Reunião organizada pela Sead na semana passada debateu o potencial do óleo de milho para alavancar a expansão do Selo Social no Nordeste.
Na quarta-feira passada (31) foi realizada na sede da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) em Brasília (DF) a 4ª reunião do Grupo de Trabalho da Câmara Técnica de Avaliação e Acompanhamento do Selo Combustível Social – organismo criado no final de 2014. O encontro foi convocado pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) para debater a diversificação de matérias-primas.
Na quarta-feira passada (31) foi realizada na sede da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) em Brasília (DF) a 4ª reunião do Grupo de Trabalho da Câmara Técnica de Avaliação e Acompanhamento do Selo Combustível Social – organismo criado no final de 2014. O encontro foi convocado pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) para debater a diversificação de matérias-primas.
Segundo BiodieselBR.com apurou junto a fontes próximas do GT, o principal item na pauta foi apresentar os resultados de um trabalho que vem sendo desenvolvido no sentido de identificar matérias-primas com potencial para abrir novas oportunidades à agricultura familiar no mercado do biodiesel. “Tem todo um trabalho que vem sendo feito para aumentar o número de oleaginosas e, dessa forma, ajudar o Selo a não depender tanto da soja da Região Sul”, diz secretário de políticas agrícolas da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agriculturas Familiares (Contag), Antoninho Rovaris.
Desconcentração
Embora tenha sido desenhado originalmente para promover a inclusão produtiva da agricultura familiar nas regiões mais pobres do pais, não é bem isso o que tem acontecido. Segundo dados da Sead, dos R$ 4,27 bilhões que os fabricantes de biodiesel gastaram no ano passado para comprar matérias-primas de pequenos produtores rurais, nada menos que R$ 3,57 bilhões – 83,6% – foram para a Região Sul.
Novas matérias-primas poderiam dar uma mão para reduzir esse nível de concentração das compras e, de acordo com Rovaris, entre as alternativas que vem sendo ventiladas pela Sead, o milho é uma das mais maduras. Embora tenha um teor de óleo relativamente baixo – entre 4% e 6% contra cerca de 19% da soja – o pais é um grande produtor do grão.
O milho é o segundo produto mais importante para o agronegócio brasileiro superado apenas para a soja. Os números da Conab mostram que, na temporada 2016/17, foram colhidas 97,8 milhões de toneladas do grão. Esse volume permitiria aumentar a oferta de óleos no mercado interno em cerca de 4,9 milhões de toneladas. Como uma vantagem adicional, o Sead aponta que o Nordeste tem a segunda maior produção de milho a partir da agricultura familiar.
Integração
Para o gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abioe), Daniel Amaral, o milho também tem a vantagem de se encaixar muito bem dentro do atual panorama do setor. “Na nossa visão existem vários fatores que tornam o milho uma matéria-prima de grande potencial. É algo que já existe e tem um bom potencial de crescimento e de integração com o complexo de óleo e proteína”, elabora acrescentando que se trata de uma cultura de alta densidade tecnológica e liquidez de mercado o que a torna ainda mais atraente.
De quebra, o milho é mais forte na safrinha de inverno – praticamente 69% da produção nacional do ano passado foi colhida em segunda safra – o que permitiria amenizar os efeitos da entressafra da soja sobre a cadeia do biodiesel e criar sinergias para os produtores rurais que teriam no milho uma opção para maximizar o retorno de investimentos feitos com adubação, irrigação e maquinários adquiridos para a safra de verão.
Seria também uma forma de prolongar a assistência técnica que as usinas de biodiesel organizam para seus fornecedores da agricultura familiar para além dos meses da safra de verão. “No biodiesel, por conta da soja, a assistência técnica é muito concentrada em três meses do ano”, reclama Antoninho.
O milho, no entanto, não é a solução para todos os problemas do Selo como aposta Antoninho. “Se não tomarmos cuidado, corre o risco de concentrar ainda mais porque os agricultores familiares do Sul também produzem muito milho”, alerta. No entanto, ainda tem chão pela frente. “Isso ainda é algo muito embrionário e vai exigir um processo de discussão”, afirma.
Mais que milho
A reunião também foi uma oportunidade para a que os fabricantes defendessem outros pleitos. Daniel conta que a Abiove vem defendendo que sejam criadas regras mais flexíveis para as compras de cooperativas que não tenham a chamada DAP Jurídica – concedida a cooperativas que tenham mais de 60% de agricultores familiares em seus quadros.
A associação quer que a Sead autorize agricultores familiares que tenham DAP individuais possam fazer vendas para as usinas de biodiesel por meio de suas cooperativas, mesmo que elas não contem com a DAP Jurídica. “Hoje esses agricultores podem vender para as usinas de forma individual e sem o apoio de suas cooperativas o que muitas vezes inviabiliza o negócio. Fazer essa mudança nos permitiria incluir mais agricultores de forma alinhada com os princípios do Selo”, pondera Daniel.
A próxima reunião do GT está marcada para o dia 07 de março e terá como tema principal a diversificação regional dos agricultores do Selo Social.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Na quarta-feira passada (31) foi realizada na sede da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) em Brasília (DF) a 4ª reunião do Grupo de Trabalho da Câmara Técnica de Avaliação e Acompanhamento do Selo Combustível Social – organismo criado no final de 2014. O encontro foi convocado pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) para debater a diversificação de matérias-primas.
Segundo BiodieselBR.com apurou junto a fontes próximas do GT, o principal item na pauta foi apresentar os resultados de um trabalho que vem sendo desenvolvido no sentido de identificar matérias-primas com potencial para abrir novas oportunidades à agricultura familiar no mercado do biodiesel. “Tem todo um trabalho que vem sendo feito para aumentar o número de oleaginosas e, dessa forma, ajudar o Selo a não depender tanto da soja da Região Sul”, diz secretário de políticas agrícolas da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agriculturas Familiares (Contag), Antoninho Rovaris.
Desconcentração
Embora tenha sido desenhado originalmente para promover a inclusão produtiva da agricultura familiar nas regiões mais pobres do pais, não é bem isso o que tem acontecido. Segundo dados da Sead, dos R$ 4,27 bilhões que os fabricantes de biodiesel gastaram no ano passado para comprar matérias-primas de pequenos produtores rurais, nada menos que R$ 3,57 bilhões – 83,6% – foram para a Região Sul.
Novas matérias-primas poderiam dar uma mão para reduzir esse nível de concentração das compras e, de acordo com Rovaris, entre as alternativas que vem sendo ventiladas pela Sead, o milho é uma das mais maduras. Embora tenha um teor de óleo relativamente baixo – entre 4% e 6% contra cerca de 19% da soja – o pais é um grande produtor do grão.
O milho é o segundo produto mais importante para o agronegócio brasileiro superado apenas para a soja. Os números da Conab mostram que, na temporada 2016/17, foram colhidas 97,8 milhões de toneladas do grão. Esse volume permitiria aumentar a oferta de óleos no mercado interno em cerca de 4,9 milhões de toneladas. Como uma vantagem adicional, o Sead aponta que o Nordeste tem a segunda maior produção de milho a partir da agricultura familiar.
Integração
Para o gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abioe), Daniel Amaral, o milho também tem a vantagem de se encaixar muito bem dentro do atual panorama do setor. “Na nossa visão existem vários fatores que tornam o milho uma matéria-prima de grande potencial. É algo que já existe e tem um bom potencial de crescimento e de integração com o complexo de óleo e proteína”, elabora acrescentando que se trata de uma cultura de alta densidade tecnológica e liquidez de mercado o que a torna ainda mais atraente.
De quebra, o milho é mais forte na safrinha de inverno – praticamente 69% da produção nacional do ano passado foi colhida em segunda safra – o que permitiria amenizar os efeitos da entressafra da soja sobre a cadeia do biodiesel e criar sinergias para os produtores rurais que teriam no milho uma opção para maximizar o retorno de investimentos feitos com adubação, irrigação e maquinários adquiridos para a safra de verão.
Seria também uma forma de prolongar a assistência técnica que as usinas de biodiesel organizam para seus fornecedores da agricultura familiar para além dos meses da safra de verão. “No biodiesel, por conta da soja, a assistência técnica é muito concentrada em três meses do ano”, reclama Antoninho.
O milho, no entanto, não é a solução para todos os problemas do Selo como aposta Antoninho. “Se não tomarmos cuidado, corre o risco de concentrar ainda mais porque os agricultores familiares do Sul também produzem muito milho”, alerta. No entanto, ainda tem chão pela frente. “Isso ainda é algo muito embrionário e vai exigir um processo de discussão”, afirma.
Mais que milho
A reunião também foi uma oportunidade para a que os fabricantes defendessem outros pleitos. Daniel conta que a Abiove vem defendendo que sejam criadas regras mais flexíveis para as compras de cooperativas que não tenham a chamada DAP Jurídica – concedida a cooperativas que tenham mais de 60% de agricultores familiares em seus quadros.
A associação quer que a Sead autorize agricultores familiares que tenham DAP individuais possam fazer vendas para as usinas de biodiesel por meio de suas cooperativas, mesmo que elas não contem com a DAP Jurídica. “Hoje esses agricultores podem vender para as usinas de forma individual e sem o apoio de suas cooperativas o que muitas vezes inviabiliza o negócio. Fazer essa mudança nos permitiria incluir mais agricultores de forma alinhada com os princípios do Selo”, pondera Daniel.
A próxima reunião do GT está marcada para o dia 07 de março e terá como tema principal a diversificação regional dos agricultores do Selo Social.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com