UNIÃO EUROPEIA - Benefícios do biodiesel em dúvida

Pode ser que o biodiesel não seja tão verde quanto se pensava. Ao menos é o que uma série de estudos da União Europeia vem indicando. O questionamento surge com a adoção do conceito de “mudança indireta no uso da terra” (ILUC, na sigla em inglês). Os cientistas não têm certeza do tamanho do problema, mas, quando devidamente computados, os impactos indiretos do biodiesel praticamente anulam seus benefícios. Como o crescimento do biodiesel está intimamente ligado aos esforços governamentais para a redução das emissões de carbono, essa análise pode jogar um balde de água fria no segmento. Os produtores argumentam que a teoria ainda é muito nova e incerta e que é preciso ter cuidado ao usá-la para orientar a tomada de decisões.

EM GUERRA - Espanha versus Argentina

Argentina e Espanha estão no meio de uma disputa sobre o mercado de biodiesel. Em junho, a Associación de Productores de Energías Renovables (Appa), maior entidade representativa dos produtores de combustíveis renováveis da Espanha, reclamou publicamente do que considera “pressões intoleráveis” do governo argentino contra um programa que cria cotas de mercado para as usinas espanholas. Cerca de 60% do biodiesel consumido na Espanha é importado e três quartos desse volume vêm da Argentina e da Indonésia. Os produtores locais não estão nada felizes e reclamam que os argentinos usam suas tarifas de exportação para forçar a industrialização da soja em grão dentro do país. Isso, diz a entidade espanhola, criaria uma vantagem competitiva injusta. Só no ano passado, os produtores argentinos venderam mais de US$ 500 milhões em biodiesel à Espanha.

NATURE - Especial sobre biocombustíveis

O respeitadíssimo semanário científico Nature encartou na edição de 23 de junho um suplemento especial sobre biocombustíveis, reunindo artigos e reportagens que abordam o tema sob diferentes pontos de vista. O especial foi chamado “Semeando Substitutos para Combustíveis Fósseis”. A publicação contou com a participação do diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, que colaborou com o artigo “Moving forward with biofuels” (“Avançando com os biocombustíveis”), que avalia as vantagens e desvantagens dos biocombustíveis na substituição ao petróleo. A experiência do Brasil na área foi tema do artigo “Lessons from Brazil” (“Lições do Brasil”), da professora Marcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).