Os produtores e empresas
que começaram a colher
pinhão-manso neste ano
em maior volume puderam
comprovar que um dos grandes
problemas a ser resolvido é o alto
custo de mão-de-obra com a colheita.
Os produtores e empresas
que começaram a colher
pinhão-manso neste ano
em maior volume puderam
comprovar que um dos grandes
problemas a ser resolvido é o alto
custo de mão-de-obra com a colheita.
Apesar de
não haver linhas de
financiamento e a
pesquisa ainda estar
no começo, a colheita
do pinhão-manso
é uma grande barreira
a ser derrubada.
Pelo modelo usado,
o que um empregado
colhe num dia de serviço não paga
seu custo.
Para resolver o problema dos elevados gastos com colheita, algumas tentativas com equipamentos estão sendo desenvolvidas. Já foram testadas colhedeiras de café com algumas modificações e resultados nada animadores. A máquina colhia frutos verdes e maduros e danificava muito a planta. Outros equipamentos costais ou puxados por tratores serão as novas apostas. Essas máquinas estão em desenvolvimento, mas seus testes práticos definitivos serão feitos somente na safra de 2010.
Acredito que a inteligência humana superará rapidamente este problema com o desenvolvimento de uma colhedeira mecanizada que funcione perfeitamente com o pinhão-manso. E também acredito que os pesquisadores em poucos anos conseguirão fazer a planta atingir alta produtividade em grande escala, situação em que ainda existe uma certa nebulosidade quanto aos resultados.
Mas enquanto essas inovações não vêm, não precisamos deixar a planta de lado. Há meios de utilizá-la de maneira rentável e de forma alinhada com os interesses do governo. A agricultura familiar pode ter boa rentabilidade com o plantio de pinhão- manso. O principal motivo é que os pequenos agricultores não precisam pagar empregados para colher e assim eliminam o maior custo de produção dessa planta. Dessa forma, se a família do pequeno agricultor colher 200 quilos de semente em um dia de serviço, esses 200 quilos serão a renda dela. E a vantagem do pinhão-manso na pequena propriedade é que ele pode ser uma planta de consórcio com feijão, milho, amendoim ou qualquer outra cultura que o pequeno produtor tem costume de plantar.
Incentivar o plantio de pinhão-manso na agricultura familiar em consórcio com culturas alimentares em pequenas áreas subutilizadas – como mais uma opção de renda – parece ser o caminho, ao menos enquanto novas tecnologias não são desenvolvidas. Mas este incentivo não pode ser aleatório. Deverá vir acompanhado de assistência técnica, com a organização do pequeno agricultor e com garantia de compra por uma usina com preços previamente acertados. A garantia de compra e a organização dos pequenos agricultores são fundamentais para o sucesso da cultura e para que não ocorram os mesmos problemas que aconteceram com a mamona. Quando o pequeno produtor colhia bem, não tinha comprador ou o preço era tão insignificante que preferia queimar a mamona a vendê-la, como aconteceu na Bahia em mais de uma ocasião.
Essa proposta se encaixa muito bem no que a Petrobras quer fazer perto de suas usinas. Além de excelente para o marketing da estatal, esse incentivo estimularia outras usinas a fazerem o mesmo. Mas para elas conseguirem resultados efetivos é preciso escala. Grandes volumes só serão atingidos com um apoio financeiro adequado, e é nesse momento que o Selo Combustível Social deveria fazer a sua parte. Deveria.
Univaldo Vedana - Analista do setor de biodiesel
Para resolver o problema dos elevados gastos com colheita, algumas tentativas com equipamentos estão sendo desenvolvidas. Já foram testadas colhedeiras de café com algumas modificações e resultados nada animadores. A máquina colhia frutos verdes e maduros e danificava muito a planta. Outros equipamentos costais ou puxados por tratores serão as novas apostas. Essas máquinas estão em desenvolvimento, mas seus testes práticos definitivos serão feitos somente na safra de 2010.
Acredito que a inteligência humana superará rapidamente este problema com o desenvolvimento de uma colhedeira mecanizada que funcione perfeitamente com o pinhão-manso. E também acredito que os pesquisadores em poucos anos conseguirão fazer a planta atingir alta produtividade em grande escala, situação em que ainda existe uma certa nebulosidade quanto aos resultados.
Mas enquanto essas inovações não vêm, não precisamos deixar a planta de lado. Há meios de utilizá-la de maneira rentável e de forma alinhada com os interesses do governo. A agricultura familiar pode ter boa rentabilidade com o plantio de pinhão- manso. O principal motivo é que os pequenos agricultores não precisam pagar empregados para colher e assim eliminam o maior custo de produção dessa planta. Dessa forma, se a família do pequeno agricultor colher 200 quilos de semente em um dia de serviço, esses 200 quilos serão a renda dela. E a vantagem do pinhão-manso na pequena propriedade é que ele pode ser uma planta de consórcio com feijão, milho, amendoim ou qualquer outra cultura que o pequeno produtor tem costume de plantar.
Incentivar o plantio de pinhão-manso na agricultura familiar em consórcio com culturas alimentares em pequenas áreas subutilizadas – como mais uma opção de renda – parece ser o caminho, ao menos enquanto novas tecnologias não são desenvolvidas. Mas este incentivo não pode ser aleatório. Deverá vir acompanhado de assistência técnica, com a organização do pequeno agricultor e com garantia de compra por uma usina com preços previamente acertados. A garantia de compra e a organização dos pequenos agricultores são fundamentais para o sucesso da cultura e para que não ocorram os mesmos problemas que aconteceram com a mamona. Quando o pequeno produtor colhia bem, não tinha comprador ou o preço era tão insignificante que preferia queimar a mamona a vendê-la, como aconteceu na Bahia em mais de uma ocasião.
Essa proposta se encaixa muito bem no que a Petrobras quer fazer perto de suas usinas. Além de excelente para o marketing da estatal, esse incentivo estimularia outras usinas a fazerem o mesmo. Mas para elas conseguirem resultados efetivos é preciso escala. Grandes volumes só serão atingidos com um apoio financeiro adequado, e é nesse momento que o Selo Combustível Social deveria fazer a sua parte. Deveria.
Univaldo Vedana - Analista do setor de biodiesel