A agricultura familiar que não participa do programa brasileiro de biodiesel faz falta nas estatísticas que definem os fracos resultados alcançados pela iniciativa do governo. As dificuldades e os desafios que apareceram nesses anos todos geraram uma certa desmotivação. A iniciativa, fracassada em partes, pois deu certo onde a agricultura já era próspera, notadamente no Sul e no Centro- Oeste, deixou a sensação de que, nas demais regiões, o esforço teria que ser desproporcional.
Os números estagnados mostram que as oportunidades precisam ser aproveitadas, onde elas estiverem. E o programa da palma de óleo é exatamente uma delas. A iniciativa pode levar desenvolvimento sem precedentes para a região Norte do país, e a agricultura familiar pode desempenhar um papel importante nesta transformação.
Mas não é o que está acontecendo. De um lado estão as empresas lá instaladas, interessadas e precisando de mão de obra. De outro, um programa que se voltou para a pesquisa e deixou o campo à mercê do gerenciamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
O ministério é exatamente o responsável maior por garantir que esta nova fronteira que se abriu dentro do PNPB seja ocupada levando em conta os objetivos originais de inclusão social.
Para isso, possui uma iniciativa de conceito muito interessante, conhecida como Polos de Biodiesel. Os polos têm uma atuação bem regionalizada, para compreender em toda sua magnitude os desafios de cada microrregião, estimulando as discussões e reportando tudo para que o MDA possa tomar a decisão certa, alinhada com os objetivos do PNPB e do programa Palma de Óleo.
Contudo, o Norte do país possui apenas um polo, e pouco se sabe sobre sua atuação, assim como a de qualquer outro polo. O ministério é reconhecidamente avesso quando se trata de divulgar números e mostrar transparência. O que esse polo está produzindo de informações? Quais ações já foram tomadas? Qual o potencial da região se o estímulo certo for dado e o programa Palma de Óleo deslanchar?
Grandes apostas como a da Vale e da Petrobras caminham juntas com as de empresas que, neste momento, põem à prova o modelo, como ADM e Oleoplan. O eventual sucesso destes testes deve atrair o interesse de empresários do mundo inteiro. E, convenhamos, o Selo Social não está em posição de dispensar oportunidades.
Julio Cesar Simczak Vedana
Diretor de Redação