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O futuro do biodiesel pode ser a mistura de matérias-primas

coluna paulo - Cópia
O futuro do biodiesel pode ser a mistura de matérias-primas
Edição de Ago / Set 2014 3 min de leitura
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O futuro do biodiesel pode ser a mistura de matérias-primas


A distinção entre um óleo e uma gordura é o seu estado físico na temperatura ambiente (25°C), quando o primeiro permanece líquido e o segundo, sólido ou pastoso, independentemente de a origem ser animal, vegetal ou microbiana. Por trás dessa diferença no comportamento estão os tipos de compostos químicos presentes, sendo os óleos formados essencialmente por ácidos graxos insaturados ou poli-insaturados e as gorduras majoritariamente de saturados. Essa composição química diferente determina outras propriedades dos óleos e gorduras, sendo uma das mais afetadas a estabilidade oxidativa. Enquanto que ácidos graxos poli-insaturados são extremamente suscetíveis à oxidação, os saturados são pouco reativos frente ao oxigênio. Ao se transformar um óleo ou gordura em biodiesel, essas características permanecem, ou seja, um biodiesel produzido a partir de um óleo é suscetível à oxidação mas solidifica a temperaturas baixas, enquanto que os oriundos de gorduras são mais estáveis à degradação mas possuem temperaturas altas de solidificação. Neste sentido, o biodiesel ideal seria aquele produzido a partir de ácidos graxos monoinsaturados, encontrados majoritariamente no azeite de oliva ou no óleo de canola ou colza.

Como é de conhecimento de todos, por uma questão de mercado as principais matérias- -primas usadas no Brasil são a soja e o sebo, exemplos típicos de um óleo poli-insaturado e de uma gordura saturada. Resumindo, o biodiesel de soja é pouco estável frente à oxidação com oxigênio e o de sebo tende a solidificar em temperaturas altas, havendo, nos dois, dificuldades para especificar dentro dos parâmetros de qualidade exigidos. Assim, é estratégico encontrar soluções para especificar o biodiesel de soja e de sebo, principalmente neste momento em que estamos aguardando a chegada em novembro do B7 e vemos uma tendência clara da ANP em ajustar os parâmetros de qualidade do B100, como aumentar a estabilidade oxidativa de 6 para 8 horas.

Para viabilizar o uso de soja e sebo como matérias-primas para produção de um biodiesel que atende aos requisitos mínimos de qualidade, diversas propostas têm sido colocadas, como o uso de aditivos antioxidantes ou anticongelantes, hidrogenação parcial de óleos poli-insaturados e uso de blendas de biodieseis oriundos de matérias-primas diferentes. Uma tendência clara que temos visto no mercado brasileiro é o uso de misturas contendo biodiesel de soja e de sebo, fato relatado por diversos pesquisadores que têm analisado amostras de diferentes partes do país. Esta parece ser uma excelente solução, pois pode-se chegar a uma mistura com uma maior estabilidade oxidativa e com fluidez a baixas temperaturas sem custos adicionais, bastando apenas misturar ou as duas matérias-primas no processo ou os biocombustíveis obtidos separadamente.

* Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.
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