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Cátia Franco, de São Paulo
Entre outubro e novembro, quatro usinas conseguiram autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para exportar o biodiesel que produzem. São elas: a Cargill, de Três Lagoas (MG); a Delta Biocombustíveis, de Rio Brilhante (MS); a Brejeiro, de Orlândia (SP); e a unidade da BSBios em Marialva (PR).
Com isso, já somam 19 as usinas autorizadas pela ANP a embarcar biodiesel para fora do país. Somadas, as capacidades dessas plantas revelam um potencial produtivo nada desprezível, de praticamente 4 bilhões de litros por ano.
Chama a atenção o fato de que mais da metade das usinas brasileiras com autorização de exportação estão no topo do ranking nacional de fabricantes – 12 delas estão entre as 20 maiores do mercado e 16 têm capacidade superior a 100 milhões de litros por ano. Isso parece indicar que tamanho importa na hora de disputar o mercado internacional.
Contexto
A aposta na exportação é impulsionada por um contexto de sobreoferta de biodiesel no país e pela novela do aumento da mistura compulsória – que, apesar dos recentes sinais positivos por parte do governo, ainda não tem data prevista para acabar.Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar aumenta a competitividade das exportações brasileiras. E há a crença de que a recente imposição de tarifas às exportações de biodiesel da Argentina e da Indonésia por parte da União Europeia crie uma janela de oportunidade para que outros países exportem para o bloco.
Protecionismo
Durante a mais recente edição da Conferência BiodieselBR, o vice-presidente sênior da Evonik, José Berges, alertou para o incremento do protecionismo da indústria europeia de biodiesel. Segundo ele, é mais interessante investir no aumento da mistura obrigatória que no mercado de exportação.As notícias que chegam da Europa evidenciam que, de fato, medidas contra o biodiesel produzido fora do bloco só têm crescido.
