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Glicerina mais barata

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Com mais biodiesel sendo produzido, as cotações do seu principal coproduto tendem a se reduzir
Edição de Ago / Set 2014 3 min de leitura
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Com mais biodiesel sendo produzido, as cotações do seu principal coproduto tendem a se reduzir

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Com mais biodiesel sendo produzido, as cotações do seu principal coproduto tendem a se reduzir


Fábio Rodrigues, de São Paulo

Oferta e demanda. Dentro da teoria econômica, essa é uma lei tão implacável quanto a gravidade é para a física. Em resumo: produtos com baixa oferta e alta demanda tendem a ser caros, enquanto os com alta oferta e baixa demanda tendem a ser baratos. Em breve o setor de biodiesel vai poder ver esse mecanismo em funcionamento à medida que as ondas de choque do B6 e do B7 se propagarem pelo mercado da glicerina.

Principal coproduto da fabricação de biodiesel – para cada litro de biodiesel são produzidos, mais ou menos, 100 ml de glicerina –, a venda de glicerina se tornou uma parte importante no faturamento das usinas. Antes da adição de biodiesel se tornar obrigatória, em 2007, as exportações brasileiras do produto somavam apenas US$ 2,5 milhões e dispararam até chegar a US$ 59,8 milhões no ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A questão é menos se a queda virá do que de quanto ela será. Olhando o passado é possível esperar o pior. Em 2008, ano de lançamento do B2, a tonelada de glicerina exportada valia em média US$ 377,73 (considerando as vendas de glicerol bruto e do produto destilado). Já, em 2009, a cotação havia caído para US$ 126,81.

Há quem espere que desta vez não será tão ruim. O gerente da Aboissa Óleos Vegetais, Felipe Camargo, avalia que o mercado se tornou mais maduro nos últimos anos. Por isso, ele acredita que o mercado não terá tanta dificuldade em se ajustar ao novo patamar de oferta. “Hoje, eu não acredito que o B7 trará dificuldades na comercialização de glicerina”, afirma.

Essa opinião não é consenso. Embora reconheça que há um crescimento na demanda, a diretora da Lumina Trading, Carla Vilas Boas, aponta que os preços já estavam em queda desde o começo do ano em função do mercado chinês estar com estoques elevados. “Houve um crescimento de mercado, mas uma boa parte desse volume ainda está estocada.”

Segundo a empresária, o desempenho do mercado de glicerina vai depender de outro produto: a epicloridrina. Essa substância pode ser fabricada a partir do glicerol e tem como destino a produção de resinas epóxi. A China tem investido bastante na produção a partir da glicerina. “Vai depender do desempenho de novas plantas de epicloridrina na China”, resume Carla.
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