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A mistura de biodiesel no Brasil ficou abaixo dos 5% em 2012

boletimMME producao_biodiesel_170113O MME publicou na segunda-feira dados do setor de biodiesel até novembro indicando descolamento entre a oferta e a demanda.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O MME publicou na segunda-feira dados do setor de biodiesel até novembro indicando descolamento entre a oferta e a demanda.

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O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou nessa segunda-feira (14) a edição 58 de seu Boletim Mensal dos Combustíveis Renováveis. Ele traz um sumário dos números mais importantes do setor até o mês de novembro do ano passado e apresenta dados sobre o mercado de biodiesel capazes de causar inquietação. Há um persistente – e incomodo – descolamento entre a demanda de biodiesel estimada com base nas vendas de diesel mineral e a oferta do produto no mercado.;

Olhando apenas para a produção das usinas – que até novembro, estavam em 2,47 bilhões de litros – e comparando-a com as vendas de óleo diesel no mercado interno durante o mesmo período (51,4 bilhões de litros), é possível constatar um déficit que supera os 95 milhões de litros de biodiesel. Esse volume é suficiente para dizer que há mais de 1,9 bilhões de litros de diesel que não receberam a mistura de 5% de biodiesel.

Parte da diferença pode ser explicada pelo consumo de diesel náutico – único a não receber adição de biodiesel. Segundo o presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alisio Vaz, o segmento náutico corresponde a aproximadamente 1,1% das vendas de óleo diesel no Brasil. Isso daria, mais ou menos, 565,5 milhões de litros, volume insuficiente para explicar toda a diferença.

Isso não significa que estejamos vivendo uma crise de abastecimento pouco divulgada. Leonardo Zilio, assessor econômico da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) aponta para o fato de que a Resolução ANP 65/2011 – que define a especificação do óleo diesel – estabelece uma tolerância de 0,5% para mais ou para menos no parâmetro teor de biodiesel.

Equivale dizer que qualquer coisa entre 4,5% e 5,5% na relação entre o consumo de diesel e biodiesel é absolutamente normal. Como, na ponta do lápis, a produção de biodiesel foi equivalente a 4,8% do volume de diesel mineral ainda estaríamos dentro da normalidade legal.

Entregas e Retiradas
Só que a diferença entre a demanda e a produção das usinas é apenas a camada mais epitelial do problema. Há outros dois números que indicam de forma mais precisa quanto biodiesel está, de fato, sendo colocado à disposição do mercado: o de entregas, no qual as usinas declaram quanto biodiesel de fato está saindo de suas instalações rumo às distribuidoras; e o de retiradas, que sinaliza o volume que as distribuidoras dizem ter efetivamente recebido. E o que se observa é que, os volumes de biodiesel em cada um deles são diferentes, mas estão sempre abaixo da demanda.

Até novembro, as entregas das usinas haviam somado pouco menos do que 2,4 bilhões de litros. Isso eleva o déficit do mercado para mais de 175,3 milhões de litros, que serviriam para uma mistura de 3,5 bilhão de litros de diesel.

Inesperadamente, dos dados de retiradas contam uma outra história. Até setembro (dado mais recente divulgado pela ANP), as distribuidoras atestam ter pego nas usinas quase 1,99 bilhão de litros, quase 87,5 litros a mais do que as entregas alegadas pelas usinas. Por essa segunda conta, ficam faltando 67,9 milhões de litros de biodiesel em relação à demanda projetada para o período.

Alísio Vaz, do Sindicom, lembra que nem todo o biodiesel retirado pelas distribuidoras sai das usinas. Uma parte dele pode vir dos estoques estratégicos da Petrobras o que pode explicar as variações observadas em relação aos dados dos produtores de biodiesel. Ele também ressalta que não é de todo incomum que os dados repassados pelas distribuidoras para a ANP apresentem falhas ou estejam incompletos por causa de atrasos no envio da documentação.

Zilio também aponta nessa mesma direção e complementa dizendo que é comum a ANP fazer correções nos números dos seis meses anteriores ao dado mais recente.

A impressão é que esses quase 100 milhões de litros que não foram misturados não está preocupando os envolvidos. Se tivessem sido comercializados, trariam um faturamento para o setor de mais de 250 milhões de reais.
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Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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