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Biodiesel no Paraná não deslanchou

O Paraná é um dos Estados que mais teve projetos fracassados de usinas de biodiesel
BiodieselBR.com 5 min de leitura
O Paraná é um dos Estados que mais teve projetos fracassados de usinas de biodiesel

 Mesmo com matéria-prima abundante, uma agricultura familiar e um sistema cooperativo organizados, o Paraná tem participação inexpressiva na produção nacional de biodiesel. Mesmo sendo o maior produtor nacional de grãos, o segundo maior produtor de soja e o terceiro maior consumidor de diesel do país, o Estado não tem atraído investimentos. Nestes cinco anos de existência do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel o Estado teve participação de apenas 1,11% na produção nacional do biocombustível.

O Paraná é um dos Estados que mais teve projetos fracassados de usinas de biodiesel. Foram alardeados investimentos ambiciosos no setor, entre eles a CBear, que anunciou a construção da que seria a maior usina do país em Irati, com capacidade de 600 milhões de litros ao ano, e a Agrodiesel Mercosul, que iria construir em Santa Helena uma usina de 144 milhões de litros/ano.

“Vários anúncios de investimentos aconteceram, uns de boa fé, outros de má fé”, diz Richardison de Souza, coordenador do Programa Paranaense de Bioenergia. Ele diz que o governo do Estado se comprometeu em apoiar todos os projetos, mas no fim das contas, “eles não tinham consistência”. Um fator que teria contribuído para o recuo nos investimentos, segundo Souza, foi a crise global na economia iniciada em 2008. “Muitos dos projetos anunciados na época tinham capital estrangeiro”. 

O coordenador também conta que as cooperativas do Estado não quiseram investir em biodiesel e optaram por continuar produzindo farelo e óleo. “Elas foram procuradas por investidores que propuseram parcerias, mas não deu certo. Houve receio de entrar de cabeça no setor de biodiesel”, diz.

Hoje, a única usina de grande porte a operar no Estado está em Marialva, com capacidade para 127 milhões de litros por ano. Fruto de um investimento iniciado pela Agrenco, posteriormente adquirida pela BSBios e que hoje é administrada em conjunto com a Petrobras Biocombustíveis.  “A Petrobras preferiu investir primeiro em regiões de baixo IDH do país”, disse o governador em exercício, Orlando Pessuti, durante a inauguração da usina em maio deste ano, quando perguntado sobre os motivos de o Paraná ter demorado tanto para receber investimento da estatal, apesar dos atrativos.

“Aqui temos um sistema cooperativo forte e uma agricultura familiar muito organizada. Na realidade, mais de 50% da soja no Estado é produzida e comercializada pelo sistema cooperativista”, diz Souza, ressaltando outra vantagem que as usinas têm, que é a facilidade para conseguir o selo Combustível Social na compra de matéria-prima da agricultura familiar.

Souza ressalta que no Estado, além da produção de soja – que tem dado sustentação ao setor como um todo, representando 80% das matérias-primas utilizadas – há uma janela agrícola enorme no inverno, onde poderão ser cultivadas culturas como canola, crambe e nabo forrageiro para o biodiesel. Segundo ele, há quatro anos não havia sequer 2 mil hectares de canola no Estado. Hoje a área da safra atual é de 10 mil hectares.

Programa estadual
Para apoiar o programa nacional de biodiesel, o governo do Paraná lançou em 2003, através do Decreto 2101, o Programa Paranaense de Bioenergia. Foram geradas várias ações de pesquisa e desenvolvimento, tanto na parte agrícola quanto industrial. O programa envolveu instituições estaduais como Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Emater, Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e as universidades estaduais para desenvolver pesquisas com oleaginosas aptas à produção do biodiesel e ao clima do Estado. Graças a esses estudos, foram viabilizados os zoneamentos agrícolas da canola, amendoim, girassol e mamona. Outras culturas com aptidão, como nabo forrageiro, crambe e pinhão-manso também estão sendo estudadas. “O objetivo é dar condições para o empresário poder investir no Paraná”, diz o coordenador do programa.

Souza diz que agora as ações estão mais centradas no produtor rural. O Governo do Estado quer estimular as cooperativas para implantar unidades de extração de óleo, produção de biodiesel e de ração animal. A idéia é fabricar biodiesel para consumo próprio, a um preço inferior ao óleo diesel. O projeto piloto está sendo gerido pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), e envolve três cooperativas na região de São Jorge D’Oeste, no sudoeste do Estado. O edital para compra dos equipamentos de extração e refino está para ser relançado. A previsão é que a unidade piloto de produção integrada entre em operação no primeiro semestre de 2011.

As unidades do Estado

Usinas produzindo:
Biopar Bioenergia, de Rolândia, com 43 milhões de litros de capacidade
BSBios, de Marialva, com 127 milhões de litros de capacidade anual
Bigfrango, Rolândia, 14,4 milhões de litros

Usinas construídas e sem produção:
Biolix, Rolândia, 11 milhões de litros
Lubeco, Araucária, 0,1 milhões de litros

Usinas que não saíram do papel:
CBear, Irati, 600 milhões de litros
Agrodiesel Mercosul,Santa Helena, 144 milhões de litros
Brasbiofuel , Araucária, 72 milhões de litros
TDN Paraná Biodiesel, Ponta Grossa, 120 milhões de litros
Copel, São Jorge D’Oeste, 2 milhões de litros

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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