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Devemos contar com aumento de produtividade

Ao se pensar no futuro do Programa Brasileiro de Biodiesel, não se pode esquecer que certamente haverá expressivo aumento de produtividade em todas as culturas oleaginosas fornecedoras de matéria-prima. Isso permitirá a produção de biodiesel a menor custo e com maior segurança para os agricultores e para a indústria.
Liv Soares Severino 4 min de leitura
Ao se pensar no futuro do Programa Brasileiro de Biodiesel, não se pode esquecer que certamente haverá expressivo aumento de produtividade em todas as culturas oleaginosas fornecedoras de matéria-prima. Isso permitirá a produção de biodiesel a menor custo e com maior segurança para os agricultores e para a indústria.

A importante experiência adquirida no Brasil com o PROALCOOL, assim como a análise de programas de biocombustíveis em outros países, pode nos dar a certeza de que o aumento do volume de produção permitirá a redução dos custos do biodiesel. Esse efeito é fruto principalmente do aumento de produtividade na produção agrícola, mas também inclui melhorias na logística entre lavoura, indústria e consumidores, aperfeiçoamento da tecnologia industrial, além do previsível ganho de escala.

O início da produção de biodiesel não está sendo tão difícil, do ponto de vista econômico, quanto foi para a produção de álcool, pois para aquele a diferença de preço em relação à gasolina era muito maior. Mesmo sendo pequena a diferença, o biodiesel chegará às bombas um pouco mais caro (centavos em cada litro, talvez) e o consumidor será convidado a pagar a diferença - compulsoriamente - embora acredito que essa contribuição se reverterá em benefícios ao país e ao próprio consumidor muito rapidamente.

Utilizando a produção de etanol como referência, entre 1975 (início do PROALCOOL) e 2000, a produtividade da cana-de-açúcar aumentou 33%, a produção de etanol por unidade de sacarose aumentou 14% e a produtividade do processo de fermentação aumentou 130%; devido a estes avanços, o custo de produção de etanol no Brasil declinou à taxa anual de 3,8% entre 1980 e 1985 e de 5,7% entre 1985 e 2005 (Moreira, 2006). Atualmente, os custos de produção de etanol continuam caindo, enquanto o preço da gasolina tende a subir.

A produtividade média da mamona no Brasil foi de 670 kg/ha na safra 2005/2006 (Conab, 2006), resultando numa produtividade de óleo de apenas 302 kg/ha (considerando o rendimento de extração operacional de 45%). Com produtividade tão baixa é inviável fazer biodiesel de óleo de mamona. No entanto, sabe-se que há tecnologia já desenvolvida que permitiria obter produtividades muito mais altas. Em pesquisa a campo, facilmente se obtém produtividades entre 1.500 e 2.000 kg/ha em sequeiro na região semi-árida apenas pelo uso de cultivares e sistema de produção bem adaptados. Com uso de irrigação se pode chegar a 3.000 kg/ha. Nas Regiões Sudeste e Sul, se chega a 4.000 kg/ha quando se usa tecnologia apropriada. Entre os campos de pesquisa e as lavouras comerciais há uma óbvia diferença, mas os números demonstram que há um enorme espaço para aumento de produtividade e talvez até a produção de óleo de mamona mais barato que óleo de soja, o qual ultimamente teve expressivo aumento de preço.

A cultura do pinhão manso pode vir a ser outra opção de produção de óleo a baixo custo, pois diversas instituições de pesquisa do país estão empenhadas em desenvolver tecnologia para essa cultura, embora se alerte que atualmente não há tecnologia para seu cultivo e não foram feitas estimativas seguras de sua produtividade e custo de produção. O fato de ser uma lavoura perene é uma enorme vantagem ao possibilitar a redução dos custos de produção e maior estabilidade quanto ao volume produzido em cada safra.

A produtividade da soja gira em torno de 410 kg/ha de óleo (CONAB, 2006), mas para essa cultura o espaço para crescimento da produtividade é limitado, pois seu sistema de produção já está muito avançado. O aumento da área plantada, visando ao fornecimento de óleo, pode provocar excesso de proteína, a qual teria o preço reduzido, diminuindo também a receita total do complexo soja. Caso o óleo consiga se tornar mais atraente que a proteína, existe a possibilidade de desenvolvimento em médio prazo de cultivares de soja com menos proteína e mais óleo.

Enfim, acreditamos que o Brasil tem capacidade para produzir óleos vegetais por um preço competitivo em grande quantidade para produção de biodiesel, podendo concorrer com o petróleo sem dependência de subsídios, como ocorre nos países desenvolvidos.

Liv Soares Severino

Moreira, J. R. Brazil’s experience with bioenergy. In: Hazell, P.; Pachauri, R. K. Bioenergy and Agriculture: promises and chalenges (Focus 14). International Food Policy Research Institute, dez/2006, Brief 8.

CONAB - Terceiro levantamento de avaliação da safra 2006/2007 (dez/2006). Disponível em www.conab.gov.br.
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