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Fábio Rodrigues, de São Paulo
A comunidade científica brasileira acaba de receber um belo incentivo para ampliar seus esforços no desenvolvimento de inovações para o segmento de biodiesel. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) está colocando expressivos R$ 36,8 milhões à disposição dos pesquisadores dispostos a se debruçar sobre alguns dos principais gargalos do segmento por meio de dois editais publicados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A ideia do ministério parece ser colocar de vez o Brasil na vanguarda da pesquisa relacionada ao biocombustível e, de quebra, avançar sobre a produção de microalgas com finalidades energéticas.
O primeiro desses editais, no valor de R$ 25,6 milhões, foi publicado em meados de agosto. Ele trata principalmente das tecnologias mais consolidadas de produção do biocombustível. Foram abertas linhas para o estudo de novos sistemas de produção que permitam o aproveitamento de matérias-primas hoje consideradas substandard pela indústria – como óleos ácidos e óleos e gorduras residuais –, e, portanto, mais baratas; e para pesquisas relacionadas a oleaginosas alternativas e/ou diesel renovável fabricado a partir da cana-de- -açúcar.
Além desses dois temas, também há dinheiro para pesquisar tecnologias que permitam melhorias no controle de qualidade do biodiesel. Os recursos podem ser usados para aprimorar testes que tornem mais fácil acompanhar a qualidade do produto em várias etapas da cadeia ou para a criação de novos aditivos que melhorem características-chave, como a estabilidade oxidativa ou o ponto de entupimento.
Microalgas
Pouco mais de um mês depois dessa primeira chamada, o MCTI publicou um segundo edital que coloca R$ 11,2 milhões à disposição de pesquisas relacionadas ao aproveitamento de microalgas. Embora o biodiesel também seja um dos focos, neste caso o escopo é um pouco mais largo, definido como “biocombustível e bioprodutos de alto valor agregado”.Pouco menos de metade desses recursos (R$ 5 milhões) serão destinados a projetos que incluam a construção de plantas piloto para a produção de microalgas. O desenvolvimento de sistemas produtivos eficazes de biomassa tem sido um dos principais entraves para que as algas se tornem uma matéria-prima viável para o setor de biocombustíveis. O restante do dinheiro vai para atividades mais relacionadas com pesquisa básica em áreas como prospecção e identificação de novas variedades de algas de interesse industrial, ou a melhoria genética de variedades já identificadas.
