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A imprensa do mundo inteiro destacou o 5º capítulo do relatório sobre aquecimento global do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU, divulgado no final de março. O documento mostra que as temperaturas subirão entre 0,3ºC e 4,8ºC ao longo do século. Somada ao aumento de 0,7ºC verificado desde o início da Revolução Industrial, a alta reduzirá o crescimento econômico do planeta em 0,2% a 2% ao ano.
Não se trata de futuro. Isto está acontecendo agora, lá fora, enquanto você lê este texto. E o grande vilão, como o IPCC já indicara antes, são as emissões de gases de efeito estufa, sobretudo o gás carbônico. Diminuir suas emissões – diz o IPCC – é o caminho.
Na semana do anúncio na ONU, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura (Mapa) enviou ao titular da pasta, Neri Geller, um ofício pedindo apoio à proposta de evolução do novo marco regulatório do biodiesel, com aumento imediato para 7% do teor da mistura do biocombustível no diesel fóssil.
A correspondência ao ministro relata também como o biocombustível contribui para o Brasil reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O Ministério do Meio Ambiente defende a vigência do B10 (10% de mistura) como fundamental para o país atingir as metas voluntárias de redução de emissões assumidas em 2009 na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague.
A produção de biodiesel emite 70% menos CO² que o processamento do óleo mineral. E na combustão, a emissão cai em 60%. No mesmo sentido, a diversificação das matérias-primas já é uma realidade, com o emprego de 500 mil toneladas de sebo bovino e 30 milhões de litros de óleo de cozinha reutilizado.
Além de alinhado com o IPCC, o ofício da Câmara ao Mapa mostra como esses benefícios ambientais que a ONU tanto proclama ajudam ainda no desempenho da balança comercial do Brasil, que terminou o primeiro trimestre do ano com o pior déficit da história para o período, de US$ 6 bilhões. O superávit de US$ 112 milhões em março não ajudou a arrefecer o impacto negativo da notícia para o comércio internacional do país. Apesar de ser o primeiro mês de 2014 a fechar no azul, o desempenho foi o pior desde 2001.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior atestam que em 2013 o Brasil importou 10,5 bilhões de diesel fóssil, pelos quais desembolsou US$ 8,3 bilhões. O valor corresponde a três vezes o saldo da balança comercial em todo o ano passado, de US$ 2,6 bilhões. O aumento da mistura dos atuais 5% de biodiesel por litro de diesel (B5) para o B7 reduziria em 1,2 bilhão de litros as importações de diesel pelo país, numa economia de US$ 1 bilhão.
Nem a melhora da conta petróleo comparada a seu desempenho no primeiro trimestre do ano passado contribuiu para melhorar a situação. As operações negativas de compra e venda de óleo cru e seus derivados reduziram as despesas em US$ 1,26 bilhão, mas o déficit de US$ 1,52 bilhão em outros itens puxou o resultado final para baixo.
* Erasmo Carlos Battistella é presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil – Aprobio; diretor-presidente da BSBIOS e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola – Abrascanola
