Empresa acaba de fechar negócio para fornecer três fábricas de produção
de biodiesel.
O incremento de alguns setores da economia brasileira tem impulsionado expressivamente nos últimos anos o faturamento da Dedini Indústrias de Base.
Janeiro já começou quente. A Dedini acaba de...
Empresa acaba de fechar negócio para fornecer três fábricas de produção de biodiesel. O incremento de alguns setores da economia brasileira tem impulsionado expressivamente nos últimos anos o faturamento da Dedini Indústrias de Base, uma das principais fabricantes brasileiras de bens de capital. As receitas previstas para 2007 chegam a R$ 1,8 bilhão, 70% superiores em comparação aos R$ 1,06 bilhão do ano passado. Em 2005, ficaram em torno de R$ 600 milhões e cinco anos antes em R$ 150 milhões. "Começamos 2007 já com uma carteira de R$ 1,1 bilhão em vendas. O restante estimado virá das vendas que vamos gerar no decorrer do ano", disse o vice-presidente de operações da empresa, José Luiz Olivério.
Janeiro já começou quente, afirmou. A Dedini acaba de fechar negócio para fornecer três fábricas de produção de biodiesel. Olivério, por motivos contratuais, não pode revelar maiores detalhes, mas informou que as unidades foram encomendadas por um único investidor. "É um marco um investidor contratar três plantas." As fábricas serão erguidas em cidades diferentes, as montagens vão começar quase que simultaneamente neste início de ano, e as datas de entrada em operação serão parecidas, disse. Uma unidade de porte leva de nove a 14 meses para entrar em funcionamento.
O valor do negócio também é mantido em sigilo. Mas o investimento em uma unidade produtiva de biodiesel pode variar de R$ 25 milhões a R$ 40 milhões, dependendo da tecnologia aplicada e da capacidade instalada. Uma usina de grande porte tem preço médio de R$ 35 milhões. Essa área de negócio, assim como esse próprio mercado, é relativamente nova dentro da empresa, que tem mais de 85 anos de história, e ainda representa pouco do seu faturamento, em torno de 8% a 12%.
O maior volume de vendas vem de áreas de forte presença da Dedini, como fornecimento de usinas e equipamentos para o setor de álcool e açúcar, no qual a companhia afirma ser a maior do mercado brasileiro; tratamento de efluentes líquidos; papel e celulose; e bebidas, particularmente cervejarias, explicou Olivério. "São áreas que têm tido forte demanda nos últimos anos."
O desenvolvimento do setor de biodiesel é uma grande aposta da empresa e o executivo acredita que a participação da área, que ajudou no impulso das vendas nos últimos anos, no faturamento da Dedini poderá crescer bastante. O crescimento, entretanto, poderá estar condicionado às regras do uso do produto no Brasil. Uma antecipação do programa atual e novas medidas traçadas pelo governo que permitam a expansão da utilização do biodiesel e desenhem um cenário de longo prazo para o setor seriam o ideal, disse Olivério, observando que a sociedade já pede uma antecipação para 2010 da mistura obrigatória de 5% de biodiesel (cerca de 2,4 bilhões de litros do produto por ano) no combustível. O prazo previsto é 2013.
"Pela velocidade como está o programa ele deveria sofrer um avanço. A Dedini considera que 2009 seria o ideal. Nesse ano, O Brasil terá capacidade para atender de 6,5% a 7% de mistura." Até 2009, Olivério acredita que serão 30 fábricas em funcionamento. "Grandes, não estão contabilizadas aí as inúmeras usinas de pequeno porte." Mesmo sem regras definidas, existe uma previsão para uma mistura de 20% de biodiesel (12 bilhões de litros por ano) para 2020, data que deveria ser antecipada para 2016, avalia. "Contudo, esse cenário ainda precisa ser definido pelo governo."
Líder no mercado de fornecimento de unidades de grande porte - ela não mais constrói e equipa pequenas unidades -, com tecnologia contínua e totalmente operada por computadores, a Dedini já montou oito fábricas de biodiesel no Brasil, de 2004 para cá, quando entrou no segmento. "Fazemos tudo, entregamos a chave na mão."
Olivério observou que as unidades feitas pela empresa representam em torno de 35% das fábricas de biodiesel do Brasil - cerca de 20 no total e que demandaram investimentos de aproximadamente R$ 800 milhões. Do total da capacidade instalada de produção, ela tem 40%, afirmou. Atualmente, a companhia tem em consulta em torno de 60 projetos para o setor e Olivério prevê que pelo menos dez deles devem se transformar em unidades produtivas. "Dez são quentes e todos devem ser contratados este ano."
Das usinas já fornecidas pela companhia apenas uma é pequena, lembrou Olivério. Foi a primeira e ficou pronta antes mesmo do programa nacional de biodiesel. Trata-se da unidade da Agropalma, em Belém, entregue em abril de 2004. O programa é de dezembro do mesmo ano. "Foi o primeiro conceito. É uma fábrica relativamente pequena, mas de grande importância por usar um processo inédito de produção, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que gerou patente."
Depois desse projeto, a Dedini se dedicou a montar unidades com processo produtivo contínuo, mais indicado para as operações de maior porte, e fechou parceria com a italiana Desmet Ballestra de transferência de tecnologia por meio de pagamento de royalties a fim de atender a demanda brasileira. A tecnologia permite também a utilização do etanol na produção do biodiesel, o que gera um produto 100% verde, observou Olivério.
Nos últimos quatro anos, a Dedini investiu R$ 120 milhões em suas fábricas, o que garante à empresa capacidade para atender as novas demandas. "Utilizamos cerca de 65% da capacidade."
Iolanda Nascimento
Gazeta Mercantil
O incremento de alguns setores da economia brasileira tem impulsionado expressivamente nos últimos anos o faturamento da Dedini Indústrias de Base.
Janeiro já começou quente. A Dedini acaba de...
Empresa acaba de fechar negócio para fornecer três fábricas de produção de biodiesel. O incremento de alguns setores da economia brasileira tem impulsionado expressivamente nos últimos anos o faturamento da Dedini Indústrias de Base, uma das principais fabricantes brasileiras de bens de capital. As receitas previstas para 2007 chegam a R$ 1,8 bilhão, 70% superiores em comparação aos R$ 1,06 bilhão do ano passado. Em 2005, ficaram em torno de R$ 600 milhões e cinco anos antes em R$ 150 milhões. "Começamos 2007 já com uma carteira de R$ 1,1 bilhão em vendas. O restante estimado virá das vendas que vamos gerar no decorrer do ano", disse o vice-presidente de operações da empresa, José Luiz Olivério.
Janeiro já começou quente, afirmou. A Dedini acaba de fechar negócio para fornecer três fábricas de produção de biodiesel. Olivério, por motivos contratuais, não pode revelar maiores detalhes, mas informou que as unidades foram encomendadas por um único investidor. "É um marco um investidor contratar três plantas." As fábricas serão erguidas em cidades diferentes, as montagens vão começar quase que simultaneamente neste início de ano, e as datas de entrada em operação serão parecidas, disse. Uma unidade de porte leva de nove a 14 meses para entrar em funcionamento.
O valor do negócio também é mantido em sigilo. Mas o investimento em uma unidade produtiva de biodiesel pode variar de R$ 25 milhões a R$ 40 milhões, dependendo da tecnologia aplicada e da capacidade instalada. Uma usina de grande porte tem preço médio de R$ 35 milhões. Essa área de negócio, assim como esse próprio mercado, é relativamente nova dentro da empresa, que tem mais de 85 anos de história, e ainda representa pouco do seu faturamento, em torno de 8% a 12%.
O maior volume de vendas vem de áreas de forte presença da Dedini, como fornecimento de usinas e equipamentos para o setor de álcool e açúcar, no qual a companhia afirma ser a maior do mercado brasileiro; tratamento de efluentes líquidos; papel e celulose; e bebidas, particularmente cervejarias, explicou Olivério. "São áreas que têm tido forte demanda nos últimos anos."
O desenvolvimento do setor de biodiesel é uma grande aposta da empresa e o executivo acredita que a participação da área, que ajudou no impulso das vendas nos últimos anos, no faturamento da Dedini poderá crescer bastante. O crescimento, entretanto, poderá estar condicionado às regras do uso do produto no Brasil. Uma antecipação do programa atual e novas medidas traçadas pelo governo que permitam a expansão da utilização do biodiesel e desenhem um cenário de longo prazo para o setor seriam o ideal, disse Olivério, observando que a sociedade já pede uma antecipação para 2010 da mistura obrigatória de 5% de biodiesel (cerca de 2,4 bilhões de litros do produto por ano) no combustível. O prazo previsto é 2013.
"Pela velocidade como está o programa ele deveria sofrer um avanço. A Dedini considera que 2009 seria o ideal. Nesse ano, O Brasil terá capacidade para atender de 6,5% a 7% de mistura." Até 2009, Olivério acredita que serão 30 fábricas em funcionamento. "Grandes, não estão contabilizadas aí as inúmeras usinas de pequeno porte." Mesmo sem regras definidas, existe uma previsão para uma mistura de 20% de biodiesel (12 bilhões de litros por ano) para 2020, data que deveria ser antecipada para 2016, avalia. "Contudo, esse cenário ainda precisa ser definido pelo governo."
Líder no mercado de fornecimento de unidades de grande porte - ela não mais constrói e equipa pequenas unidades -, com tecnologia contínua e totalmente operada por computadores, a Dedini já montou oito fábricas de biodiesel no Brasil, de 2004 para cá, quando entrou no segmento. "Fazemos tudo, entregamos a chave na mão."
Olivério observou que as unidades feitas pela empresa representam em torno de 35% das fábricas de biodiesel do Brasil - cerca de 20 no total e que demandaram investimentos de aproximadamente R$ 800 milhões. Do total da capacidade instalada de produção, ela tem 40%, afirmou. Atualmente, a companhia tem em consulta em torno de 60 projetos para o setor e Olivério prevê que pelo menos dez deles devem se transformar em unidades produtivas. "Dez são quentes e todos devem ser contratados este ano."
Das usinas já fornecidas pela companhia apenas uma é pequena, lembrou Olivério. Foi a primeira e ficou pronta antes mesmo do programa nacional de biodiesel. Trata-se da unidade da Agropalma, em Belém, entregue em abril de 2004. O programa é de dezembro do mesmo ano. "Foi o primeiro conceito. É uma fábrica relativamente pequena, mas de grande importância por usar um processo inédito de produção, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, que gerou patente."
Depois desse projeto, a Dedini se dedicou a montar unidades com processo produtivo contínuo, mais indicado para as operações de maior porte, e fechou parceria com a italiana Desmet Ballestra de transferência de tecnologia por meio de pagamento de royalties a fim de atender a demanda brasileira. A tecnologia permite também a utilização do etanol na produção do biodiesel, o que gera um produto 100% verde, observou Olivério.
Nos últimos quatro anos, a Dedini investiu R$ 120 milhões em suas fábricas, o que garante à empresa capacidade para atender as novas demandas. "Utilizamos cerca de 65% da capacidade."
Iolanda Nascimento
Gazeta Mercantil