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ANP alerta para o problema de qualidade do B5 [Rubens Freitas]

Para a ANP não há como aumentar o percentual de mistura de biodiesel no diesel sem garantir em primeiro lugar a qualidade do combustível.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Para a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) não há como aumentar o percentual de mistura de biodiesel no diesel sem garantir em primeiro lugar a qualidade do combustível.

Para a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) não há como aumentar o percentual de mistura de biodiesel no diesel sem garantir em primeiro lugar a qualidade do combustível. “Se não seguirmos as regras de manuseio e armazenamento, preservando aí a qualidade do biodiesel, não adianta falar em B7, B10 porque o problema só vai agravar”, disse ontem (28) o superintendente adjunto de abastecimento da ANP, Rubens Cerqueira Freitas, durante palestra na Conferência BiodieselBR. A preocupação da agência reguladora é com relação à formação de borras nos tanques de armazenamento, relatada pelo segmento de revenda de combustível depois que o B5 entrou em vigor.

A reclamação dos caminhoneiros em relação à qualidade do diesel B5 ressuscitou a discussão sobre as regras de manuseio, transporte, armazenamento e abastecimento do biodiesel. Por conta disso, a ANP reuniu todos os envolvidos na cadeia para estudar a logística do biodiesel e descobrir o que pode estar causando o problema.

O biodiesel é 30 vezes mais higroscópico que o óleo diesel, ou seja, ele é muito mais propenso a absorver umidade e, conseqüentemente, está mais sujeito à degradação biológica. “Não podemos tratar os dois da mesma forma”, diz Freitas.

Sabe-se que, eventualmente, há problemas com a especificação do biodiesel que sai das usinas, com o transporte, com o modo como ele é misturado ao diesel, e com a freqüência de limpeza nos tanques. “Não adianta jogar a culpa um para o outro”, diz Freitas, ressaltando que todos os elos precisam seguir as normas de manuseio da agência. “Se denegrir a imagem do biodiesel, todos sairão perdendo; os produtores, que investiram e se esforçaram para entregar um produto de qualidade, as distribuidoras e os donos de postos”, diz.

A conclusão que a ANP chegou é que é importante ter pontos de controle da especificação em todas as etapas: nos produtores de biodiesel e de diesel, distribuidoras, revendedor retalhista e revendedor varejista. “Para isso será necessário investimento em equipamentos e pessoal”, informa.

Apesar de o problema de qualidade do biodiesel preocupar o setor e poder até limitar por ora o aumento da mistura, Freitas acredita que a questão poderá ser resolvida no curto prazo. “O etanol teve sérios problemas de qualidade no passado. Mas a curva de aprendizado do biodiesel será mais acelerada”, diz.

Alice Duarte – BiodieselBR.com
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