Apesar de ter vivido um 2020 bastante conturbado, o nível de produção das usinas brasileiras de biodiesel avançou 9%
Embora o setor de biodiesel não tenha saído ileso das turbulências que chacoalharem o mundo durante o ano passado, no fim das contas, 2020 não foi totalmente ruim. Considerando a pequena retração na demanda de óleo diesel, o aperto na oferta de óleo de soja e os leilões conturbados, as usinas conseguiram colocar um total de 6,43 milhões de m³ de biodiesel no mercado.
Este volume é 9% superior ao registrado durante o período anterior. Além disso, esse foi quarto ano consecutivo em que o setor de biodiesel bate o próprio recorde de produção.
Aumentos anuais sucessivos têm sido a tendência para o segmento desde que a produção de biodiesel passou a ser acompanhada pela ANP, em 2015. O único ano no qual não houve crescimento na produção foi em 2016, quando a crise que se abateu sobre a economia brasileira afundou o mercado de diesel e, por tabela, o de biodiesel.
Embora o setor de biodiesel não tenha saído ileso das turbulências que chacoalharem o mundo durante o ano passado, no fim das contas, 2020 não foi totalmente ruim. Considerando a pequena retração na demanda de óleo diesel, o aperto na oferta de óleo de soja e os leilões conturbados, as usinas conseguiram colocar um total de 6,43 milhões de m³ de biodiesel no mercado.
Este volume é 9% superior ao registrado durante o período anterior. Além disso, esse foi quarto ano consecutivo em que o setor de biodiesel bate o próprio recorde de produção.
Aumentos anuais sucessivos têm sido a tendência para o segmento desde que a produção de biodiesel passou a ser acompanhada pela ANP, em 2015. O único ano no qual não houve crescimento na produção foi em 2016, quando a crise que se abateu sobre a economia brasileira afundou o mercado de diesel e, por tabela, o de biodiesel.
Considerando os 56,6 milhões de m³ de diesel que foram vendidos no mercado brasileiro no ano passado, a produção de biodiesel superou a demanda em aproximadamente 131 mil m³. Até julho, os saldos haviam sido todos negativos e a produção chegou a ficar 117,1 mil m³ abaixo do consumo. De agosto em diante, contudo, o mercado se inverteu.
Altas e baixas da mistura
Durante boa parte do ano, a atividade da indústria foi alavancada pela introdução do B12, atendendo ao cronograma fixado pela Resolução 16/2018 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Somado ao adiamento – de março para setembro de 2019 – na implementação do B11, isso se transformou em uma comparação bastante favorável para 2020.
Ou seja, com a exceção de alguns dias no mês de junho, quando a ANP baixou de forma emergencial a mistura para B10, a comparação de março a setembro é entre B10 e B12.
Nos dois últimos bimestres do ano, quando a ANP novamente determinou que a mistura obrigatória fosse reduzida para garantir o abastecimento, a produção ainda conseguiu se sustentar em patamares bastante similares aos de 2019. Entre setembro e outubro, o mercado brasileiro retrocedeu para o B10; já em novembro e dezembro, foi adotado o B11.
No comparativo anual, a produção teve uma redução apenas nos meses de abril e no dezembro. O primeiro foi justamente o período de maior impacto das medidas para o controle da pandemia do coronavírus, o que fez com que a produção tivesse seu pior nível mensal desde fevereiro de 2019, quando a mistura adotada ainda era o B10.
Sul na frente
A distribuição geográfica da produção de biodiesel no Brasil teve uma mudança notável em 2020.
Depois de 12 anos liderando o mercado, a região Centro-Oeste foi superada pela região Sul. Foram, respectivamente, 2,56 milhões de m³ contra 2,74 milhões de m³.
Das 27 unidades da federação, 13 tiveram produção de biodiesel em 2020. É uma a mais do que em 2019, graças à retomada da produção de biodiesel no Piauí.
Em outubro de 2019, a Unibras completou a reativação da usina de Floriano que estava parada há nove anos. A produção na unidade, contudo, só pôde ser retomada de fato em janeiro do ano passado. Ao todo, a planta fabricou pouco mais de 39,6 mil m³ em 2020.
O Rio Grande do Sul foi o estado que mais produziu biodiesel no período, com 1,79 milhões de m³ – uma elevação de 185,1 mil m³ ou 11,5% ante o volume registrado no ano anterior. O segundo colocado foi o Mato Grosso, com 1,23 milhão de m³ fabricados, volume praticamente estável em relação à 2019.
O Paraná teve um aumento notável. A produção bruta do estado deu um salto de 150 mil m³, chegando a 809,3 mil m³ em 2020. O Tocantins também registrou um bom resultado, com a produção crescendo 53,4% em apenas um ano – indo de 92,4 mil m³ para 141,7 mil m³.
Dentro todos os estados brasileiros que fabricaram biodiesel tanto em 2019 quanto em 2020, apenas Bahia e Rondônia tiveram variação negativa na produção anual.
Cinco maiores
Os cinco maiores grupos empresariais do setor de biodiesel no Brasil foram, por ordem de produção: BSBios, Oleoplan, Granol, ADM e Caramuru. A única mudança no ranking em relação a 2019 aconteceu na terceira posição, com a Granol superando a ADM.
Já a BSBios ampliou sua liderança. Em 2019, o grupo empresarial gaúcho fabricou 604,8 mil m³ de biodiesel, o que equivalia a aproximadamente 10,2% da produção brasileira no período. No ano passado, a produção aumentou para 755,3 mil m³, uma fatia de 11,7% do total.
A participação dos cinco maiores fabricantes representou 42,8% do volume fabricado no país em 2020, um percentual praticamente inalterado em relação a 2019.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com