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Produção global de biocombustíveis ficou estável em 2012

produção biocombustível_2012_IEA_230413Segundo a IEA, depois de anos de crescimento acelerado, a produção de biocombustíveis em 2012 ficou praticamente estável em relação a 2011.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
produção biocombustível_2012_IEA_230413
Segundo a IEA, depois de anos de crescimento acelerado, a produção de biocombustíveis em 2012 ficou praticamente estável em relação a 2011.

produção biocombustível_2012_IEA_230413Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a produção de biocombustíveis em 2012 ficou praticamente estável em relação aos volumes apurados um ano antes. Os dados constam da edição mais recente do relatório “Tracking Clean Energy Progress” (“Acompanhando o Progresso da Energia Limpa”, numa tradução literal) que foi divulgado na semana passada num evento realizado na cidade indiana de Nova Deli. Segundo as estimativas dos técnicos da agência, a produção mundial de biocombustíveis somou 112 bilhões de litros no ano passado.

No caso do etanol, o volume de produção em 2013 foi de 86 bilhões de litros (1,2% a mais que os 85 bilhões de litros de 2011). Já o biodiesel somou 24 bilhões de litros fabricados no ano passado (4,3% de crescimento sobre os 23 bilhões de litros do período anterior).

A desaceleração é notável. Desde 2000, o volume de produção do setor se multiplicou praticamente sete vezes – de 16 bilhões de litros para o volume atual. Hoje, os biocombustíveis representam 2,3% do consumo de energia no setor de transportes. Brasil, Estados Unidos e União Europeia lideram o consumo com participações de, respectivamente, 20,1%, 4,4% e 4,2%.

Segundo o texto, os principais motivos para a falta de crescimento foi a elevação nos preços das principais matérias-primas para a indústria, e a seca que atingiu duramente as áreas agrícolas dos Estados Unidos no ano passado. Esses fatores afetaram principalmente a produção de etanol. No que diz respeito ao biodiesel, a produção manteve um crescimento importante nos Estados Unidos e América Latina.

O relatório também indica uma queda bastante relevante no ritmo de novos investimentos no setor. A produção de biocombustíveis recebeu, ao longo de 2012, 50% menos investimentos do que em 2011. A pisada no freio é explicada pelo excesso de capacidade instalada e às perspectivas de que vários países revejam políticas de incentivo à medida em que aumentam as dúvidas sobre a capacidade dos biocombustíveis de contribuírem efetivamente para a redução das emissões de CO2.

Apesar da aparente pisada no freio, o relatório do IEA indica que os chamados biocombustíveis avançados – aqueles que são fabricados a partir de matérias-primas não alimentares ou de biomassas que hoje são tratadas como rejeitos pela agroindústria – cresceram respeitáveis 33% em 2012 somando 4,5 bilhões de litros.

O IEA também afirma que para que o mundo cumpra a meta de limitar o aquecimento global a 2°C, a capacidade de produção de biocombustíveis precisaria dobrar até 2020.

Tão sujo quanto
“Apesar do boom nas energias renováveis durante a década passada, cada unidade de energia produzida hoje é, basicamente, tão suja quanto era há 20 anos”, escreveu a diretora executiva da IEA, Maria van der Hoeven, num artigo publicado no último dia 17 no The Huffington Post.

Uma novidade introduzida nessa versão do relatório é o Índice de Intensidade de Carbono do Setor Energético (ESCII) que estima quanto gás carbônico é emitido por unidade de energia produzida. Em 1990, cada tonelada de petróleo equivalente emitia 2,39 toneladas de CO2, passados 22 anos o índice caiu desanimadores 0,02 pontos ficando em 2,37 tCO2/toe. Inicialmente esse parece um dado positivo, mas é preciso levar em conta que, nesse período, a 5
demanda mundial por energia ficou 50% maior – elevando as emissões líquidas.

“Não podemos arcar com mais 20 anos de indiferença. Precisamos de uma rápida expansão das energias de baixo carbono se quisermos evitar as consequências potencialmente catastróficas do aquecimento global”, prossegue Hoeven.

O relatório completo (em inglês) pode ser acessado aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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