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Estudo aposta no biodiesel paraense

Agrônomo alemão mostra viabilidade da região oeste para o combustível.
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Agrônomo alemão mostra viabilidade da região oeste para o combustível.

Para apontar as espécies mais propícias para a região Oeste do Pará, partimos de dois critérios: o primeiro é o das...

O engenheiro agrônomo Nils Berger, 35 anos, natural de Berlim, Alemanha, professor da Universidade Luterana no Brasil (Ulbra), em Santarém, doutorado em agronomia e agroecologia, coordenou um estudo que mostra o talento natural da região oeste do Pará para o biodiesel, gerando milhares de empregos. O estudo foi realizado mais exatamente nos municípios de Santarém e Belterra, e em zonas de amostra ao longo da rodovia Transamazônica (BR-230), nos municípios de Uruará, Placas e Rurópolis. Abaixo, o estudioso dá detalhes dos resultados de seu estudo, em entrevista exclusiva a O LIBERAL.

Qual o estudo que a Ulbra fez tendo o biodiesel como objeto?
Em 2004, o governo federal lançou edital através do Conselho Nacional de Pesquisas e Desenvolvimento Tecnológico (CNPq), órgão vinculado ao Ministério de Ciências e Tecnologia (MCT). O objetivo do edital era encontrar a matriz energética mais apropriada para a região Oeste do Pará. A Ulbra concorreu e foi contemplada para fazer o estudo de levantamento, que se iniciou em janeiro de 2005 e foi encerrado em dezembro de 2006. O relatório ainda está sendo finalizado.

Quais as plantas oleaginosas mais adequadas para a região de abrangência de Santarém?
Para apontar as espécies mais propícias para a região Oeste do Pará, partimos de dois critérios: o primeiro é o das espécies nativas e o segundo é o de melhor distribuição das plantas pela região. Com isso chegamos a três espécies principais: o patuá, cujo teor de óleo é de 70%; o babaçu, com teor de 60%; e o coco curuá, com teor de 50%. É importante fazer a observação de que todas estas percentagens são aproximadas, pois no caso do patuá a literatura prevê que, com a utilização de técnicas especiais, seu teor pode chegar até a 95%. Mas este grau de aproveitamento não foi comprovado pelos testes que fizemos, por isso preferimos trabalhar com um número mais conservador. Dessas três espécies, o patuá é o que se encontra de maneira mais dispersa na região, o que dificulta até certo ponto seu transporte até a usina de beneficiamento.

Como fica a participação da soja e do girassol para extração do biodiesel?
Este é um ponto interessante. Durante o ano existe um período em que fica ociosa a produção das três espécies mencionadas. Por isso recomendamos que neste período a usina seja abastecida pela produção de outras culturas, como a soja e/ou o girassol.

Já podemos concluir pela viabilidade do biodiesel na região?
Sim! Mesmo com todas as precariedades de infra-estrutura que acometem a região, que dificultam sobremaneira o transporte da produção até a usina, podemos concluir, sim, pela viabilidade do biodiesel na região, apenas destacando que é necessário praticar um preço justo para estimular a monocultura ou extrativismo extração rudimentar do biodiesel.

Qual seria o local mais indicado na região para a construção da usina?
Acredito que é o município de Belterra, às margens da rodovia Santarém-Cuiabá (BR-163), por ser um local bem centralizado geograficamente. É preciso ressaltar que esta usina deve trabalhar todas as etapas de processamento do biodiesel, pois muito emprego será gerado se a região se transformar num pólo industrial.

Em quantas etapas ocorre o processo de beneficiamento do biodiesel?
De modo sucinto, podemos dizer que duas etapas são necessárias: a primeira é a de extrair o óleo vegetal das espécies cultivadas; e a segunda é a de transformar o óleo vegetal no biodiesel propriamente dito. Mas hoje sabemos que somente a produção do biodiesel não garante um custo-benefício vantajoso para o produtor rural. Por isso precisamos chegar a uma terceira etapa, que é a de dar um destino para dois resíduos do processamento. O mais importante deles é a glicerina, que poderá ser aproveitada subsidiariamente em fábricas de sabão ou vendida para indústrias de cosméticos. O outro é o resíduo sólido, que pode ser utilizado para alimentação do gado bovino, como volumoso.

O biodiesel poderá ser trabalhado indistintamente na agricultura familiar e no agronegócio?

O biodiesel será o grande ponto de convergência entre ambos os lados. Digo isso porque os tradicionais sojeicultores já esboçaram forte interesse pela produção do biocombustível, inclusive propondo a instalação com recursos próprios da usina, que apresenta custo elevado. Esta proposta deve ser analisada com atenção, porque os pequenos nunca vão sair perdendo, caso o governo dê sua contrapartida. Todos nós sabemos que os pequenos proprietários acompanham os ciclos econômicos e ficam em situação de quase abandono quando passa a efervescência produtiva. Mas com o biodiesel este risco é mínimo, por dois motivos: primeiro, é o governo que está estimulando e fomentando a produção do biodiesel, em todas as regiões do Brasil; segundo, sabemos que o provimento de energia oriundas de combustíveis fósseis está em escassez crescente, o que abre mercado para os recursos naturais renováveis. Diferente de outros ciclos, o biodiesel não é uma febre 'que logo vai passar'.

Mário Barbosa e Alailson Muniz
Agência Amazônia
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