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Agronegócio domina insumo para o biodiesel

O biodiesel produzido hoje no Brasil é 95,6% oriundo da soja e da gordura bovina, o que favorece apenas os grandes produtores.
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O biodiesel produzido hoje no Brasil é 95,6% oriundo da soja e da gordura bovina, o que favorece apenas os grandes produtores.

Anunciado como a redenção para a agricultura familiar, o biodiesel produzido hoje no Brasil é 95,6% oriundo da soja e da gordura bovina, o que favorece apenas os grandes produtores. A mamona e o pinhão manso, apontados como matérias-primas de alta competitividade e cultivados por pequenos produtores, ainda têm participação irrisória e sequer figuram nas estatísticas. O alto custo de produção e as pragas pouco conhecidas, enterraram a possibilidade de produzir biodiesel em larga escala com mamona ou pinhão. A nova aposta é o óleo de palma, também conhecido como dendê.

De acordo com o especialista em biodiesel da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Donato Arruda, o dendê já era produzido no Pará antes mesmo do advento do biodiesel. Hoje, são cerca de 50 mil hectares já plantados. A produção do combustível por meio do dendê favorece a agricultura familiar, uma vez que a colheita não pode ser feita de forma mecanizada. No entanto, isso não inviabiliza o negócio, já que a produtividade é elevada em comparação às outras culturas utilizadas.

Custo do dendê é inferior ao da soja
Em relação à soja, o óleo de palma tem uma capacidade de produção de biodiesel dez vezes superior. Os custos chegam a US$ 44 o barril, enquanto os da soja superam USS 70 e, da mamona, se aproximam de US$ 100.

A Petrobras e outras companhias nacionais e estrangeiras possuem planos de iniciar a produção do combustível a partir do dendê no Pará, Rondônia, Roraima e Amazonas. A preferência é por estados do Norte do país, onde as chuvas favorecem a cultura da palma.

A Vale irá produzir óleo de palma a partir de 2014, na região do Vale do Acará e Baixo Tocantins, abrangendo sete municípios do Pará. O consórcio BioVale investirá cerca de USS 500 milhões no projeto, em parceria com a BioPalma.

Produção será usada em locomotivas
Com essa parceria, a mineradora vai utilizar uma parcela da produção de biodiesel para alimentar toda a frota de locomotivas do Sistema Norte, além de máquinas e equipamentos de grande porte que operam nas minas do complexo Carajás. Estima-se que a produção anual de óleo atingirá 500 mil toneladas quando a lavoura estiver na maturidade de produção.

O consórcio criou o Pequeno Produtor, um programa de agricultura família que engloba 2 mil famílias do Pará, e tem como objetivo produzir palma para obtenção do óleo. As famílias serão responsáveis pelo plantio de 3,2 milhões de mudas de palma, em uma área total de 20 mil hectares. O projeto oferece aos participantes garantia de compra da produção.

O consórcio calculou, através de um levantamento com cada uma das 2 mil famílias, que o desenvolvimento do programa de agricultura familiar na região fará a renda aumentar dos atuais R$ 250 para R$ 2.500 por mês. Este valor foi estimado com base no preço da tonelada do óleo de palma no mercado internacional de commodities, e considera que cada família produzirá, em média, 250 toneladas de frutos de palma.

A partir de 2014, a Vale utilizará a mistura B20 (20% de biodiesel e 80% de diesel comum) na Estrada de Ferro Carajás e em algumas operações de mineração do Sistema Norte. A parceria com a Biopalma vai permitir que a Vale se torne autossuficiente na produção do B20.

Ao mesmo tempo, a empresa irá conseguir se antecipar à regulamentação do Governo federal, que prevê uma mistura de 20% de biodiesel no diesel comum para 2020. Até o ano passado, o percentual era de 4%, passando para 5% em janeiro deste ano.

Hoje em Dia/MG
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