No mês que vem, o mundo vai ver o que as grandes petroleiras podem
trazer ao crescente movimento de combustíveis alternativos quando uma
nova planta de biodiesel, apoiada por uma das principais petroleiras
dos EUA, entrar no mercado.
Conheça os detalhes desta usina e o que muda para as grandes petroleiras e para o setor de biodiesel com este investimento.
A Planta de Galveston é sinal de mudança que os líderes em combustível alternativo esperam que continue
No mês que vem, o mundo vai ver o que as grandes petroleiras podem trazer ao crescente movimento de combustíveis alternativos quando uma nova planta de biodiesel, apoiada por uma das principais petroleiras dos EUA, entrar no mercado.
A planta, que pode produzir 20 milhões de galões de biodiesel feito de óleo de soja por ano, está entre as maiores de seu tipo no país e espera-se que cresça ainda mais. Mas o que é mais notável é que ela é possuída em parte pela Chevron Corp., a gigante petroleira baseada em San Ramón, Califórnia.
Com o investimento, a Chevron se tornou uma das primeiras grandes petroleiras dos EUA a se mudar do laboratório de biocombustível para uma fábrica que de fato o produz, um caminho que os líderes da indústria de biodiesel esperam que seus semelhantes sigam.
A participação de 22% da Chevron na planta de US$ 10 milhões, também financiada por outros investidores institucionais e privados, é minúscula, comparado ao que gastaria para desenvolver, digamos, um campo de óleo de águas profundas no Golfo do México, que poderia chegar a bilhões de dólares. Mas o projeto, que se parece com uma refinaria de óleo em miniatura, representa uma mudança de pensamento em uma das maiores empresas de energia do mundo.
"Nos últimos anos, nossa companhia chegou à conclusão de que há mais demanda global para energia do que podemos atender do modo como nós sempre fizemos as coisas", disse Rick Zalesky, vice-presidente da Chevron para biocombustíveis e hidrogênio, durante uma recente visita à planta de Galveston. "Assim, óleo e gás continuarão a ser a fonte principal, mas isso é suficiente? E nós concluímos que não."
O projeto permitirá à Chevron ganhar experiência produzindo biocombustíveis em larga escala, disse ele. Em troca, a companhia compartilhará tecnologia e sua expertise em refino com uma indústria incipiente que ainda está lutando com questões de qualidade, disse ele.
A produção de biodiesel dos EUA mais que dobrou no ano passado para estimados 225 milhões de galões. A indústria estabeleceu uma meta para substituir 5% do diesel de petróleo do país para uso on-road (em estrada) até 2015 — chegando a aproximadamente 2 bilhões de galões, disse Joe Jobe, CEO da National Biodiesel Board, um grupo de Jefferson City, Missouri.
Mas a indústria está dependendo de inovações em pesquisa agrícola para alcançar a meta, disse Jobe. Também precisará usar a infra-estrutura de óleo e gás do país para a mistura, transporte e abastecimento do combustível para uso difundido, e é por isso que ele disse que o endosso ao biodiesel da Chevron era “uma coisa boa."
Mas há dúvidas se os combustíveis alternativos representarão mais que uma pequena fração do consumo de combustível dos EUA. Mesmo assim, as empresas de energia estão fazendo pequenas apostas em biocombustíveis. A Marathon Oil de Houston e a petroleira estatal do Brasil, Petrobras, estão investindo em plantas de biodiesel; BP (British Petroleum) é parceira da gigante química DuPont para desenvolver biocombustíveis, enquanto outros como Exxon Mobil estão financiando pesquisa em universidades.
O time por trás da planta de biodiesel de Galveston disse que eles pretendem ter uma fatia da indústria nos EUA e em outros países.
O grupo já está fazendo planos para ampliar a instalação. Até o outono, supõe-se que a planta poderá produzir 60 milhões de galões de biodiesel por ano, disse Bill Spence, presidente e CEO da BioSelect Fuels, a empresa de Houston que operará a planta. Ele espera expandir novamente a 110 milhões de galões por ano até 2008.
Ele também está confiante de que os reguladores ambientais do Texas vão adotar o biodiesel. No passado, funcionários estatais quase proibiram o biodiesel de ser vendido em algumas das áreas populosas do Texas, inclusive Houston. Eles disseram que havia dados contraditórios sobre se o combustível produzia mais uma emissão conhecida como óxido de nitrogênio que o diesel de petróleo. No fim, eles deram até o fim de 2007 para a indústria apresentar seu caso.
No final das contas, o investimento da Chevron em Galveston pode prover um modelo útil para o papel da indústria petroleira em biocombustíveis. Mas Zalesky disse que a companhia, não importa o tamanho, sabe não se afastar do que faz melhor.
"Plantar", ele disse. "Eu não vejo a gente fazendo isso jamais."
• Inauguração: Março
• Capacidade inicial: 20 milhões de galões por ano
• Capacidade planejada: 110 milhões por ano até 2008
• Sócios: Chevron Corp., Standard Renewable Energy e outros investidores institucionais e privados
• Operador: BioSelect Fuels de Houston
• Matéria-prima: Óleo de soja
Fonte: BioSelect, Chevron
Por BRETT CLANTON
Houston Chronicle
Conheça os detalhes desta usina e o que muda para as grandes petroleiras e para o setor de biodiesel com este investimento.
A Planta de Galveston é sinal de mudança que os líderes em combustível alternativo esperam que continue
No mês que vem, o mundo vai ver o que as grandes petroleiras podem trazer ao crescente movimento de combustíveis alternativos quando uma nova planta de biodiesel, apoiada por uma das principais petroleiras dos EUA, entrar no mercado.
A planta, que pode produzir 20 milhões de galões de biodiesel feito de óleo de soja por ano, está entre as maiores de seu tipo no país e espera-se que cresça ainda mais. Mas o que é mais notável é que ela é possuída em parte pela Chevron Corp., a gigante petroleira baseada em San Ramón, Califórnia.
Com o investimento, a Chevron se tornou uma das primeiras grandes petroleiras dos EUA a se mudar do laboratório de biocombustível para uma fábrica que de fato o produz, um caminho que os líderes da indústria de biodiesel esperam que seus semelhantes sigam.
A participação de 22% da Chevron na planta de US$ 10 milhões, também financiada por outros investidores institucionais e privados, é minúscula, comparado ao que gastaria para desenvolver, digamos, um campo de óleo de águas profundas no Golfo do México, que poderia chegar a bilhões de dólares. Mas o projeto, que se parece com uma refinaria de óleo em miniatura, representa uma mudança de pensamento em uma das maiores empresas de energia do mundo.
"Nos últimos anos, nossa companhia chegou à conclusão de que há mais demanda global para energia do que podemos atender do modo como nós sempre fizemos as coisas", disse Rick Zalesky, vice-presidente da Chevron para biocombustíveis e hidrogênio, durante uma recente visita à planta de Galveston. "Assim, óleo e gás continuarão a ser a fonte principal, mas isso é suficiente? E nós concluímos que não."
O projeto permitirá à Chevron ganhar experiência produzindo biocombustíveis em larga escala, disse ele. Em troca, a companhia compartilhará tecnologia e sua expertise em refino com uma indústria incipiente que ainda está lutando com questões de qualidade, disse ele.
A produção de biodiesel dos EUA mais que dobrou no ano passado para estimados 225 milhões de galões. A indústria estabeleceu uma meta para substituir 5% do diesel de petróleo do país para uso on-road (em estrada) até 2015 — chegando a aproximadamente 2 bilhões de galões, disse Joe Jobe, CEO da National Biodiesel Board, um grupo de Jefferson City, Missouri.
Mas a indústria está dependendo de inovações em pesquisa agrícola para alcançar a meta, disse Jobe. Também precisará usar a infra-estrutura de óleo e gás do país para a mistura, transporte e abastecimento do combustível para uso difundido, e é por isso que ele disse que o endosso ao biodiesel da Chevron era “uma coisa boa."
Promovido como uma solução
Combustíveis alternativos como etanol e biodiesel existem há décadas, mas recentemente eles foram promovidos como um modo de reduzir a dependência dos EUA de petróleo estrangeiro, manter os fazendeiros dos EUA ocupados e tratar das preocupações com mudança de clima.Mas há dúvidas se os combustíveis alternativos representarão mais que uma pequena fração do consumo de combustível dos EUA. Mesmo assim, as empresas de energia estão fazendo pequenas apostas em biocombustíveis. A Marathon Oil de Houston e a petroleira estatal do Brasil, Petrobras, estão investindo em plantas de biodiesel; BP (British Petroleum) é parceira da gigante química DuPont para desenvolver biocombustíveis, enquanto outros como Exxon Mobil estão financiando pesquisa em universidades.
O time por trás da planta de biodiesel de Galveston disse que eles pretendem ter uma fatia da indústria nos EUA e em outros países.
O grupo já está fazendo planos para ampliar a instalação. Até o outono, supõe-se que a planta poderá produzir 60 milhões de galões de biodiesel por ano, disse Bill Spence, presidente e CEO da BioSelect Fuels, a empresa de Houston que operará a planta. Ele espera expandir novamente a 110 milhões de galões por ano até 2008.
Fontes de combustível mais baratas
Mas para ter êxito a longo prazo, disse Spence, é crucial que a planta pare de fazer biodiesel de soja e óleo de palma que são caros e contêm baixo teor de óleo, e passe para colheitas não-comestíveis com potencial de energia mais alto e mais barato, como mamona ou árvore de sebo chinesa (Sapium sebiferum).Ele também está confiante de que os reguladores ambientais do Texas vão adotar o biodiesel. No passado, funcionários estatais quase proibiram o biodiesel de ser vendido em algumas das áreas populosas do Texas, inclusive Houston. Eles disseram que havia dados contraditórios sobre se o combustível produzia mais uma emissão conhecida como óxido de nitrogênio que o diesel de petróleo. No fim, eles deram até o fim de 2007 para a indústria apresentar seu caso.
No final das contas, o investimento da Chevron em Galveston pode prover um modelo útil para o papel da indústria petroleira em biocombustíveis. Mas Zalesky disse que a companhia, não importa o tamanho, sabe não se afastar do que faz melhor.
"Plantar", ele disse. "Eu não vejo a gente fazendo isso jamais."
BIOSELECT GALVESTON BAY
Um das maiores plantas de biodiesel do país está a ponto de entrar em atividade em Galveston:• Inauguração: Março
• Capacidade inicial: 20 milhões de galões por ano
• Capacidade planejada: 110 milhões por ano até 2008
• Sócios: Chevron Corp., Standard Renewable Energy e outros investidores institucionais e privados
• Operador: BioSelect Fuels de Houston
• Matéria-prima: Óleo de soja
Fonte: BioSelect, Chevron
Por BRETT CLANTON
Houston Chronicle