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Começou a corrida do pinhão-manso

Com a notícia da liberação do cultivo comercial da Jatropha curcas L. – publicada ontem em primeira mão pela BiodieselBR.com – a expectativa entre usinas de biodiesel e produtores da oleaginosa é a expansão acelerada das plantações já em 2008.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Com a notícia da liberação do cultivo comercial da Jatropha curcas L. – publicada ontem em primeira mão pela BiodieselBR.com – a expectativa entre usinas de biodiesel e produtores da oleaginosa é a expansão acelerada das plantações já em 2008.

 Com a notícia da liberação do cultivo comercial da Jatropha curcas L. – publicada ontem em primeira mão pela BiodieselBR.com – a expectativa entre usinas de biodiesel e produtores da oleaginosa é a expansão acelerada das plantações já em 2008.

“A regularização deve desencadear inúmeros plantios pelo Brasil”, aposta Maurício Möller, diretor do Grupo Rural, que comercializa sementes. “A previsão de projetos que estão no papel é de 1 milhão de hectares. O que estava segurando esses planos era a proibição do Ministério da Agricultura”, afirma.   

Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Pinhão-Manso (ABPPM), a área plantada com pinhão-manso no país é hoje de 20 mil hectares. “Para dezembro estamos esperando 50 mil hectares”, diz o presidente da ABPPM, Mike Lu. “Muita gente queria plantar em 2007 e acabou adiando.”

A julgar pelos projetos já anunciados no Brasil, no prazo de três anos a área plantada deve beirar os 600 mil hectares, equivalente ao que hoje teria a Índia, segundo cálculos do governo daquele país. A meta mais ambiciosa é da multinacional espanhola CIE Automotive: 500 mil hectares.
 

 “A previsão de projetos que estão no papel é de 1 milhão de hectares. O que estava segurando esses planos era a proibição do Ministério da Agricultura”


A empresa, que em 2006 assumiu o controle acionário da maior indústria de biodiesel da Espanha, anunciou em novembro a formação de uma joint-venture com a NNE Minas Agro Florestal, de Janaúba (MG). O investimento inicial previsto foi estimado em 3,7 milhões de euros (cerca de R$ 9,4 milhões).

Segundo Nagashi Tominaga, sócio da NNE, até 2010 serão plantados em Janaúba 100 hectares, 50 deles ao longo de 2008 e os outros 50 no ano que vem, já com sementes selecionadas junto com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que usa a plantação de Tominaga para experimentos com o pinhão-manso.

“Mas o primeiro passo agora é oficializar a plantação como campo de produção de sementes junto ao Ministério da Agricultura”, afirma. “Depois vamos partir para os trabalhos de melhoramento genético.”

Entre as empresas nacionais, a Biotins Energia é uma das que planejam uma das maiores plantações – 50 mil hectares até 2010. Dona de uma usina com capacidade de produção de 8 milhões de litros por ano em Paraíso do Tocantins (TO), a empresa fechou 2007 com 4 mil hectares plantados, quer plantar 15 mil neste ano e o restante no ano que vem.

“Poderíamos ter uma área muito maior”, avalia Eduardo Bundyra, diretor da Biotins. “Esse problema da liberação atrapalhou muito porque nossa demanda era grande e muitos agricultores ficaram com receio”, afirma.

Mesmo assim, a empresa conseguiu fechar 350 contratos com agricultores familiares, que já plantaram mil hectares. Bundyra espera que, em quatro anos, o pinhão-manso seja a única matéria-prima utilizada pela usina.

Resta saber agora se haverá sementes para atender a todos os interessados na oleaginosa. Segundo Maurício Möller, do Grupo Rural, para 2008 haveria de 200 a 300 toneladas de sementes disponíveis no país, o suficiente para 150 mil hectares.

“Mas a produção aumenta muito rápido. Com 60 hectares você consegue semente para aproximadamente 600 hectares no primeiro ano. A partir do segundo ano já produz bem mais”, diz Möller.
 

"A produção aumenta muito rápido. Com 60 hectares você consegue semente para aproximadamente 600 hectares no primeiro ano."


Para Eduardo Bundyra, da Biotins, é até possível que agora haja pouca semente para muita demanda, mas a procura maior pode acontecer em dois anos. “Talvez ainda tenha muita gente esperando os resultados desses primeiros cultivos”, pondera.

“A coisa vai tomar uma velocidade impressionante”, diz Mike Lu, da ABPPM, sobre a expansão do cultivo. “Mas com esse volume de plantio que já temos acho que vai ter bastante semente para atender todo mundo”, espera.

Raquel Marçal
BiodieselBR.com
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