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Coluna: Do discurso a prática

O futuro do biodiesel está além da mistura obrigatória e o objetivo do setor não pode ser o B5, B10 ou B20. Essas misturas devem ser apenas caminhos para que no futuro o consumo brasileiro de biodiesel ultrapasse o uso do diesel. Esta é uma meta possível, não duvidem.
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O futuro do biodiesel está além da mistura obrigatória e o objetivo do setor não pode ser o B5, B10 ou B20. Essas misturas devem ser apenas caminhos para que no futuro o consumo brasileiro de biodiesel ultrapasse o uso do diesel. Esta é uma meta possível, não duvidem. Há trinta anos, se alguém imaginasse que o consumo de etanol seria maior que o de gasolina, com certeza seria internado. Hoje, esta é a realidade.

Com freqüência comparo o biodiesel com os exemplos já vividos pelo etanol brasileiro. Procurar as ações e políticas bem-sucedidas do etanol e aplicá-las no biodiesel são tarefas que podem encurtar o caminho, bem como evitar ações que não tiveram resultados ou foram desastrosas.

O álcool brasileiro nasceu e cresceu com subsídios e isenção tributária, e essa política foi essencial nos seus primeiros anos. Já o biodiesel surgiu com toda a carga tributária e mesmo assim tem vencido batalhas e crescido. O biodiesel no Brasil tem um discurso de incentivo, mas uma dura realidade na hora de produzir e vender.

Você deve estar se perguntando sobre o Selo Combustível Social. Esse disfarce criado pelo governo foi muito mal conduzido desde sua criação e em alguns casos o custo de implantação e manutenção do selo ficava maior que o benefício fiscal. As últimas mudanças realizadas não parecem animar muito os produtores de biodiesel, que ficaram desconfiados depois de anos de falso incentivo. Aliás, o selo até hoje só serviu para garantir a participação das usinas nos grandes lotes de biodiesel dos leilões.

O futuro do biodiesel depende de sair do discurso para que sejam executadas ações práticas. Em 2009, mesmo com o PIB brasileiro patinando, o biodiesel crescerá no mínimo 14%. Este crescimento, mesmo sendo bom, não poderá ser comemorado. A utilização da capacidade instalada abaixo dos 40% impede qualquer demonstração de alegria.

2009 será o ano do amadurecimento do biodiesel brasileiro. As entregas do biocombustível vendido nos leilões deverão acontecer sem problemas e as quebras de contrato de entrega, se houver, deverão ser mínimas.

Este será também o início da colheita dos trabalhos realizados nos últimos anos na busca por novas fontes de óleos vegetais. A canola no Rio Grande do Sul, o crambe no Centro-Oeste e o pinhão-manso nas regiões brasileiras propícias firmam-se como principais candidatos a substituir parte do óleo de soja.

Espero ainda que até o final do ano saia uma política agrícola pública específica para o dendê. O ministro do Meio Ambiente tem sinalizado nessa direção e pretende ocupar dois milhões de hectares de áreas degradadas na região Norte, especialmente no Estado do Pará. O incentivo ao dendê exige políticas e projetos de longo prazo, bem como linhas de financiamento com carência de quatro ou cinco anos e com uma década para pagamento.

No dendê, temos o maior potencial de produção do planeta, mas infelizmente estamos perdendo por 4 a 1 para a Colômbia e se não colocarmos em prática as ações de incentivo à produção, a goleada será bem maior.

Dentro do conturbado cenário econômico mundial, o biodiesel no Brasil não deve sentir os efeitos da crise e sairá de 2009 muito mais forte e confiante do que entrou. Mas isso não significa que será fácil e sem lutas. Muito pelo contrário.

Univaldo Vedana - Analista do setor de biodiesel
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