Ao se pensar no futuro do Programa Brasileiro de Biodiesel, não se pode esquecer que certamente haverá expressivo aumento de produtividade em todas as culturas oleaginosas fornecedoras de matéria-prima. Isso permitirá a produção de biodiesel a menor custo e com maior segurança para os agricultores e para a indústria.
A importante experiência adquirida no Brasil com o PROALCOOL, assim como a análise de programas de biocombustíveis em outros países, pode nos dar a certeza de que o aumento do volume de produção permitirá a redução dos custos do biodiesel. Esse efeito é fruto principalmente do aumento de produtividade na produção agrícola, mas também inclui melhorias na logística entre lavoura, indústria e consumidores, aperfeiçoamento da tecnologia industrial, além do previsível ganho de escala.
O início da produção de biodiesel não está sendo tão difícil, do ponto de vista econômico, quanto foi para a produção de álcool, pois para aquele a diferença de preço em relação à gasolina era muito maior. Mesmo sendo pequena a diferença, o biodiesel chegará às bombas um pouco mais caro (centavos em cada litro, talvez) e o consumidor será convidado a pagar a diferença - compulsoriamente - embora acredito que essa contribuição se reverterá em benefícios ao país e ao próprio consumidor muito rapidamente.
Utilizando a produção de etanol como referência, entre 1975 (início do PROALCOOL) e 2000, a produtividade da cana-de-açúcar aumentou 33%, a produção de etanol por unidade de sacarose aumentou 14% e a produtividade do processo de fermentação aumentou 130%; devido a estes avanços, o custo de produção de etanol no Brasil declinou à taxa anual de 3,8% entre 1980 e 1985 e de 5,7% entre 1985 e 2005 (Moreira, 2006). Atualmente, os custos de produção de etanol continuam caindo, enquanto o preço da gasolina tende a subir.
A produtividade média da mamona no Brasil foi de 670 kg/ha na safra 2005/2006 (Conab, 2006), resultando numa produtividade de óleo de apenas 302 kg/ha (considerando o rendimento de extração operacional de 45%). Com produtividade tão baixa é inviável fazer biodiesel de óleo de mamona. No entanto, sabe-se que há tecnologia já desenvolvida que permitiria obter produtividades muito mais altas. Em pesquisa a campo, facilmente se obtém produtividades entre 1.500 e 2.000 kg/ha em sequeiro na região semi-árida apenas pelo uso de cultivares e sistema de produção bem adaptados. Com uso de irrigação se pode chegar a 3.000 kg/ha. Nas Regiões Sudeste e Sul, se chega a 4.000 kg/ha quando se usa tecnologia apropriada. Entre os campos de pesquisa e as lavouras comerciais há uma óbvia diferença, mas os números demonstram que há um enorme espaço para aumento de produtividade e talvez até a produção de óleo de mamona mais barato que óleo de soja, o qual ultimamente teve expressivo aumento de preço.
A cultura do pinhão manso pode vir a ser outra opção de produção de óleo a baixo custo, pois diversas instituições de pesquisa do país estão empenhadas em desenvolver tecnologia para essa cultura, embora se alerte que atualmente não há tecnologia para seu cultivo e não foram feitas estimativas seguras de sua produtividade e custo de produção. O fato de ser uma lavoura perene é uma enorme vantagem ao possibilitar a redução dos custos de produção e maior estabilidade quanto ao volume produzido em cada safra.
A produtividade da soja gira em torno de 410 kg/ha de óleo (CONAB, 2006), mas para essa cultura o espaço para crescimento da produtividade é limitado, pois seu sistema de produção já está muito avançado. O aumento da área plantada, visando ao fornecimento de óleo, pode provocar excesso de proteína, a qual teria o preço reduzido, diminuindo também a receita total do complexo soja. Caso o óleo consiga se tornar mais atraente que a proteína, existe a possibilidade de desenvolvimento em médio prazo de cultivares de soja com menos proteína e mais óleo.
Enfim, acreditamos que o Brasil tem capacidade para produzir óleos vegetais por um preço competitivo em grande quantidade para produção de biodiesel, podendo concorrer com o petróleo sem dependência de subsídios, como ocorre nos países desenvolvidos.
Liv Soares Severino
Moreira, J. R. Brazil’s experience with bioenergy. In: Hazell, P.; Pachauri, R. K. Bioenergy and Agriculture: promises and chalenges (Focus 14). International Food Policy Research Institute, dez/2006, Brief 8.
CONAB - Terceiro levantamento de avaliação da safra 2006/2007 (dez/2006). Disponível em www.conab.gov.br.
A importante experiência adquirida no Brasil com o PROALCOOL, assim como a análise de programas de biocombustíveis em outros países, pode nos dar a certeza de que o aumento do volume de produção permitirá a redução dos custos do biodiesel. Esse efeito é fruto principalmente do aumento de produtividade na produção agrícola, mas também inclui melhorias na logística entre lavoura, indústria e consumidores, aperfeiçoamento da tecnologia industrial, além do previsível ganho de escala.
O início da produção de biodiesel não está sendo tão difícil, do ponto de vista econômico, quanto foi para a produção de álcool, pois para aquele a diferença de preço em relação à gasolina era muito maior. Mesmo sendo pequena a diferença, o biodiesel chegará às bombas um pouco mais caro (centavos em cada litro, talvez) e o consumidor será convidado a pagar a diferença - compulsoriamente - embora acredito que essa contribuição se reverterá em benefícios ao país e ao próprio consumidor muito rapidamente.
Utilizando a produção de etanol como referência, entre 1975 (início do PROALCOOL) e 2000, a produtividade da cana-de-açúcar aumentou 33%, a produção de etanol por unidade de sacarose aumentou 14% e a produtividade do processo de fermentação aumentou 130%; devido a estes avanços, o custo de produção de etanol no Brasil declinou à taxa anual de 3,8% entre 1980 e 1985 e de 5,7% entre 1985 e 2005 (Moreira, 2006). Atualmente, os custos de produção de etanol continuam caindo, enquanto o preço da gasolina tende a subir.
A produtividade média da mamona no Brasil foi de 670 kg/ha na safra 2005/2006 (Conab, 2006), resultando numa produtividade de óleo de apenas 302 kg/ha (considerando o rendimento de extração operacional de 45%). Com produtividade tão baixa é inviável fazer biodiesel de óleo de mamona. No entanto, sabe-se que há tecnologia já desenvolvida que permitiria obter produtividades muito mais altas. Em pesquisa a campo, facilmente se obtém produtividades entre 1.500 e 2.000 kg/ha em sequeiro na região semi-árida apenas pelo uso de cultivares e sistema de produção bem adaptados. Com uso de irrigação se pode chegar a 3.000 kg/ha. Nas Regiões Sudeste e Sul, se chega a 4.000 kg/ha quando se usa tecnologia apropriada. Entre os campos de pesquisa e as lavouras comerciais há uma óbvia diferença, mas os números demonstram que há um enorme espaço para aumento de produtividade e talvez até a produção de óleo de mamona mais barato que óleo de soja, o qual ultimamente teve expressivo aumento de preço.
A cultura do pinhão manso pode vir a ser outra opção de produção de óleo a baixo custo, pois diversas instituições de pesquisa do país estão empenhadas em desenvolver tecnologia para essa cultura, embora se alerte que atualmente não há tecnologia para seu cultivo e não foram feitas estimativas seguras de sua produtividade e custo de produção. O fato de ser uma lavoura perene é uma enorme vantagem ao possibilitar a redução dos custos de produção e maior estabilidade quanto ao volume produzido em cada safra.
A produtividade da soja gira em torno de 410 kg/ha de óleo (CONAB, 2006), mas para essa cultura o espaço para crescimento da produtividade é limitado, pois seu sistema de produção já está muito avançado. O aumento da área plantada, visando ao fornecimento de óleo, pode provocar excesso de proteína, a qual teria o preço reduzido, diminuindo também a receita total do complexo soja. Caso o óleo consiga se tornar mais atraente que a proteína, existe a possibilidade de desenvolvimento em médio prazo de cultivares de soja com menos proteína e mais óleo.
Enfim, acreditamos que o Brasil tem capacidade para produzir óleos vegetais por um preço competitivo em grande quantidade para produção de biodiesel, podendo concorrer com o petróleo sem dependência de subsídios, como ocorre nos países desenvolvidos.
Liv Soares Severino
Moreira, J. R. Brazil’s experience with bioenergy. In: Hazell, P.; Pachauri, R. K. Bioenergy and Agriculture: promises and chalenges (Focus 14). International Food Policy Research Institute, dez/2006, Brief 8.
CONAB - Terceiro levantamento de avaliação da safra 2006/2007 (dez/2006). Disponível em www.conab.gov.br.
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