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Canola pode viabilizar maior uso de sebo no biodiesel

O sebo bovino é a segunda matéria-prima mais utilizada pela indústria de biodiesel. No ano passado, a participação do insumo na produção nacional do biocombustível ficou na média de 16%. Pudera. O Brasil possui o segundo maior rebanho do mundo.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O sebo bovino é a segunda matéria-prima mais utilizada pela indústria de biodiesel. No ano passado, a participação do insumo na produção nacional do biocombustível ficou na média de 16%. Pudera. O Brasil possui o segundo maior rebanho do mundo.

O sebo bovino é a segunda matéria-prima mais utilizada pela indústria de biodiesel. No ano passado, a participação do insumo na produção nacional do biocombustível ficou na média de 16%. Pudera. O Brasil possui o segundo maior rebanho do mundo. Com toda a oferta nacional, a participação desse subproduto da pecuária na composição do biodiesel poderia seguramente dobrar. Mas não é somente preço e oferta que balizam o aproveitamento do sebo pela indústria de biodiesel. A barreira se dá porque o biodiesel produzido somente com gordura animal se solidifica a baixas temperaturas. Aliás, nem tão baixa assim. O ponto de entupimento de filtro a frio do biodiesel de sebo fica entre 13ºC e 15ºC. Abaixo disso, ele já começa a se cristalizar. Para a região Sul e parte da Sudeste, essa temperatura é corrente o ano todo, até mesmo nas noites de verão.

Por ter alto índice de ácidos graxos saturados, a gordura animal possui alto ponto de fusão e pode causar entupimento em filtros e bombas de abastecimento. Uma solução é o uso de aditivos, que encarece o produto. A outra saída é o uso de blends, recurso mais utilizado pelo setor.

Segundo João Francisco Pedroso, engenheiro químico da usina SP Bio, o biodiesel de sebo pode ser misturado ao biodiesel de soja em até 30% e manter boas características químicas. “Com essa mistura ele fica menos propenso a se solidificar, porém não suporta temperaturas próximas a 0ºC”, diz. Já o biodiesel de soja possui ponto de fusão próximo a 0ºC. “Na pior das hipóteses a 2ºC”, diz.  

Em 2008, no Brasil, as distribuidoras se recusaram a comprar biodiesel de sebo na região Sul e mesmo blends com biodiesel de outras fontes para evitar que o combustível se solidificasse em tanques ou dentro dos caminhões. Mesmo após reuniões entre ANP, distribuidoras e usinas para esclarecer o assunto, ainda há resistências.

“Ao invés da soja, seria vantagem para o produtor poder compensar essa característica usando óleo de canola, que tem ponto de fusão entre -3 ºC e -4ºC”, diz. O problema, segundo Pedroso, é que a oleaginosa é mais cara que a soja, e por isso ainda há poucos testes com blends de biodiesel de canola e de sebo. A usina BSBios, que fomenta plantações de canola no Rio Grande do Sul e no Paraná, ainda não utiliza a matéria-prima na produção, nem tampouco chegou a testar misturas entre os dois tipos de biodiesel.

 
Na Europa, a colza (a canola antes do melhoramento genético) – chamada de soja do inverno – tem sido largamente utilizada pela indústria de biodiesel devido às baixas temperaturas registradas no continente. É utilizada inclusive para baixar o ponto de fusão do biodiesel de dendê, que possui características semelhantes ao sebo. O engenheiro químico Donato Aranda é grande defensor do biodiesel de sebo e em artigo publicado na revista BiodieselBR chegou a elencar pelo menos dez vantagens em relação ao biodiesel de soja.

Se a expansão das lavouras de canola no Brasil continuar no mesmo ritmo das últimas safras, resultando em oferta consistente e preços mais atrativos, o seu uso poderá permitir no futuro aumentar o aproveitamento do sebo bovino na fabricação do biodiesel, contribuindo também para diminuir a dependência do óleo de soja.

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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