

Participação da soja no mix de matérias-primas do biodiesel brasileiro aponta para baixo

Participação da soja no mix de matérias-primas do biodiesel brasileiro aponta para baixo
Patrícia Herman, de Curitiba
O reinado da soja na indústria do biodiesel pode não ser tão absoluto quanto se supunha. No mês de setembro, a participação do óleo de soja no mix de matérias-primas do biodiesel brasileiro ficou em 73,44%, o valor mais baixo para um mês de setembro desde que o uso de biodiesel virou obrigatório. O dado foi publicado na edição de outubro do Boletim Mensal de Biodiesel da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que, de quebra, mostra o quarto mês consecutivo de declínio no peso relativo do óleo de soja em relação a outra fontes de biodiesel.
O valor de setembro não foi o menor registrado para o produto em 2012: em fevereiro, o percentual havia ficado em 71%. Mas os números parecem indicar que o óleo de soja deva fechar o ano com uma participação inferior a 80%, algo que nunca aconteceu depois que o B5 foi implementado.
O movimento de queda começou a se delinear no mês de maio, quando a participação do óleo de soja foi de 80,09%, e vem se mantendo firme desde então.
No dado parcial do ano até setembro, a soja representou menos de 77% dos 1,97 bilhão de litros de biodiesel fabricados no Brasil. Tanto o sebo bovino quanto o óleo de algodão apresentaram um crescimento importante sobre a participação que tiveram no mesmo período de 2011: o sebo passou de 11,98% para 16,43% e o algodão de 2,33% para 4,46%.
Diferentemente do que ocorreu no mês anterior, em setembro o sebo bovino chegou a desbancar o óleo de soja como matéria-prima predileta das usinas do Sudeste – 42,79% do sebo contra 41,04% da soja. Quem também teve um grande crescimento na região foi o algodão, aumentando a sua participação de 2,91% em agosto para 10,82% em setembro.
Considerando que o Brasil teve uma quebra importante da safra de soja no começo do ano, e com o mercado entrando no período mais agudo da entressafra, há pouca chance de que a participação da oleaginosa volte a crescer antes do início da colheita 2012/2013. O desafio para o setor será manter a queda no uso da soja no ano da supersafra de soja.