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Biodiesel: Muita propaganda e pouco incentivo

A mamona, oleaginosa que se tornou carro chefe do programa de biodiesel governo federal, se desenvolveu muito no setor de pesquisas, em contrapartida o desenvolvimento no simples plantio não aconteceu.
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A mamona, oleaginosa que se tornou carro chefe do programa de biodiesel governo federal, se desenvolveu muito no setor de pesquisas, em contrapartida o desenvolvimento no simples plantio não aconteceu. Os dados...

Teve muito marketing e propaganda em torno do biodiesel e pouco investimento e incentivo para os agricultores, de acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da...
A mamona, principal planta oleaginosa, que poderá ser utilizada para o Programa do Biodiesel do governo federal para adição no diesel, alcançou mais avanços substanciais na Paraíba nos últimos anos na área de pesquisa científica que propriamente na produção do produto. “Por incrível que pareça, avançamos mais na produção científica do biodiesel que no simples plantio de mamona”, revelou o coordenador de Armazenamento da Rede Brasileira de Produção de Biodiesel, o professor da UFPB Antônio Gouveia de Sousa.

    Os dados do IBGE constatam que enquanto a safra do produto cairá 50% neste ano no Estado em relação ao ano passado, as pesquisas e as teses de doutorado sobre o biodiesel crescem cada vez mais.

Críticas

Mário Borba, foi mais taxativo e crítico. “Houve muito mais propaganda e mar-keting do governo federal sobre o biodiesel do que investimento e incentivo para os agricultores”.

    Para o pesquisador Antônio Gouveia, o problema do biodiesel no setor agrícola reside na falta de uma política específica e de preço do produto que ainda não foi definido pelo governo federal, não apenas da mamona, mas das demais oleaginosas como o dendê, girassol, amendoim, castanha de caju e o algodão de onde é extraído o óleo vegetal, a matéria-prima do biodiesel, que já está sendo adicionado em 2% ao óleo diesel pela Petrobras em 1.700 postos do País. “Sem uma política de preço, principalmente para os pequenos agricultores comercializarem o produto, não haverá estímulo para a produção”.

    Para o agrônomo do IBGE José Rinaldo de Souza, a redução da área plantada e, conseqüentemente, a queda na produção neste ano foram decorrentes da falta de incentivo na comercialização do produto. “Falta a quem vender o produto após colheita”. Segundo ele, o zoneamento da Embrapa identificou pouco mais de 50 municípios paraibanos com potencial de produção da mamona, mas a falta de uma organização da cadeia produtiva deixou o setor solto. Segundo Souza, “apenas com incentivo, financiamento e comercialização, a produção poderá despontar no Estado”, frisa.

     Faepa critica propaganda e cobra mais incentivos

    Já o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa), Mário Borba, foi mais taxativo e crítico. “Houve muito mais propaganda e marketing do governo federal sobre o biodiesel do que investimento e incentivo para os agricultores”. Segundo ele, o óleo da mamona “é caro e fino e interessa há vários setores da economia mundial, entre eles a aviação e não será apenas com propanda que estimulará o setor”.

    Segundo o pesquisador da UFPB Antônio Gouveia, o biodiesel não é um produto simples para ser utilizado como combustível.

Falta de Biodiesel

Além da falta de incetivo aos pequenos agricultores, os motoristas paraibanos que utilizam carros a diesel sequer conseguiram consumir o biodiesel.

    “Diferente do álcool combustível que não precisa de reação, o biodiesel passa por reações químicas e misturas ao longo do processo para ser obtido como combustível, além disso tem um complicador: ele oxida (envelhece) mais rápido que os demais combustíveis minerais, como o próprio diesel”, informou. Contudo, de acordo com ele, é da mamona que poderá ser extraído o maior volume de óleo entre as oleaginosas (48%).

    AINDA NÃO CHEGOU

    Além da falta de incetivo aos pequenos agricultores, os motoristas paraibanos que utilizam carros a diesel sequer conseguiram consumir o biodiesel. Dos nove Estados nordestinos, apenas os postos da Paraíba ainda não estão comercializando o novo combustível. A adição de 2% do biodiesel ao diesel já chegou a mais de 1.700 postos do país.

     A assessoria da BR Distribuidora do Rio de Janeiro, principal recompradora do produto, informou na última sexta-feira que somente no final do mês, a mistura chegará aos tanques da distribuidora em Cabedelo.

    DISTRIBUIÇÃO

    Segundo a distribuidora, desde o ano passado o biodiesel já é vendido em postos de Belém do Pará. Mais de 90% do biodiesel adquirido pela Petrobras junto aos produtores foram recomprados pela Petrobras Distribuidora. Uma das vantagens do novo combustível está na redução das emissões de poluentes pelos motores de caminhões e carros movidos a diesel.

    Além do simples consumo do biodiesel, a Paraíba também foi esquecida nos investimentos de 2007 da Petrobras, maior promotora do programa de biodiesel. Além do Estado do Piauí, que já largou na frente no refino, a Bahia e o Ceará ganharão usinas de refino e empresas de comercialização de leilão do biodiesel.

    A Petrobras decidiu investir no próximo ano em três unidades de processamento de biodiesel no semi-árido: em Montes Claros (norte de Minas Gerais, em Cadeias, Bahia, no Quixadá, Ceará. As fábricas atenderão o consumo do Nordeste, e os investimentos previstos são de US$ 60 milhões de dólares. As três unidades entrarão em operação no final de 2007 e usarão como matéria-prima óleos de algodão, dendê e mamona. Serão as primeiras da estatal a produzir em escala comercial, que possui hoje duas unidades-piloto no Rio Grande do Norte.

Motor movido 100% por biodiesel vai ser testado

    A discussão do biodiesel não é nova. Segundo o pesquisador Antônio Gouveia, o Brasil já foi detentor de uma patente para fabricação de biodiesel, registrada a partir de estudos, pesquisas e testes desenvolvidos na Universidade Federal do Ceará, nos anos de 1970.

    A patente de domínio do pesquisador cearense Expedito Parentre acabou perdendo força sem a adoção do biodiesel. Contudo, a experiência ficou e se consolidou ao longo do tempo. Progressos crescentes vêm sendo feitos em diversas universidades, institutos de pesquisa de diversos Estados, havendo grande diversidade de tecnologias disponíveis no País.

    O professor disse que será testado o primeiro motor estacionário com 100% de biodiesel até o final do ano no Maranhão.

    Além de colocar em prática a patente com as novas pesquisas, o governo federal está querendo economizar divisas. Em 2003, o consumo nacional de diesel foi da ordem de 38 milhões de metros cúbicos. Desse total, cerca de 10% foram importados, a um custo de aproximadamente US$ 800 milhões de dólares.

Jornal da Paraíba - JEAN GREGÓRIO

    
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