Brasil

Biodiesel na Região Norte


BiodieselBR - 28 jan 2006 - 23:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Na Amazônia, em toda a bacia do rio Amazonas e seus afluentes, compreendendo os Estados do Amazonas e Pará, e parte dos estados circunvizinhos,  predomina a hiléia, com clima úmido equatorial. Essa região, em geral, não possui vocação para as culturas temporárias, uma vez que o solo fértil é de pequena profundidade e que a elevada taxa de pluviosidade ocasiona excessiva erosão.

A Amazônia tem apresentado excelentes resultados na produção de oleaginosas de palmeiras, das quais se destaca o dendê, com produtividade que pode ser superior a 5.000 kg de óleo por hectare por ano. Muitas outras espécies oleaginosas nativas espalhadas pela região poderiam abastecer pequenas unidades industriais, conferindo autosuficiência local em energia, constituindo o que se poderia conceituar de “ilhas energéticas”.

É oportuno salientar que a maior parte da energia elétrica utilizada na região amazônica é oriunda do óleo diesel e do óleo combustível e que o custo do transporte desse óleo para localidades remotas é excessivamente elevado, podendo chegar a três vezes o custo do próprio combustível.

Assim essa região é caracterizada pela elevada dependência em relação ao óleo diesel para a alimentação de geradores estacionários, bem como de embarcações fluviais, o único empreendimento já registrado é o da Agropalma, uma grande empresa produtora de óleo de palma e que instalou unidade de esterificação de ácidos graxos, residuais no processo de refino do óleo. Essa planta, com capacidade para produção de 8 mil toneladas de biodiesel por ano, utiliza o etanol como reagente.

Desse modo, é pouco provável que a Região Norte consiga atingir a auto-suficiência até 2008, uma vez que a capacidade instalada atual atenderia a pouco mais de 10% do volume de biodiesel necessário, e a região consome pouco mais de 3 milhões de toneladas de óleo diesel por ano. Um desafio é a produção descentralizada de biodiesel, pela rota de craqueamento, para abastecimento direto das comunidades isoladas, que produziriam a matéria-prima e efetuariam a transformação.

A Região Norte tem algumas características peculiares: detém a maior extensão territorial e possui grande parte do território coberta por floresta nativa. A exceção é o Estado de Tocantins, além das áreas de cerrado nos Estados de Rondônia, Pará e Roraima. A Amazônia concentra uma grande variedade de espécies nativas, inclusive palmáceas, que podem contribuir para a redução da dependência em relação ao diesel a partir da organização produtiva das comunidades locais, seja em regime de extrativismo simples ou de exploração agro-florestal. Além disso, a Região dispõe de uma área, já desmatada, superior a 5 milhões de hectares, com aptidão para o cultivo da palma africana ou dendê.

Destaque-se que o Estado do Pará é o maior produtor de óleo de palma, com produção anual de 100 mil toneladas, numa área cultivada de 50 mil hectares. Como boa parte dessas lavouras ainda não atingiu maturidade (começam a produzir a partir do quarto ano, mas atingem a maturidade a partir do sétimo, mantendo elevados níveis de produtividade até o décimo sétimo ano, com uma vida útil de aproximadamente 25 anos) a produtividade ainda é crescente e o potencial agronômico é de até 40 toneladas de cachos por hectare, com um rendimento de 22% em óleo.