A disponibilidade e o domínio de tecnologias para a exploração e o uso
de fontes energéticas estão diretamente relacionados ao avanço
sócio-econômico das civilizações. As fontes fósseis de energia, desde a
revolução industrial, têm sido o carro-chefe para a geração energética
global.
...de acordo com a legislação, será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel, a partir de 2008, o que requer a produção de 800 milhões de litros deste combustível por ano. Entretanto, apesar da euforia vivida pelo setor, alguns problemas se apresentam:
A disponibilidade e o domínio de tecnologias para a exploração e o uso de fontes energéticas estão diretamente relacionados ao avanço sócio-econômico das civilizações. As fontes fósseis de energia, desde a revolução industrial, têm sido o carro-chefe para a geração energética global. Se a revolução industrial ficou marcada pelo uso do carvão mineral, atualmente é o petróleo que mais se destaca. Houve também, nos últimos 150 anos, alteração no perfil de uso deste combustível, onde o setor de transportes passou a ocupar lugar de destaque. A partir dos anos 1970, vivemos diversas crises no abastecimento de petróleo, seja por razões de instabilidade política nas regiões produtoras, ou pela expectativa de escassez do produto. O Brasil, desde então, ocupa a vanguarda na produção e uso de etanol. Objetivando estudos no sentido de avaliar a oportunidade de introduzir o biodiesel na matriz energética nacional, o Governo Federal criou, em 2003, um Comitê Interministerial, que propôs e aprovou a criação do Programa Brasileiro de Biodiesel, envolvendo 14 ministérios, sob a coordenação da Casa Civil. A partir daí, foram estabelecidos os marcos regulatórios para a produção, armazenamento, comercialização e uso do biodiesel no país, destacando-se a Lei 11.116 (Maio 2005), o Decreto 5297 (Dez. 2004), e a lei 11097 (Jan. 2005). De acordo com a legislação, será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao óleo Diesel, a partir de 2008, o que requer a produção de 800 milhões de litros deste combustível por ano. Entretanto, apesar da euforia vivida pelo setor, alguns problemas se apresentam:
1. A falta de tecnologias apropriadas para a produção de biodiesel a partir de reações de transesterificação tendo o ETANOL como agente transesterificante (é sintomático o fato de que, dos 850 milhões de litros comercializados até o momento, não haja sequer um litro de biodiesel etílico). Deve-se ressaltar, no entanto, que pesquisadores da UFMT desenvolveram uma tecnologia para a produção de biodiesel ETÍLICO, através de reação de transesterificação, com catálise ácida e induzida por microondas. Tal tecnologia, além de permitir a produção de biodiesel a partir de gordura animal ou vegetal e etanol, dispensa o uso de matéria prima purificada (óleo degomado) e álcool anidro, além de fornecer o biodiesel com altos rendimentos. No momento, este processo está em fase de patenteamento no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.
2. O Governo Federal intenta que se produza biodiesel a partir de várias oleaginosas. Se isto é bom sob o ponto de vista da inclusão social e da superação das desigualdades regionais, é preocupante sob o ponto de vista tecnológico, tendo em vista que temos amplo domínio de poucas cadeias produtivas, como é o caso da soja. Assim, são necessários estudos agronômicos, de melhoramento genético, de resistência a pragas e etc. em todas as principais oleaginosas com potencial para a produção de biodiesel;
3. Há também grande preocupação com relação aos co-produtos. Por exemplo, o que fazer para que o grande excedente de glicerina que será produzido não se torne um passivo ambiental por falta de mercado? Como melhor aproveitar as tortas de esmagamento?
4. E com relação à estabilidade dos diferentes tipos de biodiesel em nosso clima quente e úmido? Quanto tempo resistirão ao armazenamento?
5. Os métodos de controle de qualidade são adequados? E os seus custos, não temos como reduzi-los? E o desempenho dos motores?
Estas são apenas algumas perguntas que carecem de resposta adequada. Até mesmo sob o ponto de vista de produção de etanol, apesar do grande progresso que já foi feito nestes últimos 30 anos, muito ainda há de ser feito, para que o país não perca a liderança e nem a competitividade no setor.
Mato Grosso tem se destacado como futuro grande produtor de biocombustívieis. Além das destilarias de etanol sendo implantadas e expandidas no estado, há também, segundo dados da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (SICME), a perspectiva de produção, já a partir de 2007, de 834 milhões de litros de biodiesel por ano.
Visando contribuir com o desenvolvimento do setor, a UFMT está implantando o Centro de Estudos em Biocombustíveis (CIEB), que deverá trabalhar para o aprimoramento das tecnologias de produção e monitoramento de biocombustíveis, considerando todos os aspectos das cadeias produtivas, além de formar recursos humanos para a pesquisa e para o atendimento ao setor produtivo. A iniciativa já conta com integral apoio da Assembléia Legislativa, do Governo do Estado, de empresários ligados ao setor e de membros da bancada parlamentar de MT no congresso nacional. O projeto está em análise pelo Governo Federal: é importante que nos mobilizemos em sua defesa!
Paulo Teixeira de Sousa Jr é Pró-Reitor de Pesquisas da UFMT. Coordenador do Laboratório de Pesquisas em Química de Produtos Naturais.
Fonte: Estação Vida
...de acordo com a legislação, será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel, a partir de 2008, o que requer a produção de 800 milhões de litros deste combustível por ano. Entretanto, apesar da euforia vivida pelo setor, alguns problemas se apresentam:
A disponibilidade e o domínio de tecnologias para a exploração e o uso de fontes energéticas estão diretamente relacionados ao avanço sócio-econômico das civilizações. As fontes fósseis de energia, desde a revolução industrial, têm sido o carro-chefe para a geração energética global. Se a revolução industrial ficou marcada pelo uso do carvão mineral, atualmente é o petróleo que mais se destaca. Houve também, nos últimos 150 anos, alteração no perfil de uso deste combustível, onde o setor de transportes passou a ocupar lugar de destaque. A partir dos anos 1970, vivemos diversas crises no abastecimento de petróleo, seja por razões de instabilidade política nas regiões produtoras, ou pela expectativa de escassez do produto. O Brasil, desde então, ocupa a vanguarda na produção e uso de etanol. Objetivando estudos no sentido de avaliar a oportunidade de introduzir o biodiesel na matriz energética nacional, o Governo Federal criou, em 2003, um Comitê Interministerial, que propôs e aprovou a criação do Programa Brasileiro de Biodiesel, envolvendo 14 ministérios, sob a coordenação da Casa Civil. A partir daí, foram estabelecidos os marcos regulatórios para a produção, armazenamento, comercialização e uso do biodiesel no país, destacando-se a Lei 11.116 (Maio 2005), o Decreto 5297 (Dez. 2004), e a lei 11097 (Jan. 2005). De acordo com a legislação, será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao óleo Diesel, a partir de 2008, o que requer a produção de 800 milhões de litros deste combustível por ano. Entretanto, apesar da euforia vivida pelo setor, alguns problemas se apresentam:
1. A falta de tecnologias apropriadas para a produção de biodiesel a partir de reações de transesterificação tendo o ETANOL como agente transesterificante (é sintomático o fato de que, dos 850 milhões de litros comercializados até o momento, não haja sequer um litro de biodiesel etílico). Deve-se ressaltar, no entanto, que pesquisadores da UFMT desenvolveram uma tecnologia para a produção de biodiesel ETÍLICO, através de reação de transesterificação, com catálise ácida e induzida por microondas. Tal tecnologia, além de permitir a produção de biodiesel a partir de gordura animal ou vegetal e etanol, dispensa o uso de matéria prima purificada (óleo degomado) e álcool anidro, além de fornecer o biodiesel com altos rendimentos. No momento, este processo está em fase de patenteamento no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.
2. O Governo Federal intenta que se produza biodiesel a partir de várias oleaginosas. Se isto é bom sob o ponto de vista da inclusão social e da superação das desigualdades regionais, é preocupante sob o ponto de vista tecnológico, tendo em vista que temos amplo domínio de poucas cadeias produtivas, como é o caso da soja. Assim, são necessários estudos agronômicos, de melhoramento genético, de resistência a pragas e etc. em todas as principais oleaginosas com potencial para a produção de biodiesel;
3. Há também grande preocupação com relação aos co-produtos. Por exemplo, o que fazer para que o grande excedente de glicerina que será produzido não se torne um passivo ambiental por falta de mercado? Como melhor aproveitar as tortas de esmagamento?
4. E com relação à estabilidade dos diferentes tipos de biodiesel em nosso clima quente e úmido? Quanto tempo resistirão ao armazenamento?
5. Os métodos de controle de qualidade são adequados? E os seus custos, não temos como reduzi-los? E o desempenho dos motores?
Estas são apenas algumas perguntas que carecem de resposta adequada. Até mesmo sob o ponto de vista de produção de etanol, apesar do grande progresso que já foi feito nestes últimos 30 anos, muito ainda há de ser feito, para que o país não perca a liderança e nem a competitividade no setor.
Mato Grosso tem se destacado como futuro grande produtor de biocombustívieis. Além das destilarias de etanol sendo implantadas e expandidas no estado, há também, segundo dados da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (SICME), a perspectiva de produção, já a partir de 2007, de 834 milhões de litros de biodiesel por ano.
Visando contribuir com o desenvolvimento do setor, a UFMT está implantando o Centro de Estudos em Biocombustíveis (CIEB), que deverá trabalhar para o aprimoramento das tecnologias de produção e monitoramento de biocombustíveis, considerando todos os aspectos das cadeias produtivas, além de formar recursos humanos para a pesquisa e para o atendimento ao setor produtivo. A iniciativa já conta com integral apoio da Assembléia Legislativa, do Governo do Estado, de empresários ligados ao setor e de membros da bancada parlamentar de MT no congresso nacional. O projeto está em análise pelo Governo Federal: é importante que nos mobilizemos em sua defesa!
Paulo Teixeira de Sousa Jr é Pró-Reitor de Pesquisas da UFMT. Coordenador do Laboratório de Pesquisas em Química de Produtos Naturais.
Fonte: Estação Vida
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