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Oleaginosas: quais são e onde poderão ser plantadas

O território brasileiro é de 850 milhões de hectares. Clima predominante tropical e subtropical. Períodos chuvosos definidos em boa parte de seu território, milhões de hectares de terras propícias para a agricultura mecanizada, outros milhões onde a topografia não permite a agricultura mecanizada...
Univaldo Vedana 4 min de leitura
O território brasileiro é de 850 milhões de hectares. Clima predominante tropical e subtropical. Períodos chuvosos definidos em boa parte de seu território, milhões de hectares de terras propícias para a agricultura mecanizada, outros milhões onde a topografia não permite a agricultura mecanizada, mais de 300 milhões de hectares de pecuária com menos de 200 milhões de cabeças de gado e outros tantos em matas e cerrados que ainda resistem aos tratores e as motoserras. Um país continente.

Um continente onde podemos produzir quase tudo o que o ser humano precisa, desde alimentos, vestuário, moradia, remédios (nossa selva amazônica é uma farmácia viva), borracha e, é claro, os combustíveis vegetais.

Em um pais continente, com regiões mais frias, outras quentes, regiões de chuvas freqüentes outras com longos meses de estiagem, não podemos eleger uma oleaginosa para produzir biodiesel no Brasil inteiro. As condições climáticas devem ser respeitadas, bem como a vocação agrícola de cada região.

O plantio de soja domina no cenário agrícola nacional, com exceção de boa parte do nordeste e na faixa litorânea do Rio Grande do Sul até Região Norte, que contém o resto da mata atlântica que implora para ser preservada. Na imensa área restante de Roraima, Oiapoque, sul e oeste do Piauí, oeste da Bahia, Triangulo Mineiro, norte e oeste de São Paulo, a Região Sul e Centro Oeste e agora um pedaço da Região Norte, a soja reina absoluta como principal cultura de verão, seguida pelo milho.

Somando-se as áreas de soja e milho nestas regiões, temos 30 milhões de hectares. Cerca de 80% desta área, entre de março e outubro , o produtor rural não planta nada, no máximo planta alguma cobertura de solo, milheto, azevem, etc.

E quais são as opções  para esses 24 milhões de hectares entre março e outubro? Na Região Sul a canola, o nabo forrageiro a linhaça e o girassol de primavera. No Sudeste, o girassol de safrinha e o nabo forrageiro. No Centro Oeste, o girassol de safrinha e em algumas micro regiões o nabo forrageiro e a canola. Em boa parte da Região Nordeste não vejo muitas alternativas para culturas anuais em função dos longos períodos sem chuvas nesta região. Uma alternativa são as culturas perenes. Leucena para a alimentação de animais, moringa para a alimentação humana e animal e o pinhão manso como fonte de renda, além das plantas atualmente cultivadas pelos pequenos produtores. No Maranhão o babaçu é nativo com grandes áreas naturais, precisando apenas ter sua coleta e industrialização organizadas, não somente de seu óleo, mas o coco inteiro que pode gerar energia ou carvão.

A oleaginosa que vem se mostrando se como a grande alternativa de produção de óleo combustível é o pinhão manso. O pinhão manso será plantado inicialmente em pequenas propriedades rurais. Isso acontecerá (e já está acontecendo) porque é uma planta que exige mão de obra em todo o seu ciclo produtivo e o produtor de grãos mecanizado está relutando em iniciar uma cultura que exige a contratação de muitos empregados, um trabalhador para cada 12 hectares.

Na Região Sul, possivelmente o pinhão manso em função do clima ,não será a alternativa correta, em compensação temos o tungue, uma planta perene, de clima frio e com boa produtividade de óleo por hectare. É uma planta rústica, como o pinhão manso, e todo o seu cultivo exige mão de obra, ideal para as pequenas propriedades rurais. E há tempos existem pequenos plantios de tungue no RS que podem servir como exemplo.

Para a Região Norte, o plantio de dendê pode ser ampliado para as regiões com áreas degradas, sem haver a necessidade de derrubada da floresta.

Os combustíveis vegetais são a coqueluche do momento no mundo, em razão do alto preço do petróleo, da poluição, do aquecimento global e, particularmente no Brasil, da chance de geração de emprego e renda no campo.

Para que não seja desperdiçada essa chance, é de suma importância a utilização plena das imensas áreas sub-aproveitadas para geração de bio-energia, incluindo nesse contexto os pequenos produtores, para que haja uma retenção de divisas. Desse modo, substituiremos importações e em um futuro próximo poderemos exportar biodiesel, a exemplo do que já acontece com o álcool. Potencial para isto temos muito, o que falta são projetos, financiamentos, integração entre investidores e produtores rurais.

Univaldo Vedana é diretor da BiodieselBR.com e responsável pela primeira fábrica de biodiesel do país abrangendo todo o processo de produção.
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