O Paraná é um dos Estados que mais teve projetos fracassados de usinas de biodiesel
Mesmo com matéria-prima abundante, uma agricultura familiar e um sistema cooperativo organizados, o Paraná tem participação inexpressiva na produção nacional de biodiesel. Mesmo sendo o maior produtor nacional de grãos, o segundo maior produtor de soja e o terceiro maior consumidor de diesel do país, o Estado não tem atraído investimentos. Nestes cinco anos de existência do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel o Estado teve participação de apenas 1,11% na produção nacional do biocombustível.
O Paraná é um dos Estados que mais teve projetos fracassados de usinas de biodiesel. Foram alardeados investimentos ambiciosos no setor, entre eles a CBear, que anunciou a construção da que seria a maior usina do país em Irati, com capacidade de 600 milhões de litros ao ano, e a Agrodiesel Mercosul, que iria construir em Santa Helena uma usina de 144 milhões de litros/ano.
“Vários anúncios de investimentos aconteceram, uns de boa fé, outros de má fé”, diz Richardison de Souza, coordenador do Programa Paranaense de Bioenergia. Ele diz que o governo do Estado se comprometeu em apoiar todos os projetos, mas no fim das contas, “eles não tinham consistência”. Um fator que teria contribuído para o recuo nos investimentos, segundo Souza, foi a crise global na economia iniciada em 2008. “Muitos dos projetos anunciados na época tinham capital estrangeiro”.
O coordenador também conta que as cooperativas do Estado não quiseram investir em biodiesel e optaram por continuar produzindo farelo e óleo. “Elas foram procuradas por investidores que propuseram parcerias, mas não deu certo. Houve receio de entrar de cabeça no setor de biodiesel”, diz.
Hoje, a única usina de grande porte a operar no Estado está em Marialva, com capacidade para 127 milhões de litros por ano. Fruto de um investimento iniciado pela Agrenco, posteriormente adquirida pela BSBios e que hoje é administrada em conjunto com a Petrobras Biocombustíveis. “A Petrobras preferiu investir primeiro em regiões de baixo IDH do país”, disse o governador em exercício, Orlando Pessuti, durante a inauguração da usina em maio deste ano, quando perguntado sobre os motivos de o Paraná ter demorado tanto para receber investimento da estatal, apesar dos atrativos.
“Aqui temos um sistema cooperativo forte e uma agricultura familiar muito organizada. Na realidade, mais de 50% da soja no Estado é produzida e comercializada pelo sistema cooperativista”, diz Souza, ressaltando outra vantagem que as usinas têm, que é a facilidade para conseguir o selo Combustível Social na compra de matéria-prima da agricultura familiar.
Souza ressalta que no Estado, além da produção de soja – que tem dado sustentação ao setor como um todo, representando 80% das matérias-primas utilizadas – há uma janela agrícola enorme no inverno, onde poderão ser cultivadas culturas como canola, crambe e nabo forrageiro para o biodiesel. Segundo ele, há quatro anos não havia sequer 2 mil hectares de canola no Estado. Hoje a área da safra atual é de 10 mil hectares.
Programa estadual
Para apoiar o programa nacional de biodiesel, o governo do Paraná lançou em 2003, através do Decreto 2101, o Programa Paranaense de Bioenergia. Foram geradas várias ações de pesquisa e desenvolvimento, tanto na parte agrícola quanto industrial. O programa envolveu instituições estaduais como Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Emater, Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e as universidades estaduais para desenvolver pesquisas com oleaginosas aptas à produção do biodiesel e ao clima do Estado. Graças a esses estudos, foram viabilizados os zoneamentos agrícolas da canola, amendoim, girassol e mamona. Outras culturas com aptidão, como nabo forrageiro, crambe e pinhão-manso também estão sendo estudadas. “O objetivo é dar condições para o empresário poder investir no Paraná”, diz o coordenador do programa.
Souza diz que agora as ações estão mais centradas no produtor rural. O Governo do Estado quer estimular as cooperativas para implantar unidades de extração de óleo, produção de biodiesel e de ração animal. A idéia é fabricar biodiesel para consumo próprio, a um preço inferior ao óleo diesel. O projeto piloto está sendo gerido pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), e envolve três cooperativas na região de São Jorge D’Oeste, no sudoeste do Estado. O edital para compra dos equipamentos de extração e refino está para ser relançado. A previsão é que a unidade piloto de produção integrada entre em operação no primeiro semestre de 2011.
Biopar Bioenergia, de Rolândia, com 43 milhões de litros de capacidade
BSBios, de Marialva, com 127 milhões de litros de capacidade anual
Bigfrango, Rolândia, 14,4 milhões de litros
Usinas construídas e sem produção:
Biolix, Rolândia, 11 milhões de litros
Lubeco, Araucária, 0,1 milhões de litros
Usinas que não saíram do papel:
CBear, Irati, 600 milhões de litros
Agrodiesel Mercosul,Santa Helena, 144 milhões de litros
Brasbiofuel , Araucária, 72 milhões de litros
TDN Paraná Biodiesel, Ponta Grossa, 120 milhões de litros
Copel, São Jorge D’Oeste, 2 milhões de litros
Alice Duarte – BiodieselBR.com
Mesmo com matéria-prima abundante, uma agricultura familiar e um sistema cooperativo organizados, o Paraná tem participação inexpressiva na produção nacional de biodiesel. Mesmo sendo o maior produtor nacional de grãos, o segundo maior produtor de soja e o terceiro maior consumidor de diesel do país, o Estado não tem atraído investimentos. Nestes cinco anos de existência do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel o Estado teve participação de apenas 1,11% na produção nacional do biocombustível.
O Paraná é um dos Estados que mais teve projetos fracassados de usinas de biodiesel. Foram alardeados investimentos ambiciosos no setor, entre eles a CBear, que anunciou a construção da que seria a maior usina do país em Irati, com capacidade de 600 milhões de litros ao ano, e a Agrodiesel Mercosul, que iria construir em Santa Helena uma usina de 144 milhões de litros/ano.
“Vários anúncios de investimentos aconteceram, uns de boa fé, outros de má fé”, diz Richardison de Souza, coordenador do Programa Paranaense de Bioenergia. Ele diz que o governo do Estado se comprometeu em apoiar todos os projetos, mas no fim das contas, “eles não tinham consistência”. Um fator que teria contribuído para o recuo nos investimentos, segundo Souza, foi a crise global na economia iniciada em 2008. “Muitos dos projetos anunciados na época tinham capital estrangeiro”.
O coordenador também conta que as cooperativas do Estado não quiseram investir em biodiesel e optaram por continuar produzindo farelo e óleo. “Elas foram procuradas por investidores que propuseram parcerias, mas não deu certo. Houve receio de entrar de cabeça no setor de biodiesel”, diz.
Hoje, a única usina de grande porte a operar no Estado está em Marialva, com capacidade para 127 milhões de litros por ano. Fruto de um investimento iniciado pela Agrenco, posteriormente adquirida pela BSBios e que hoje é administrada em conjunto com a Petrobras Biocombustíveis. “A Petrobras preferiu investir primeiro em regiões de baixo IDH do país”, disse o governador em exercício, Orlando Pessuti, durante a inauguração da usina em maio deste ano, quando perguntado sobre os motivos de o Paraná ter demorado tanto para receber investimento da estatal, apesar dos atrativos.
“Aqui temos um sistema cooperativo forte e uma agricultura familiar muito organizada. Na realidade, mais de 50% da soja no Estado é produzida e comercializada pelo sistema cooperativista”, diz Souza, ressaltando outra vantagem que as usinas têm, que é a facilidade para conseguir o selo Combustível Social na compra de matéria-prima da agricultura familiar.
Souza ressalta que no Estado, além da produção de soja – que tem dado sustentação ao setor como um todo, representando 80% das matérias-primas utilizadas – há uma janela agrícola enorme no inverno, onde poderão ser cultivadas culturas como canola, crambe e nabo forrageiro para o biodiesel. Segundo ele, há quatro anos não havia sequer 2 mil hectares de canola no Estado. Hoje a área da safra atual é de 10 mil hectares.
Programa estadual
Para apoiar o programa nacional de biodiesel, o governo do Paraná lançou em 2003, através do Decreto 2101, o Programa Paranaense de Bioenergia. Foram geradas várias ações de pesquisa e desenvolvimento, tanto na parte agrícola quanto industrial. O programa envolveu instituições estaduais como Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Emater, Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e as universidades estaduais para desenvolver pesquisas com oleaginosas aptas à produção do biodiesel e ao clima do Estado. Graças a esses estudos, foram viabilizados os zoneamentos agrícolas da canola, amendoim, girassol e mamona. Outras culturas com aptidão, como nabo forrageiro, crambe e pinhão-manso também estão sendo estudadas. “O objetivo é dar condições para o empresário poder investir no Paraná”, diz o coordenador do programa.
Souza diz que agora as ações estão mais centradas no produtor rural. O Governo do Estado quer estimular as cooperativas para implantar unidades de extração de óleo, produção de biodiesel e de ração animal. A idéia é fabricar biodiesel para consumo próprio, a um preço inferior ao óleo diesel. O projeto piloto está sendo gerido pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), e envolve três cooperativas na região de São Jorge D’Oeste, no sudoeste do Estado. O edital para compra dos equipamentos de extração e refino está para ser relançado. A previsão é que a unidade piloto de produção integrada entre em operação no primeiro semestre de 2011.
As unidades do Estado
Usinas produzindo:Biopar Bioenergia, de Rolândia, com 43 milhões de litros de capacidade
BSBios, de Marialva, com 127 milhões de litros de capacidade anual
Bigfrango, Rolândia, 14,4 milhões de litros
Usinas construídas e sem produção:
Biolix, Rolândia, 11 milhões de litros
Lubeco, Araucária, 0,1 milhões de litros
Usinas que não saíram do papel:
CBear, Irati, 600 milhões de litros
Agrodiesel Mercosul,Santa Helena, 144 milhões de litros
Brasbiofuel , Araucária, 72 milhões de litros
TDN Paraná Biodiesel, Ponta Grossa, 120 milhões de litros
Copel, São Jorge D’Oeste, 2 milhões de litros
Alice Duarte – BiodieselBR.com
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