Muitas críticas são feitas
ao uso de metanol para
produzir biodiesel. Dentre
elas, as mais contundentes
referem-se à alta periculosidade
e toxicidade do produto.
Muitas críticas são feitas
ao uso de metanol para
produzir biodiesel. Dentre
elas, as mais contundentes
referem-se à alta periculosidade
e toxicidade do produto.
No Brasil, a principal crítica que
se faz é ao fato desse insumo ser
importado e transportado por
dezenas de quilômetros, muitas
vezes para localidades onde é produzido
o etanol – álcool que poderia
substituir o metanol e do qual
somos o segundo maior produtor.
No entanto, devido à sua maior
reatividade e ao seu menor teor
de água, que limitam a formação
de sabões e emulsões, o metanol é
o álcool preferido da indústria de
biodiesel nacional e internacional
mesmo em países como o Brasil,
onde o etanol é mais abundante
e inclusive mais barato. Os ambientalistas
também questionam
o biodiesel metílico pelo fato dele
não ser 100% renovável, uma vez
que o metanol comercializado
hoje no mundo é de origem fóssil.
Não vou nesta coluna exaurir
a discussão sobre as rotas etílica e
metílica, mas discutir as tecnologias
de produção do metanol e as
possibilidades de se obter um biodiesel
100% renovável mesmo com
o uso desse álcool.
Atualmente, o metanol é produzido a partir do metano, seja de origem do petróleo ou do gás natural, tendo portanto origem fóssil. O metanol passa por um processo chamado de reforma, onde é reagido com vapor de água ou oxigênio para produzir o “gás de síntese”, que é uma mistura de hidrogênio com monóxido de carbono. O gás de síntese é usado como matéria-prima para uma série de produtos da indústria petroquímica, incluindo o próprio metanol, o aldeído fórmico e os organoclorados. No entanto, o metanol já foi produzido a partir de fontes renováveis antes da consolidação da indústria petroquímica, quando era obtido a partir da destilação seca da madeira, que, devido ao seu alto custo, não é competitiva em relação ao processo de que utiliza o gás de síntese.
Hoje seria impensável, de um ponto de vista econômico, substituir o processo de obtenção de metanol a partir de gás de síntese pelo da destilação seca de madeira. Porém, é perfeitamente possível pensar em substituir a matéria-prima do gás de síntese. A partir dos processos de gaseificação ou pirólise de biomassa, pode-se isolar o biogás de síntese, que possui a mesma composição que o seu correlato gerado por metano, mas é 100% renovável. Ou seja, é possível vislumbrar para um futuro não tão distante a geração de diversos produtos da indústria petroquímica, incluindo o metanol, utilizando como matéria-prima resíduos agroindustriais, como o bagaço de cana e palhas.
Temos, portanto, tecnologias viáveis para produzir metanol isento de insumos fósseis e, assim, obter biodiesel completamente renovável. Mais do que biodiesel e metanol, poder-se-ia produzir uma série de compostos que tem origem no metano utilizando biomassa, o que iria auxiliar a diminuir a emissão de carbono fóssil na atmosfera. Uma vez que nossos programas de produção de etanol e biodiesel estão praticamente consolidados, talvez seja o momento para aprofundarmos a substituição de matérias-primas fósseis, o que pode ocorrer pela substituição das mesmas em diversos processos petroquímicos, incluindo o metanol.
Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.
Atualmente, o metanol é produzido a partir do metano, seja de origem do petróleo ou do gás natural, tendo portanto origem fóssil. O metanol passa por um processo chamado de reforma, onde é reagido com vapor de água ou oxigênio para produzir o “gás de síntese”, que é uma mistura de hidrogênio com monóxido de carbono. O gás de síntese é usado como matéria-prima para uma série de produtos da indústria petroquímica, incluindo o próprio metanol, o aldeído fórmico e os organoclorados. No entanto, o metanol já foi produzido a partir de fontes renováveis antes da consolidação da indústria petroquímica, quando era obtido a partir da destilação seca da madeira, que, devido ao seu alto custo, não é competitiva em relação ao processo de que utiliza o gás de síntese.
Hoje seria impensável, de um ponto de vista econômico, substituir o processo de obtenção de metanol a partir de gás de síntese pelo da destilação seca de madeira. Porém, é perfeitamente possível pensar em substituir a matéria-prima do gás de síntese. A partir dos processos de gaseificação ou pirólise de biomassa, pode-se isolar o biogás de síntese, que possui a mesma composição que o seu correlato gerado por metano, mas é 100% renovável. Ou seja, é possível vislumbrar para um futuro não tão distante a geração de diversos produtos da indústria petroquímica, incluindo o metanol, utilizando como matéria-prima resíduos agroindustriais, como o bagaço de cana e palhas.
Temos, portanto, tecnologias viáveis para produzir metanol isento de insumos fósseis e, assim, obter biodiesel completamente renovável. Mais do que biodiesel e metanol, poder-se-ia produzir uma série de compostos que tem origem no metano utilizando biomassa, o que iria auxiliar a diminuir a emissão de carbono fóssil na atmosfera. Uma vez que nossos programas de produção de etanol e biodiesel estão praticamente consolidados, talvez seja o momento para aprofundarmos a substituição de matérias-primas fósseis, o que pode ocorrer pela substituição das mesmas em diversos processos petroquímicos, incluindo o metanol.
Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.
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