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Coluna: "celeiro do mundo"

O poder no século 21 será de países auto-suficientes em energia e alimentos, e o Brasil deve ser um deles
BiodieselBR.com 3 min de leitura
O poder no século 21 será de países auto-suficientes em energia e alimentos, e o Brasil deve ser um deles. Quem diz isso é o sueco Kjell Aleklett, que criou a expressão “Peak Oil” para definir o momento em que a produção de petróleo atinge o ponto máximo.

Para quem pensa e analisa o potencial brasileiro, as afirmações do sueco não são nenhuma novidade. Plantamos 70 milhões de hectares e temos mais 100 milhões em condições de serem utilizados sem necessidade de entrar no bioma amazônico ou causar qualquer desmatamento. Somos o único país do mundo a utilizar mais etanol (renovável) do que gasolina. E em mais dois ou três anos seremos também o país a utilizar maior percentual de biodiesel no diesel.

Mas precisamos deixar para trás o velho jargão “Brasil, país do futuro”, e assumirmos o presente. Dos 70 milhões de hectares utilizados para plantios perenes e anuais, cerca de 40 milhões são utilizados para culturas anuais, como a soja, o milho e o arroz. Essas culturas são plantadas no verão e demandam no máximo seis meses do plantio à colheita. Nos outros seis meses do ano cerca de 75% dessa imensa área não é utilizada. Grande parte poderia ser usada para plantios de inverno e safrinha. Importamos 70% do trigo consumido, mesmo sabendo que a Embrapa possui tecnologias para sua produção e que os produtores rurais têm a terra e os equipamentos necessários para a produção. Importamos também óleo de canola, girassol e dendê, que também têm plenas condições de serem produtos de exportação.

Dizer que somos o “celeiro do mundo” porque exportamos apenas soja, milho, café, açúcar e carnes é muita pretensão. A lista do que temos condições de produzir para abastecer todo o mercado interno e exportar os excedentes é muito maior que essa.

O mundo tem pressa e fome. O país levou 509 anos para ocupar com agricultura 70 milhões de hectares e não dá para esperar mais 500 anos para que dobre sua área agrícola. Transformar áreas degradadas em produtivas envolve pesados investimentos em correção do solo, maquinários e mão-de-obra, e o retorno é de longo prazo. Só é possível com financiamentos de longo prazo e alguns anos de carência. Precisa da interferência, do apoio e da ajuda explícita do poder público.

Para não continuarmos garganteando que somos o “país do futuro” e o “celeiro do mundo” sem fazer a lição de casa, precisamos de políticas agrícolas públicas específicas, claras e objetivas, distribuídas em horizontes de no mínimo dez anos. Tomando essa iniciativa, agricultores, empresários e investidores farão a sua parte e organizarão as cadeias produtivas de cada produto, trazendo a mesma transformação que a cana vem fazendo no Estado de São Paulo e no Centro-Oeste, onde ocupa áreas de pastagens degradadas.

A cana transformou um passivo ambiental improdutivo em uma fonte de biocombustível e açúcar. O biodiesel pode fazer a mesma coisa com dezenas de milhões de hectares, basta apenas um trabalho sério nas políticas agrícolas do Brasil.

O futuro do Brasil será do tamanho de nossas ações no presente.

Univaldo Vedana - Analista do setor de biodiesel
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