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Cátia Franco, de São Paulo
Criado para ser a contrapartida social dentro da cadeia de biodiesel, o Selo Combustível Social segue aquém das suas potencialidades. Os dados levantados por BiodieselBR junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) revelam que a quantidade de famílias incluídas caiu pelo segundo ano consecutivo.
No ano passado, as usinas de biodiesel fizeram compras de 85.767 famílias – queda de 7,5% em relação às 92.673 registradas em 2012. A retração é ainda maior quando se compara o resultado de 2011 – ano em que o programa computou o maior número famílias inseridas desde que foi implementado. Nesse caso, a queda foi de 18%.
Sintomaticamente, quem encabeça a baixa é o Nordeste – justamente a região que é o alvo da iniciativa. De 2012 a 2013, o número de famílias nordestinas inseridas despencou quase pela metade, de 25.210 para 12.949, reflexo da menor fidelização dos agricultores.
O Sudeste também registrou diminuição, porém em umaquantidade mais contida: de 2.378 para 2.287 famílias.
Crescimento
Nas demais regiões do país, o número de agricultores familiares inseridos no programa cresceu, mas não a ponto de compensar a brusca retração observada no Nordeste.Somando o crescimento do Norte, Centro-Oeste e Sul 3.433 produtores rurais a mais foram integrados ao programa no ano passado – um número quase quatro vezes menor que a redução no número de agricultores familiares do Nordeste.
A região Norte foi a que apresentou o crescimento mais notável em 2013. O número de agricultores familiares inseridos no Selo quintuplicou. Ainda assim, o Norte tem a menor representatividade no Selo Social, com somente 327 famílias – incríveis 192 vezes menos que os 63 mil agricultores do Sul.
Fator soja
O levantamento feito pelo MDA revela ainda que em 2013 o Selo movimentou recursos como nunca. As usinas desembolsaram R$ 2,85 bilhões para adquirir matérias-primas oriundas da agricultura familiar – alta superior a 35% em relação a 2012. A região Sul representou 76,7% das compras efetuadas no ano passado, totalizando pouco menos de R$ 2,2 bilhões. Na outra ponta estão o Norte e Nordeste, que abocanharam, respectivamente, 0,3% e 0,04% do total faturado – R$ 8,2 milhões e R$ 1,2 milhão.Em termos absolutos, os valores gastos pelas usinas com a aquisição de matérias-primas produzidas pelos agricultores do Norte e Nordeste até aumentou em 2013. Mesmo assim, percentualmente as duas regiões registram a menor participação no faturamento de toda a história do programa.
Enquanto a participação das regiões menos favorecidas do país vem caindo nos últimos anos, a do Sul e do Centro-Oeste crescem. E a explicação para isso está na soja. Do total gasto pelas usinas para adquirir matéria-prima no ano passado, R$ 2,79 bilhões foram destinados à compra de soja em grão.
Em termos de volume, a soja em grão representou quase 99% da matéria-prima comprada pelas usinas – um total de 2,76 milhões de toneladas.
Agora, o dado mais desconcertante trazido pelo levantamento do MDA nesse sentido é que a segunda matéria-prima mais adquirida pelos produtores de biodiesel por intermédio do programa é o óleo de soja. Em 2013, as usinas despenderam R$ 46 milhões (o equivalente a 1,6% do faturamento do Selo) para comprar 20,5 mil toneladas de óleo de soja.
Sendo assim, a soja e seu óleo corresponderam no ano passado a 99,6% de todos os recursos emplacados na aquisição de matérias-primas — recorde de compra da oleaginosa e seu principal derivado no histórico do Selo.
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Vencedores
Favorecidos pela predominância da soja no mix de matérias-primas usadas na fabricação de biodiesel, os produtores do Sul têm visto sua participação no Selo crescer ano a ano. A participação dos agricultores do Sul no fornecimento de matéria-prima para as usinas, que em 2008 era de cerca de 52%, saltou para 73,4% – percentual correspondente a uma aquisição de mais de 2 milhões de toneladas.Por outro lado, o volume de compras mais baixo foi do Nordeste, onde o carro-chefe das compras pelo Selo é a mamona. Em 2013, apenas 720 toneladas da oleaginosa foram negociadas com os agricultores nordestinos, que receberam um valor inferior a R$ 1,2 milhão. A venda efetuada pelos produtores do Nordeste por intermédio do Selo Social lhes possibilitou uma renda média de R$ 91,28.
Já os agricultores do Centro-Oeste foram, disparados, os campeões em renda com o programa, com faturamentos médios superiores a R$ 102,5 mil.

