel luta para continuar ativa

Biocombustíveis e a necessidade de redução da dependência americana por óleo importado eram assuntos em destaque quando a usina Pinnacle BioFuels abriu em Crossett, no ano de 2008.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Biocombustíveis e a necessidade de redução da dependência americana por óleo importado eram assuntos em destaque quando a usina Pinnacle BioFuels abriu em Crossett, no ano de 2008.

Biocombustíveis e a necessidade de redução da dependência americana por óleo importado eram assuntos em destaque quando a usina Pinnacle BioFuels abriu em Crossett, no ano de 2008. Um ano antes a Assembleia Legislativa do Arkansas aprovou o Programa de Desenvolvimento de Combustíveis Alternativos para ajudar a nova indústria a começar a operar no estado. Várias empresas de biodiesel se propuseram a aproveitar os incentivos e no final de 2009 três usinas já haviam sido implantadas no estado.

Hoje, porém, apenas uma usina de biodiesel permanece em funcionamento. A FutureFuel Corp, em Batesville, opera com menos de 20% da capacidade de produção. Pinnacle BioFuels, instalada em Crossett, e Dewitt Oil and Seed Enterprises, estão temporariamente fechadas.

A produção nacional de biodiesel caiu mais de 80% nos últimos meses. Para a indústria do setor a culpa é da crise econômica que ainda afeta o mercado americano e da incapacidade do Congresso de reinstituir o subsídio de US$ 1 por galão de combustível, que deixou de existir no dia 1º de janeiro de 2010.

Representantes do setor afirmam que quando o subsídio voltar a indústria voltará a crescer. Alguns estão otimistas e acham que a produção de biodiesel ensaia uma volta por cima, com ou sem benefícios fiscais, por causa de novas leis federais.

O biodiesel ainda não é um produto disponível na maior parte do Arkansas. Na realidade, apenas 20 distribuidores do estado comercializam biodiesel.

Este combustível é mais caro que o diesel tradicional. Por isso os produtores do setor dependem tanto do subsídio de US$ 1 por galão, o que reduz os custos e fazem o biodiesel ser mais competitivo junto ao diesel mineral. Esse crédito tributário foi instituído em 2004 e permaneceu ativo até 2009.

O problema é que esse incentivo está incluso na Lei de Benefícios Fiscais, um projeto controverso que inclui também programas de estímulo e outros créditos tributários. A proposta foi aprovada na Câmara, mas não passou no Senado.

Na semana passada os senadores Blanche Lincoln e Mark Pryor, do Arkansas, declararam apoio ao subsídio do biodiesel e disseram que vão trabalhar pela sua aprovação. Enquanto o benefício tributário não volta, “a produção de biodiesel no Arkansas está morta”, avalia o secretário de Agricultura, Richard Bell.

“Não estamos vendo nenhuma produção significativa de biodiesel no Arkansas”, diz Bell. O gerente da Pinnacle BioFuels, Mike Hartness, conta que a usina parou no início do ano.

“Sem o incentivo tributário, com o aumento da soja no mercado e a crise econômica custa o mesmo para fazer o combustível do que podemos conseguir por ele”, Hartness explica. “Com a economia neste estado precisamos do subsídio para poder ter algum lucro”, completa.

Ronnie Goodwin, diretor da Dewitt Oil nad Seed Enterprises, conta que a usina não produz biodiesel há algum tempo. A empresa comprou a unidade da Arkansas SoyEnergy Group em abril e planeja voltar a produzir se o Congresso aprovar o subsídio. “Este é o plano que temos no momento”, adianta.

Na FutureFuel Chemical Co., de Batesville, Gary McChesney, gerente industrial da usina, diz que a perda do subsídio foi ruim para o setor, mas novas leis federais poderão mudar a situação do biodiesel nos EUA.

Entre as leis que podem beneficiar o setor está a Lei da Independência Energética e Segurança, aprovada pelo Congresso em 2007, determina metas de produção de biodiesel.

Pelas regras da EPA, 800 milhões de galões (3 bilhões de litros) de biodiesel devem ser produzidos em 2011 e 650 milhões de galões (2,4 bilhões de litros) este ano. “Então mesmo sem o subsídio nós acreditamos que há a possibilidade do negócio voltar a render uma vez que distribuidoras e revendedores de combustíveis terão que cumprir essas metas de uso de combustíveis renováveis”, diz McChesney. “A lei federal entrou em vigor, o que terá um impacto positivo no setor”, completa.

O secretário da Agricultura, Richard Bell, diz que espera que o Congresso aprove o subsídio logo, assim como garante sua aplicação retroativa a janeiro de 2010. Ele também diz que o Programa de Desenvolvimento de Combustíveis Renováveis também tem seu papel em incentivar a indústria do biodiesel no Arkansas. Pelo programa, US$ 16 milhões em financiamentos foram disponibilizados para empresas que produzem combustível a partir de fontes renováveis. O dinheiro também financiou agricultores que plantaram grãos para esse setor e distribuidores de combustível.

Desde julho de 2007, US$ 7,3 milhões foram aplicados na indústria. Desse total, US$ 4,7 foram para a FutureFuel, de Batesville. Outras empresas também receberam recursos para produção, como a Tornado Patriot Biofuels, de Stuttgart, que está desativada, Pinnacle BioFuels e a antiga Arkansas SoyEnergy.

Uma linha de crédito a fundo perdido de US$ 2 milhões beneficiou a SoyEnergy, que usou o dinheiro para construir uma unidade de processamento de soja. Outros 12 patrocínios de US$ 50 mil também foram entregues a empresas do setor no estado.

Do Arkansas News Bureau
Tradução de Rosiane Correia de Freitas

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