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Algas começam a virar biodiesel na Argentina

A matéria-prima da usina Argentina é composta atualmente por 90% de óleo de soja e 10% de óleo de algas
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A matéria-prima da usina Argentina é composta atualmente por 90% de óleo de soja e 10% de óleo de algas

Uma empresa argentina inaugurou na última sexta-feira (27) a primeira usina do país que utiliza algas para fazer biodiesel, na esperança de substituir a soja na fabricação do biocombustível. A Argentina é a maior exportadora mundial de óleo de soja, mas o uso de um óleo alimentício para produzir biodiesel é controverso, pois cortaria o suprimento de alimentos. O óleo extraído a partir das algas é visto como uma alternativa atrativa ao óleo de soja e outros óleos vegetais por não fazer uso de terras que poderiam ser usadas para culturas alimentícias e por absorver dióxido de carbono de usinas e indústrias. O processo de extração de óleo também produz uma pasta rica em proteínas, que é comestível. “Nós não estamos competindo com o abastecimento de alimentos, mas gerando alimentos, com baixo custo e ajudando o meio ambiente, pois as algas crescem rápido e capturam dióxido de carbono”, diz Jorge Kaloustian, presidente da Oilfox S.A, dona usina situada a nordeste da capital Buenos Aires.

A matéria-prima da usina da Oilfox é composta atualmente por 90% de óleo de soja e 10% de óleo de algas, mas a companhia espera que eventualmente possa utilizar somente algas, que podem crescer em águas marinhas e também em águas contaminadas. Os organismos, que se reproduzem em tanques dentro de estufas, produzem um óleo verde durante o processo de fotossíntese. Possuem um crescimento rápido e podem duplicar seu peso diversas vezes ao dia. “As algas podem ter um rendimento por acre muito maior que a soja”, diz John Williams, porta-voz da Organização de Biomassa de Algas (ABO, na sigla em inglês), entidade que agrupa companhias envolvidas no desenvolvimento de biocombustíveis de algas. “Elas podem produzir uma quantidade de combustível por acre até dez vezes maior que a soja”. 

Alguns pesquisadores dizem que biocombustíveis a base de algas seriam muito caros para serem produzidos comercialmente, mas usinas que utilizam óleo de algas têm surgido em todo lugar; da Austrália a China, as empresas apostam na demanda crescente por combustíveis renováveis. A Exxon Mobil, por exemplo, anunciou ano passado investimentos de US$ 600 milhões ao longo de cinco anos para desenvolver biocombustíveis a partir de algas.

Kaloustian disse que a nova usina de biodiesel da Oilfox é a primeira desse tipo na América Latina, e que ela é viável, em parte porque a eletricidade é gerada a partir do biogás proveniente de resíduos de esgoto e o composto também é alimento para incentivar o crescimento das algas.


Através de um acordo com uma empresa de propriedade da JP Morgan, as emissões de dióxido de carbono, bombeadas de uma usina de energia próxima para dentro da estufa de algas, serão vendidas como títulos no mercado de carbono, disse Kaloustian.

A Oilfox assinou um acordo com a YPF, a maior empresa de energia do país, para produzir 50 mil toneladas de biodiesel por ano. Sob a lei argentina, empresas de energia terão que misturar 10% de biodiesel no diesel mineral até o fim deste ano. “Existe um grande entusiasmo para produzir energia renovável na Argentina porque nós temos o material necessário para fazer a mistura que é o óleo de soja”, disse Kaloustian. "Nós fizemos uma aposta no uso de óleo de soja com um pouco de algas, mas um dia, será tudo de algas".

Reuters
Tradução Alice Duarte – BiodieselBR.com
Tags Algas
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