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Empresa européia de biodiesel em processo de falência

As ações da companhia caíram 42%. A partir de agosto, a companhia estará fora do Mercado de Investimento Alternativo.

 

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As ações da companhia caíram 42%. A partir de agosto, a companhia estará fora do Mercado de Investimento Alternativo.

Por que o colapso? A empresa cometeu alguns enganos...

Quando o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair inaugurou oficialmente a planta de biodiesel Biofuels Corp. no nordeste da Inglaterra, exatamente há um ano, ele disse: "Existe um grande debate sobre se a energia devia ser renovável, nuclear ou outra, mas a realidade é que nós teremos que contar com todas as possibilidades que nós tivermos."

Estas palavras não foram exatamente um endosso à energia alternativa, e, um ano depois, as possibilidades para a Biofuels pareciam claramente acabadas.

A companhia disse na semana passada — um dia antes de Tony Blair deixar seu posto – que ela encarou uma bancarrota "inevitável" sem uma volumosa revisão financeira. Então, em troca de um perdão de dívidas de 40 milhões de libras esterlinas (80 milhões de dólares), 94% de capital do Biofuels foi transferido para o Barclays Bank, deixando acionistas com apenas uma parte de 6%. Não que o negócio confortará alguém: os recursos fixos da Biofuels eram estimados em 34,4 milhões de libras ($68 milhões de dólares) no último mês; mesmo levando em conta o alívio da dívida, este número passa longe dos 65 milhões de libras (130 milhões de dólares) em dívidas.

As ações da companhia caíram 42% no noticiário. A partir de agosto, a companhia estará fora do Mercado de Investimento Alternativo.

Então por que o colapso? A Biofuels cometeu alguns enganos -- perdendo 50 milhões de libras (100 milhões de dólares) em contratos de hedge, por exemplo -- mas seus problemas-chave provêem de sua planta de biodiesel. O projeto muito alardeado, que custou mais de 28 milhões de libras (56 milhões de dólares) para construir e ficou 15 milhões de libras (30 milhões de dólares) acima do orçamento, foi um trabalho arruinado. A Biofuels contratou a companhia austríaca Energea para construí-lo, e a firma usou um projeto que era cinco vezes maior que qualquer coisa feita anteriormente. O resultado foi uma planta não confiável e cara que tem funcionado a 25% de sua capacidade desde janeiro. Sua produção máxima devia ter sido 250.000 toneladas métricas por ano, mas está atualmente em 62.500 toneladas métricas.

A história passa para o centro contraditório da economia do biocombustível. A planta da Biofuels misturava óleo de soja, colza e de palma com diesel, mas os altos preços do óleo vegetal e o baixo preço do diesel -- apesar dos crescentes preços do petróleo –significam que ela falhou em obter lucro. Eis como essa idéia aparentemente paradoxal funcionou. Os subsídios dos Estados Unidos permitiram aos exportadores americanos de biodiesel suplantar seus rivais europeus em 25%, um problema exacerbado pela valorização da libra esterlina em relação ao dólar. Embora o EBB (European Biodiesel Board) tenha feito lobby intensamente neste ano para ver o subsídio revogado, seus esforços chegaram muito tarde para a Biofuels Corp. O biodiesel, em outras palavras, se tornou desvantajoso.

Considere a rota escolhida pela BP, DuPont e Associated British Foods, que também fizeram seus próprios anúncios na terça-feira: uma planta de bioetanol de 400 milhões na Inglaterra, usando trigo. O preço menos volátil do trigo será impulsionado por "parcerias estratégicas" com comerciantes de grãos para aproveitar estoques de trigo cultivado localmente. Embora os preços do trigo estivessem na maior alta em 11 anos no começo deste mês diante de temores de escassez, atingindo mais de US$6 o bushel, a Inglaterra tem um excesso de 3 a 4 milhões de toneladas de trigo que é normalmente exportado.

Mas os preços só contam metade da história. Da mesma maneira que a fortuna da Biofuels parece trabalhar em conjunto com as classes políticas, assim o faz a maior parte do setor de energia alternativa. A BP e seus parceiros mostrarão que, em um regime de metas e cotas do governo, os custos do capital ditarão o quão lucrativa a indústria pode ser.

A União Européia fixou metas de consumo de biocombustíveis para veículos de seus estados-membros de até 5,75% em 2010, permitindo diferentes métodos nacionais de se alcançar esses objetivos. Todos os grandes países europeus estabeleceram suas próprias cotas nacionais compulsórias para biocombustíveis, e grandes investimentos as atingirão rapidamente. A Inglaterra obriga um nível de 5% de biocombustíveis até abril de 2010, e a retirada paulatina de isenção de impostos vai eliminar pequenos investidores como a Biofuels e levar ao domínio da BP e seus parceiros.

Lionel Laurent

Forbes.com
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