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Custo de produção de Biodiesel

O custo de produção envolve custos com matéria-prima (óleo vegetal e álcool), catalisador, mão-de-obra, energia, custos administrativos e financeiros (custos de capital), além da margem do produtor.

As estimativas de preço para biodiesel podem variar bastante. Pelas estimativas do International Energy Agency (IEA), a escala pode afetar em 25% o custo final do biodiesel, enquanto que o preço da matéria prima pode representar diferenças de até 50% do custo final.

A seguir nesta página, os aspectos que devem ser levados em consideração, em relação aos custos, ao se pensar em produzir biodiesel, quais os gastos que devem ser analisados para facilitar o entendimento do custo total de biodiesel, um apanhado de diversos estudos que analisam os custos de produção, e outras informações importantes para quem pensa em entrar nesse setor.   

 Há muita controvérsia a respeito do preço final efetivo do biodiesel para o consumidor. A diferença entre as matérias-primas utilizadas na produção, assim como a escala da planta de transesterificação e a incidência tributária no produto, podem resultar em grandes distinções de custo. Essas distinções podem inclusive gerar resultados contraditórios na comparação com o preço do diesel mineral, tornando a análise muito difícil. Abaixo está um apanhado dos estudos existentes, para se ter uma idéia de quais forças atuam na composição do preço do produto.

O custo de produção envolve custos com matéria-prima (óleo vegetal e álcool), catalisador, mão-de-obra, energia, custos administrativos e financeiros (custos de capital), além da margem do produtor. Para facilitar o entendimento do custo total do biodiesel, pode-se separar a etapa agrícola, composta pela plantação e esmagamento, da industrial. Deduzindo o custo da etapa agrícola do custo de produção, obtém-se dois custos distintos: o custo do  óleo e o custo de conversão. Já o custo de distribuição envolve custos de pós-produção, tais como transporte, mistura com óleo diesel, estocagem e revenda. A tributação pode-se tornar definitiva para a implementação do projeto, como principal mecanismo de atratividade, capaz de tornar o custo final do biodiesel inferior ao do diesel mineral.

Na Europa e nos Estados Unidos o custo do biodiesel é hoje uma e meia a três vezes maior do que o diesel mineral. Não há previsão de reduções importantes desse custo no futuro. O biodiesel é justificado por externalidades positivas como o meio ambiente, geração de emprego, segurança e balanço de pagamentos. O mesmo ocorreria no Brasil; com exceção possível no caso da mamona e pinhão manso ou algumas oleaginosas que poderiam evoluir muito com a pesquisa agrícola. Contudo, é preciso conhecer de modo mais detalhado os custos atuais e esperados no futuro. Além de valorizar externalidades positivas importantes como a geração de empregos e renda, é importante dimensionar os níveis de subsídios necessários, decidir sobre a adequação, ou considerar alternativas.

A Figura abaixo apresenta as cotações do mercado internacional de óleo de soja refinado, na unidade dólares americanos por barril, para permitir a comparação com o preço do petróleo. Verifica-se, no nos últimos 15 anos, que o preço médio é de US$69,00/barril, incorporando refinamento, frete internos e outros custos de comercialização. Considera-se que um deságio de US$10,00 seria razoável para eliminar eventos na formação do preço do óleo de soja (comestível) não incidentes na cadeia de energia, ao tempo em que são agregados os custos de obtenção do biodiesel. Dessa forma, obtém-se um valor em torno de US$60,00 para o barril de petróleo, em que a obtenção de biodiesel seria competitiva, postas as condições atuais de desenvolvimento tecnológico, capacidade gerencial, escala de produção, tamanho de mercado, instalações industriais, custos de capital e outros custos fixos, tributação, entre outras. Por comparação com a curva de aprendizagem no etanol, nos últimos 30 anos, infere-se que este valor possa ser reduzido de forma apreciável, no médio prazo. Como referencial, um estudo da ABIOVE aponta o valor internalizado do biodiesel (antes da tributação) como sendo de US$1,00/l, comparativamente a US$0,97 do petrodiesel, sendo que o break even competitivo do biodiesel de soja ocorre com a cotação internacional do óleo de soja abaixo de S$480,00/t, vigente na safra 2005, o que equivale ao câmbio de 21/7/2005, a R$1,20/L.

Cotação do óleo de soja:
cotação óleo de soja

Uma análise preliminar do custo de produção do éster de óleo de mamona pode ser demonstrado como:
Matéria prima: R$ 600,00 a tonelada da mamona, 10% acima do preço mínimo praticado no nordeste. A mamona, no nordeste, tem um preço mínimo de R$ 30,00 a saca de 60 quilos. Trabalha-se, aqui com R$ 36,00, 20% acima do preço mínimo. O etanol anidro 65 quilos, a R$ 0,90. A título de processo, 20% sobre a matéria prima. O dispêndio final seria de R$ 801,00. Creditando-se da valoração da polpa, são 310 quilos de polpa, 200 quilos de casca e 50 quilos de glicerina, perfazendo uma receita de R$ 376,00. Assim, R$ 801,00 - R$ 376,00 = 425,00. Este valor dividido pelos 560 litros de biodiesel produzidos a partir de 1 tonelada de mamona, teria-se um custo de R$ 0,76.

Para o éster de óleo de soja a estrutura de custo indica um valor de custo por litro de biodiesel, sem impostos, de R$ 1,27 em plantas integradas às unidades esmagadoras no sudeste e de R$ 1,19 no centro-oeste. As diferenças de custos aparentemente não são tão grandes. Isto depende do mercado, tanto do etanol como do metanol.

Estudo: ABIOVE
Um estudo feito pela ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) estimou o custo do biodiesel a partir da cotação internacional do óleo de soja. Certas premissas foram adotadas, tais como a quantidade de fatores utilizados, o tamanho da lanta de produção, o custo do frete e da tancagem do óleo e a cotação da glicerina bruta no mercado nacional, que entra como crédito no processo. Tais premissas foram baseadas em estudos práticos na produção de biodiesel. As cotações internacionais adotadas foram adaptadas para a realidade do Brasil, já que muitos dos fatores de produção podem ser encontrados no mercado nacional a preços mais competitivos. Por exemplo, o preço do óleo de soja utilizado é o da bolsa de Chicago (Chicago Board of Trade - CBOT).

É possível chegar, com isso, a um custo final provável para a produção do biodiesel, capaz de ser comparado ao custo do diesel. O estudo foi feito dividido em duas partes: uma utilizando metanol e outra etanol, durante o processo de transesterificação. A comparação é feita com o preço médio do óleo diesel na bomba, em junho de 2004 no estado de São Paulo, conforme o item anterior.

A infra-estrutura existente na distribuição de diesel mineral permite que não haja grandes diferenças no custo de pós-produção para o biodiesel. Os únicos custos adicionais são compostos pela adequação dos equipamentos de estocagem e de transporte, que não afetam o preço final do produto comercializado em larga escala. O custo de distribuição e de revenda do biodiesel pode ser considerado o mesmo que o do diesel, ou seja, R$ 0,22 por litro.

Este modelo é baseado puramente no biodiesel produzido da soja, enquanto que o projeto do governo prevê que 50% do total produzido será proveniente do óleo de mamona.  Há diferenças entre as cotações dos outros óleos vegetais (como o girassol, o dendê, a palma, etc.), que tornam o preço final do produto diferenciado. Além disso, existe também o biodiesel produzido através de óleos residuais, tais como frituras de lanchonetes e supermercados, que entram na função de produção como um crédito. Isso ocorre porque os produtores de biodiesel estariam recebendo dinheiro para descartar os resíduos para tais estabelecimentos. O custo final seria extremamente menor do que o do óleo diesel. Porém, as limitações de oferta não tornam este cenário sustentável em escala industrial.

O gráfico abaixo demonstra o valor renunciado, por litro. Foram adotadas as premissas de que a margem de lucro na produção de óleo diesel da Petrobras gira em torno de 4%, e a margem aceitável para o produtor de biodiesel é de 10%.

Comparação entre os preços do diesel e biodiesel

Portanto, conclui-se que o biodiesel só se torna de fato competitivo economicamente com o diesel mineral se for adotado um regime de desoneração tarifária, ao menos por um certo período, até que se tenha uma redução dos custos decorrentes da escala e do aprendizado. O subsídio do governo seria dado a partir da renuncia à receita tributária, relativa a parcela de diesel substituída.

Curva de aprendizado

Outro fator que deve ser levado em consideração é a chamada “Curva de Aprendizado”. O desempenho da produção do biodiesel em escala industrial deve melhorar com a prática, reduzindo o custo do produto no médio prazo. A curva de aprendizado do álcool pode ser semelhante à do biodiesel. Desde a implantação do Pró-Álcool, os custos de produção do etanol caíram quase 75%.

Produção, produtividade e custos de soja , girassol e mamona e cotações internacionais de óleos vegetais:

Preços dos Óleos vegetais


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