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EUA: Produção caseira de biodiesel

"É muito perigoso e potencialmente muito problemático. Você está lidando com ingredientes que quando misturados, tornam-se explosivo e tóxico. Não é algo para brincar. Porém, se você souber o que está fazendo, você pode segura e facilmente fazer em sua própria casa.''
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"É muito perigoso e potencialmente muito problemático. Você está lidando com ingredientes que quando misturados, tornam-se explosivo e tóxico. Não é algo para brincar. Porém, se você souber o que está fazendo, você pode segura e facilmente fazer em sua própria casa.''
 
Nos últimos anos, o biodiesel e outros combustíveis alternativos passaram de garagens e oficinas para...
Há um ano atrás, Paul McNees decidiu mudar sua vida mudando seu combustível.
 
Ele vendeu seu SUV Saturn e comprou um Mercedes-Benz diesel. Um mecânico o ajustou e substituiu a tubulação de combustível de borracha macia por algo mais robusto.

Então o professor de El Sobrante começou a usar biodiesel — um combustível feito não de petróleo, mas de óleo vegetal, geralmente óleo descartado de restaurantes ou da indústria alimentícia.

"Eu não podia mais encher o tanque com gasolina por um monte de razões", disse McNees, 43, citando o efeito estufa e a guerra no Iraque. "Foi bom. Limpou totalmente o motor. Funciona bem, tem muito mais força. Tem cheiro de batata frita — não tem aquele cheiro ruim do diesel."
 
Um número pequeno, mas crescente de motoristas da Área da Baía como McNees está trocando seus carros a gasolina por carros a biodiesel. Quantos é difícil dizer. A indústria de biodiesel é nascente, em grande parte não regulada e organizada informalmente. Mas os experts concordam que o uso de biodiesel está aumentando.

Nos EUA, o consumo de biodiesel está nitidamente subindo — de 500.000 galões em 1999 para mais de 75 milhões de galões em 2005. Na Área da Baía, o número de clientes que abastecem no Biofuel Oasis de Berkeley — um do poucos postos de biodiesel da região —subiu de aproximadamente 200 há três para aproximadamente 1800 hoje.

O Governador Arnold Schwarzenegger e o Presidente Bush mencionaram o combustível nos seus respectivos planos para cortar os gases do efeito estufa e reduzir a dependência de petróleo. A Universidade da Califórnia assinou um importante acordo recentemente com a gigante petroleira BP para desenvolver biocombustíveis.

Mesmo assim, apesar de seus benefícios e popularidade crescente, o biodiesel poderia não ser o combustível do futuro porque, como a demanda cresce, a quantia de terra necessária para produzir os óleos poderia ficar insustentável, dizem os experts.

Produção Caseira

O biodiesel é produzido por um processo relativamente simples, conhecido como transesterificação. Produtores, inclusive os caseiros ou as companhias de combustível, começam com óleo vegetal puro ou descartado, então adicionam metanol e um catalisador como lixívia. Uma reação química produz biodiesel e glicerina, que podem ser separados facilmente. A glicerina pode ser usada em uma variedade de produtos, de sabão a lenha de lareira.

O biodiesel tem sido popular há anos entre os fazendeiros do meio oeste e do sul, onde o óleo de soja puro é usado para produzir o combustível. Mesmo assim, seu uso no oeste, até recentemente, era limitado em grande parte a entusiastas que faziam o combustível em casa e às pessoas que se orgulhavam de não usar petróleo.

Os produtores caseiros incluem pessoas como Ben Jordan, que faz seu próprio biodiesel e dá aulas de combustíveis alternativos no City College de San Francisco, na qual os estudantes criam um lote de biodiesel.

"É muito perigoso e potencialmente muito problemático", disse ele. "Você está lidando com metanol e lixívia, e quando você misturá-los, é muito explosivo e tóxico. Não é algo para brincar. Porém, se você souber o que está fazendo, você pode segura e facilmente fazer em sua própria casa.''

“Produtores caseiros merecem muito do crédito para o interesse difundido em biodiesel”, disse Anna Halpern-Lande, de Tellurion Biodiesel, uma empresa de comércio e distribuição de San Francisco.

"Os entusiastas compõem uma porção muito pequena do mercado", ela disse, "mas eles têm um papel crítico: Eles chamam a atenção do público."

Nos últimos anos, o biodiesel e outros combustíveis alternativos passaram de garagens e oficinas para o mainstream. Na quarta-feira, Safeway, que opera 300 postos de combustível nos Estados Unidos, inaugurou uma bomba de teste de biodiesel em Seattle. O combustível também está ficando popular entre celebridades: por exemplo, a lenda da música country Willie Nelson é sócio da BioWillie Diesel, que comercializa o combustível natural principalmente para caminhões.

A mudança não passou despercebida por alguns dos que adotaram o biodiesel antes, como Ahri Golden, 32, uma documentarista da rádio público de Berkeley que usou biodiesel em seu Mercedes 1980 durante quatro anos.
 
"Era meio hippie", disse Golden enquanto abastecia no Biofuel Oasis. "Agora você vê muito mais pessoas com bons carros e mais dinheiro que vêm do uso e não só a ideologia.''

Mas ainda não é viável para todos. Carros diesel novos não são vendidos na Califórnia por causa de regulamentos de qualidade do ar, e comprar um diesel mais velho pode ser competitivo, dizem os usuários de biodiesel. Nenhuma modificação significante é necessária para usar biodiesel, mas porque é um solvente, canos de borracha macia precisam ser substituídos por tubulação mais forte.

Postos de biodiesel também ainda são difíceis de achar: Há apenas nove na Área da Baía, de acordo com a National Biodiesel Board. As operações em pequena escala normalmente funcionam durante poucas horas do dia.

"Você não pode simplesmente ir até o posto de gasolina", disse Jonathan Austin, usuário de biodiesel, de Oakland. "Você tem que planejar antes.''

Porque os postos têm um horário limitado, muitos usuários de biodiesel enchem os tanques e também um ou mais galões de 5 galões, que podem ser armazenados no porta-malas ou guardados na garagem. Embora esse processo possa ser perigoso, o biodiesel está seguro, porque ele queima a uma temperatura muito mais alta.

E mesmo que alguns usuários não gostem de usar diesel de petróleo, os combustíveis podem ser misturados ou usados intercaladamente. Muitos usuários de biodiesel enchem seus tanques com misturas — B-20, uma mistura que contém 20%, de biodiesel é comum.

Abastecer com biodiesel também pode ser mais caro, dependendo de preços e da eficiência energética de um veículo, embora muitos experts acreditem que o preço cairá com o uso mais difundido do combustível. No Biofuel Oasis (um dos postos que comercializa biodiesel), a provisão atual de biodiesel B-99, feito de óleo de soja reaproveitado de uma fábrica de batata frita, é vendido a US$ 3,65 o galão. Gasolina é vendida ao redor de US$ 2,79 o galão e diesel de petróleo a aproximadamente US$ 3,01 o galão. Porém, carros movidos a diesel — inclusive biodiesel — podem fazer 40 a 50 milhas por galão (64 a 80 km).

Muitos usuários de biodiesel dizem que eles se preocupam menos com o custo e mais em diminuir a dependência dos EUA em petróleo e combater a mudança climática. Os adesivos de pára-choque refletem essas opiniões. "Biodiesel — não requer nenhuma guerra" diz um em um carro esperando para abastecer no Biodiesel Oasis. "Este carro é movido a óleo vegetal", diz outro.

Jennifer Radtke, um das cinco mulheres proprietárias do Biofuel Oasis, acha que a preocupação crescente com a mudança climática e a provisão de óleo diminuindo está guiando a popularidade de combustíveis alternativos.

"Muitos de nossos clientes mudaram para o biodiesel por causa da guerra”, disse ela. "Isso é provavelmente comum na Área da Baía, mas pelo país, é provavelmente por causa da preocupação com mudança climática e energia renovável. E isso é muito legal. ''

Mesmo assim, o biodiesel enfrenta sérios obstáculos antes de se tornar o combustível do futuro.

Produção Sustentável

Um desafio atual é disponibilidade. O interesse em biodiesel pode estar subindo, mas até agora a produção local não está. Apenas uma empresa fabrica biodiesel na Área da Baía, de acordo com a National Biodiesel Board, mas duas plantas na Área da Baía estão em construção e espera-se que produzam o combustível ainda este ano.
Yokayo Biofuels, de Ukiah (Mendocino), produz biodiesel de óleos vegetais descartados há cinco anos. A companhia começou a produzir bastante para atender o Biofuel Oasis, além de três estações em Mendocino recentemente.

Kumar Plocher, presidente e fundador da Yokayo, disse que, embora o processo de fazer biodiesel seja relativamente simples, pode ser difícil produzir combustível de alta qualidade eficaz e constantemente. Algumas empresas, ele disse, investiram em equipamento topo de linha e contrataram especialistas da indústria de petróleo e química, mas ainda não produzem e distribuem o combustível.

A Yokayo cresceu lentamente e aprendeu no caminho, ele disse. A companhia ainda é uma pequena produtora, ele disse, produzindo aproximadamente 15.000 galões por mês.

"O biodiesel tem muitas pequenas nuances interessantes que você precisa conhecer", disse ele. "É sua própria besta, sua própria molécula.''

Assim como o petróleo, o biodiesel pode ter seus limites por causa das fontes dos óleos vegetais usados para produzir o combustível.

"As pessoas agora estão realmente entusiasmadas com os biocombustíveis", disse Plocher. "Mas não há muito conhecimento sobre eles. Por exemplo, a questão da sustentabilidade."

Muito do biodiesel da Área da Baía é produzido de óleo vegetal usado, que vem de restaurantes. Embora essa provisão agora seja abundante, não será sempre assim, especialmente se o uso de biodiesel e hábitos alimentares mais saudáveis se tornarem mais populares.

"É extremamente atraente e com bom custo-benefício, mas ainda é muito limitado", disse Severin Borenstein, chefe do Instituto de Energia da Universidade Berkeley.
 
A maior parte do biodiesel produzido e usado nos EUA é feito de soja, que rende 50 galões de biodiesel por acre, disse Plocher. Sementes de girassol podem produzir até 100 galões por acre e colza até 150 galões por acre.

A enorme quantia de terra exigida para produzir óleo de biodiesel poderia deixar de fora as plantações de alimentos. Atentos a essa preocupação, alguns produtores de biodiesel começaram a importar óleo de palma dos trópicos. Mas a popularidade crescente e a produção de óleo de palma para biodiesel causaram a destruição de florestas tropicais na Malásia e Indonésia, de acordo com grupos ambientais, incluindo Friends of the Earth.

Pesquisadores estão procurando fontes de biocombustível mais produtivas e sustentáveis —inclusive algas. Eles estão focando principalmente em quatro tipos de algas com alto teor de óleo — diatomáceas, algas verdes, algas azul-verdes e algas douradas — elas poderiam ser cultivadas em fazendas ou lagoas. O óleo poderia ser extraído usando-se solventes químicos, enzimas, prensa, choque osmótico ou ondas de choque ultra-sônicas.
 
Mas qualquer que seja seu futuro, o biodiesel já gerou uma legião de fãs leais, que dizem que eles não voltarão para o diesel de petróleo.

"É bom viver sua própria ética", disse McNees depois de encher o tanque no Biofuel Oasis. "É um pouco complicado, mas saber que eu não estou aumentando o problema é que conta.''

Vida nova para gordura

O óleo de fritura usado é uma fonte de óleo vegetal para produzir biodiesel. Um método comum chamado transesterificação quebra o óleo de cozinha, resultando em dois valiosos produtos: glicerina, um aditivo para sabões, e ésteres metílicos, o nome químico do biodiesel que pode abastecer um motor diesel.

1. PREPARAÇÃO
— Óleo vegetal é introduzido num processador
— Óleo é aquecido a 120° Fahrenheit (48,8° C)
— Nível de acidez é conferido

2. REATOR

— Lixívia (base alcalina) e metanol (álcool) são misturados em um recipiente separado
— Solução é misturada com óleo

3. FIXAÇÃO

— Óleo é separado da glicerina e biodiesel não lavado
— Glicerina é removida

4. LAVAGEM

— Biodiesel é lavado com água

5. PURIFICAÇÃO

— Óleo é separado de água
— Água é removida
— Biodiesel processado transferido a recipiente de armazenamento

6. DISTRIBUIÇÃO

— Biodiesel é secado ou decantado
— Pronto por abastecer

Fonte: National Biodiesel Board

Michael Cabanatuan
San Francisco Chronicle
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