BiodieselBR
Publicidade

Os anos que virão

coluna aprobio
O planeta Terra voltou a se aquecer da mesma forma que tanto preocupou o mundo inteiro no início do milênio. Depois do chamado “hiato”, quando as temperaturas começaram a baixar dos 0,6ºC adicionais, pico atingido no ano 2000, a espiral está de volta na tendência de alta, entre os 0,4ºC e 0,6ºC.
Edição de Out / Nov 2013 3 min de leitura
coluna aprobio
O planeta Terra voltou a se aquecer da mesma forma que tanto preocupou o mundo inteiro no início do milênio. Depois do chamado “hiato”, quando as temperaturas começaram a baixar dos 0,6ºC adicionais, pico atingido no ano 2000, a espiral está de volta na tendência de alta, entre os 0,4ºC e 0,6ºC.

As Nações Unidas anunciaram no final de setembro que o seu Painel Intergovernamental de Mudança Climática identificou a retomada do aquecimento global em grau de alerta, assim como o aumento acelerado do nível dos oceanos como consequência do derretimento do Ártico.

A causa, todos sabemos, é a ação do homem e, em particular, dos governos que não controlam suas emissões de gases poluentes. O relatório da ONU salienta, sobretudo, o dióxido de carbono (CO2), o nosso conhecido gás carbônico que tanto polui as grandes metrópoles do mundo.

No pior cenário, a temperatura da Terra crescerá 1,5ºC ao final deste século, e no melhor, as emissões de CO2 atingem um pico daqui a dez anos e depois sofrem um corte para perto de zero. As probabilidades de o primeiro caso acontecer, dizem os cientistas do Painel Intergovernamental, são de 66%. Mas do segundo, cá entre nós, o que estará perto de zero é a possibilidade do corte nas emissões efetivamente acontecer.

Nesse cenário, que muitos refutaram como alarmismo de ativistas ambientais, as fontes renováveis de energia e os biocombustíveis – ativos da chamada economia verde – têm um papel fundamental a exercer, se os governos, claro, assim o permitirem.
A concentração de gás carbônico, afirma a ONU, é 40% superior à da época anterior à Revolução Industrial, e vem piorando sem parar nos últimos 22 anos. Ou seja, seis anos antes de 38 dos países mais poluidores do mundo assinarem o Protocolo de Kyoto, a situação já começava a ficar grave.

Mas 16 anos depois do compromisso assumido, quase nada se viu de ações concretas. Uma das metas era reduzir em 5,2% as emissões de CO2 entre 2008 e o ano passado. Pois justamente entre 2008 e 2011, um ano antes, o uso de biodiesel no Brasil reduziu as emissões do gás em 11 milhões de toneladas-equivalentes, como atestou estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, por encomenda da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).

A Fundação Getúlio Vargas já comprovara os benefícios do emprego do biodiesel, que emite 57% menos gases de efeito estufa e, com a evolução do uso, pode reduzir as emissões de CO2 em 8% com o B10 (10% de mistura) e em 12% se chegarmos a um mercado de B20.

E o biodiesel brasileiro agora começa a limpar o ar de outras partes do mundo, depois que começamos a exportá-lo para a Europa. Embora seja signatário do Protocolo de Kyoto, o Brasil não tem metas a cumprir na redução das emissões, mas não será demais dar o exemplo. Afinal, o país que está licitando a maior jazida de petróleo do mundo na camada pré-sal não pode abrir mão de fomentar, também, suas enormes fontes renováveis de energia.

* Erasmo Carlos Battistella é presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil – Aprobio; diretor-presidente da BSBIOS e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola – Abrascanola
Compartilhar:

Artigos relacionados