BiodieselBR
Publicidade

Audiência amanhã definirá futuro do biodiesel marítimo

A mistura de biodiesel no diesel aquaviário pode ser adiada mais uma vez e as usinas podem perder um mercado extra de 38 milhões de litros
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A mistura de biodiesel no diesel aquaviário pode ser adiada mais uma vez e as usinas podem perder um mercado extra de 38 milhões de litros

Nessa quarta-feira, dia 15 de dezembro, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) promove uma audiência pública para discutir mudanças na Resolução 49 de 2007. O texto define o início da adição de 5% de biodiesel no diesel aquaviário a partir de janeiro de 2011. Pelo novo texto proposto pela Agência o prazo de início da obrigatoriedade continua o mesmo, mas as importadoras e distribuidoras de óleo diesel para uso marítimo terão que emitir Certificado de Qualidade dos lotes comercializados.

Pelo menos duas grandes entidades já se manifestaram contra a manutenção do prazo para o início da obrigatoriedade na adição de biodiesel ao diesel aquaviário. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) diz que é cedo para o uso do biodiesel no diesel marítimo já que não há testes suficientes nesse setor. “A alta higroscopicidade do biodiesel, quando utilizado em embarcações, aumenta a probabilidade de turbidez e potencializa a ocorrência acentuada de degradação microbiana”, aponta o diretor de Abastecimento e Regulamentação da entidade, Fábio Bittencourt.

Outra instituição que irá se manifestar contrária a obrigatoriedade na audiência da ANP é a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos (Acobar). A entidade já enviou carta à ANP explicando que não há testes suficientes para garantir a segurança do uso do B5 em embarcações que ficam muito tempo paradas, caso dos barcos de passeio, por exemplo. “Não existem testes de uso do biodiesel na navegação”, aponta Eduardo Coluna, presidente da Acobar.

A mistura, no entanto, deveria ter entrado em vigor em 2008, junto com a mistura nacional. Mas desde o início da adição obrigatória, o diesel aquaviário ficou fora desse mercado. Dessa forma, o combustível usado em navios, barcos e similares permaneceu 100% mineral. Como o diesel aquaviário também não precisa cumprir certos critérios de qualidade e pureza do diesel rodoviário, esse combustível passou a ser mais barato que o vendido para veículos automotores.

O Sindicom admite que o baixo preço do diesel aquaviário facilita fraudes. “O Sindicom reconhece a possibilidade de ocorrência de distorções no mercado, como a venda para uso rodoviário de diesel sem biodiesel (mais barato), principalmente em locais onde há uma maior comercialização do diesel marítimo”, diz Bittencourt. Mas mesmo assim defende o adiamento da obrigatoriedade da mistura.

Só em 2009 o comércio de diesel marítimo representou a venda de 775 milhões de litros de combustível. Com o B5 este é um mercado extra de 38,747 milhões de litros de biodiesel.

Procurada para se manifestar sobre o assunto, a União Brasileira de Biodiesel (Ubrabio) não apresentou seu ponto de vista até o fechamento dessa reportagem.

Atualização 14/12 13:30: Ubrabio enviou sua posição aqui.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
Compartilhar:

Artigos relacionados